Chefe de LaLiga fica pistola com permanência de Mbappé no PSG: "Insulto ao futebol"

Javier Tebas La Liga

E a decisão de Kylian Mbappé de renovar com o Paris Saint-Germain está dando o que falar. Depois de a imprensa espanhola ter cravado que o atacante já havia acertado sua ida ao Real Madrid, a nova reviravolta foi a oficilização de que o francês aceitou a proposta para seguir no PSG, o que rendeu alfinetadas até mesmo do chefe de LaLiga, e até uma promessa de processo na UEFA.

A novela Mbappé segue rendendo - e muito - no mundo do futebol. São muitas reviravoltas desde que o Real Madrid manifestou interesse na contratação da jovem estrela do PSG, que cumpriu o prometido e não facilitou a ida do atacante à Espanha. E até quando tudo parecia certo, os franceses deram um chapéu nos Blancos e acertou a renovação do camisa 7, que há poucos dias estava com salários acertados com os merengues.

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Neste sábado (21), o PSG oficializou a renovação de Mbappé, em um contrato agora válido até 2025. Segundo a imprensa local, o jogador já havia comunicado sua decisão à Florentino Pérez antes de o anúncio do PSG.

A reviravolta, porém, não foi nem um pouco bem vista por Javier Tebas, chefe de LaLiga, reguladora do futebol espanhol, que usou as redes sociais para pistolar contra o PSG e Nasser Al-Khelaifi, presidente do clube francês. E até a polêmica Super Liga foi colocada em pauta pelo chefão.

"O que o PSG está fazendo renovando com Mbappé por uma quantia enorme de dinheiro (quem sabe de onde e como será pago) depois de anunciar perdas de 700 milhões nas últimas temporadas e ter uma carga salarial de 600 milhões é um INSULTO ao futebol", escreveu Tebas no Twitter. "Al-Khelafi (sic) é tão perigoso quanto a Super Liga".

Tebas, inclusive, já havia falado sobre a então provável chegada de Mbappé ao Real, colocando a chegada de um novo superastro como um ponto para trazer atenção de volta à liga desde a saída de Lionel Messi justamente para o PSG.

E a reclamação de Tebas foi além das redes sociais. A LaLiga anunciou que fará uma queixa oficial à UEFA sobre a renovação do PSG com Mbappé, com objetivo de defender "ecossistema econômico do futebol europeu e a sua sustentabilidade". Segundo a entidade, a postura do clube francês "coloca em risco centenas de milhares de empregos e a integridade do esporte, não apenas nas competições europeias, mas também nas ligas domésticas".

Veja a nota oficial de LaLiga:

"Perante o possível anúncio de Kylian Mbappé de permanecer no Paris Saint-Germain, a LaLiga deseja afirmar que este tipo de acordo ameaça a sustentabilidade económica do futebol europeu, colocando em risco centenas de milhares de empregos e integridade desportiva a médio prazo, não só de competições europeias, mas também das nossas ligas nacionais.

É escandaloso que um clube como o PSG, que na temporada passada perdeu mais de 220 milhões de euros, depois de ter acumulado perdas de 700 milhões de euros nas últimas temporadas (mesmo declarando rendimentos de patrocínios de valor muito duvidoso) com um custo de pessoal desportivo em torno de 650 milhões para esta temporada 21/22, pode enfrentar um acordo com essas características enquanto os clubes que poderiam aceitar a chegada do jogador sem ver sua massa salarial comprometida, ficam sem poder contratá-lo.

Por todo o exposto, a LaLiga vai apresentar uma queixa contra o PSG junto da UEFA, autoridades administrativas e fiscais francesas e perante os órgãos competentes da União Europeia, para continuar a defender o ecossistema económico do futebol europeu e a sua sustentabilidade.

Em ocasiões anteriores, a LaLiga já apresentou queixas contra o PSG por não conformidade com o fair play financeiro da UEFA, como resultado da qual a UEFA sancionou duramente o PSG, embora o CAS os tenha revogado em uma resolução estranha.

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A LaLiga e muitas instituições do futebol europeu estavam esperançosas de que, com a entrada do presidente do PSG, Nasser Al-Khelaifi, em órgãos de gestão do futebol europeu, como a antiga UEFA ou a Presidência da ECA, ele se abstivesse de realizar essas práticas sabendo dos graves danos que causam, mas não foi assim, muito pelo contrário. O PSG estando com massas salariais inaceitáveis, com grandes perdas económicas em épocas anteriores, assume um investimento impossível nesta situação, o que sem dúvida implica o incumprimento das actuais regras de controlo económico não só da UEFA, mas do próprio futebol francês.

Esses comportamentos denotam ainda mais que os clubes estaduais não respeitam ou querem respeitar as regras de um setor econômico tão importante quanto o futebol, fundamental para a sustentabilidade de centenas de milhares de empregos.

Esse tipo de comportamento liderado por Nasser Al-Khelaifi, presidente do PSG, devido ao seu status de membro da ex-Uefa, presidente da ECA, é um perigo para o futebol europeu no mesmo nível da Superliga."