Dentro das quatro linhas, os dribles de Vinícius Júnior sempre chamaram atenção. Desde a época em que ele ainda era uma promessa das categorias de base do Flamengo, mas sua capacidade para definir lances de ataque cresceu com o tempo e hoje é digna dos melhores artilheiros. Infelizmente os ataques racistas direcionados a sua pessoa também só foram aumentando, e o jovem consegue seguir em frente com o seu futebol de alto nível ao mesmo tempo em que combate o desprezível e os desprezíveis.
Vinícius não tem intenção de driblar o racismo. Neste terreno de jogo, ele o ataca. E o faz, provavelmente, com qualidade superior até mesmo a de seu futebol. O racismo persiste como uma doença nos mais diferentes lugares e países. Na Espanha, é algo normalizado há décadas. Através de suas redes sociais, o ex-lateral Roberto Carlos, um dos gigantes da história madridista, relembrou de episódios em que ele também foi alvo.
Mas é agora com Vinícius que, mesmo a duras penas, o racismo começa a ser combatido de forma mais aberta no futebol espanhol - como fica claro através das mais diferentes capas de jornais, e não em relação à postura lamentável de La Liga e de seu presidente, Javier Tebas. Ações, enfim, começam a ser tomadas, como a detenção de criminosos que entoaram cânticos racistas direcionados a Vini Júnior dentro do estádio Mestalla. Apesar do cartão vermelho recebido contra o Valencia, uma decisão histórica da liga espanhola definiu que o atacante não estará suspenso para o próximo duelo de seu time. O caminho é longo, mas dentro desta história de luta Vinícius Júnior passou a protagonizar um capítulo importante.
A sua voz e suas respostas, perante o absurdo que sofre, une diferentes atores da bola de diferentes gerações e personalidades. Une até mesmo clubes rivais daqui do Brasil. Vinícius Júnior não é apenas um dos melhores jogadores de futebol do mundo, é um símbolo.