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Rodrygo tomou a vaga de Vinícius no Real Madrid pela história, habilidade e tática

17:22 BRT 01/11/2019
GFX Rodrygo Vinicius Real Madrid 01 11 2019
O ex-santista pegou para si o roteiro de "xodó" e desempenho tanto ofensivo quanto defensivo explicam a moral com Zidane

Se Karim Benzema é o melhor jogador deste Real Madrid, Rodrygo é a grande sensação. O brasileiro de apenas 18 anos faz a sua primeira temporada no futebol europeu, depois de ter sido contratado junto ao Santos por 45 milhões de euros, e em suas palavras “tudo está sendo muito rápido”.

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Literalmente. O ponta demorou poucos segundos para marcar o seu primeiro gol em jogos oficiais, e em quatro partidas soma dois tentos pela equipe de Zidane. O treinador francês é um entusiasta do ex-santista, que vai conquistando cada vez mais a confiança do comandante.

O mesmo não vai acontecendo com Vinícius Júnior. Contratado junto ao Flamengo também por 45 milhões de euros, sob o comando do francês a sensação madridista da temporada passada vê o seu espaço diminuir: disputou nove jogos, sendo apenas quatro como titular, e comemorou, com um choro de alívio, o único gol na campanha 2019-20. Afinal de contas, a joia de São Gonçalo vive hoje o desafio de se firmar de vez entre os “adultos” do Real Madrid.

Rodrygo tomou o lugar de “xodó” na narrativa

Vinícius deixa o campo lesionado no marcante jogo contra o Ajax (Foto: Getty Images)

Vinícius é apenas seis meses mais velho do que Rodrygo e também chegou mais cedo à capital espanhola. Antes de pegar o avião rumo à Europa falava sobre o sonho de atuar ao lado de Cristiano Ronaldo, mas encontrou um Real Madrid sem o português e sofrendo sem o maior artilheiro de sua história. Começou no Castilla, a equipe B, mas não demorou a conquistar o seu lugar entre os profissionais sob o comando de Santiago Solari, período no qual fez todos os seus quatro gols e deu as incríveis oito assistências em 2018-19.

Xodó do time na ponta-esquerda, justamente a posição deixada por CR7, a situação de Vinícius no clube mudou durante e depois da eliminação para o Ajax, nas oitavas de final da Liga dos Campeões: deixou o campo lesionado e a desclassificação custou o emprego de Solari.

Zidane decidiu retornar e desde então, mesmo recuperado fisicamente, Vinícius não voltou a ser o mesmo: chances, gols, assistências, confiança... tudo isso diminuiu sob o comando do francês e a chegada de Eden Hazard, para ocupar justamente a ponta-esquerda, também fez aumentar o desafio. Sem o peso da responsabilidade que Vinícius tão bem soube lidar meses antes, Rodrygo aproveitou a brecha criada por toda esta situação para tomar para si o rótulo mais afável de “xodó”.

Desempenho em campo

E conseguiu isso através do que fez em campo, obviamente. Na comparação com Vinícius, os números mostram uma objetividade maior: Rodrygo disputou menos jogos (4 a 9), mas fez mais gols (2 a 1), criou o mesmo número de chances (5) e ainda teve aproveitamentos melhores tanto no passe (81.8% a 76.3%) quanto na finalização (50% a 44.4%).

A vantagem de Vinícius é apenas uma assistência contra nenhuma do conterrâneo, além de ter completado mais dribles – entretanto, até mesmo neste quesito, o forte de Vini, Rodrygo teve aproveitamento melhor (53.8% de sucesso contra 34%).

Entendimento dentro da equipe

Mapa de calor de Rodrygo nos 5 a 0 sobre o Leganés (Foto: Opta)

Mas o que melhor explica por que Zidane vem preferindo Rodrygo a Vinícius talvez esteja no papel que o santista vai conseguindo entregar no desenho do time. Se a ponta-esquerda é de Hazard, Rodrygo está conseguindo se entender bem tanto com o belga quanto com Benzema.

“Eu não tenho preferência. Hoje comecei pela direita e fui alternando com Hazard. Seja na esquerda ou na direita eu vou curtir”, afirmou após a goleada por 5 a 0 aplicada sobre o Leganés, partida em que Vinícius sequer foi relacionado.

É importante destacar que Vinícius também possui um histórico jogando pela ponta-direita, mas na atual temporada ficou mais preso ao flanco canhoto. A questão é que, além de ter melhores números ofensivos, Rodrygo também contribui mais na fase defensiva: soma mais interceptações (7 a 1), além das médias melhores de desarmes (0.5 por jogo contra 0.3) e de bolas recuperadas (3.25 a 1.7).

(Foto: Getty Images)

Contra o Leganés, Rodrygo correu 11.6 km e a imprensa espanhola destacou a sua entrega ao lembrar que esta é uma marca mais comum para meio-campistas do que para atacantes. Mas ainda que tenha a confiança de Zidane, é importante lembrar que o brasileiro de 18 anos não tem a mesma responsabilidade e expectativa que o de 19 anos. Ainda.

Enquanto Vinícius luta para mostrar que pode ganhar chances e decidir mesmo sem ser o xodó, amuleto do time, Rodrygo joga solto e saboreia os lindos dias em que tudo vai dando certo.