Terceiro artilheiro, Suárez deixa o Barcelona como protagonista - mesmo com Messi

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Uruguaio passou seis temporadas na Catalunha e deixa um histórico de títulos, gols e uma grande parceria com a principal estrela do clube

Luis Alberto Suárez Díaz já havia saído de Salto para ganhar o mundo e virar ídolo do Ajax, do Liverpool e protagonista de Copa do Mundo, além de campeão da América, pelo Uruguai. Mas a chegada ao Barcelona, aos 27 anos, era o passo definitivo para se estabelecer na prateleira dos maiores. E ele o fez com gols e muita personalidade para deixar o clube, seis anos depois, com a certeza de quem é um dos principais camisas 9 de toda uma geração.

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Foram 198 gols pelo clube, o suficiente para se tornar o terceiro maior artilheiro da história do Barcelona, atrás apenas de Messi e de Cézar Rodríguez. Em média, somadas as assistências, Suárez tem mais participações em gols do que jogos pelo time catalão.

Números muito relevantes, ainda que seu grande impacto não precise exatamente de consultas às listas e estatísticas. Quando um dia alguém for lembrar do longo período do Barcelona de Lionel Messi, seu mais icônico parceiro atenderá por Luis Suarez, o fiel escudeiro de ataque por anos, o único jogador a quebrar a hegemonia do argentino e de Cristiano Ronaldo na artilharia local na última década. Se o camisa 10 viveu anos impressionantes, não há dúvida que contou com um 9 em grande forma ao seu lado.

É fato que Samuel Eto'o era a referência no título europeu de 2009, peça fundamental naquele time comandado por Pep Guardiola, em ataque que tinha também Thierry Henry. O elenco campeão dois anos depois era o de David Villa, outro grande centroavante. Por lá também passou rapidamente Ibrahimovic, e não se pode esquecer de Pedro, importantíssimo em vários momentos, ou o próprio Neymar, que atuou por quatro anos no Camp Nou. Mas considerando a amizade, o tempo de casa e a qualidade do encontro, Luisito foi o companheiro mais bem afinado, a dupla de ataque que mais foi às redes em toda a Europa de 2014 para cá.

Apesar do alto nível que vinha demonstrando, Suárez chegou num contexto de provação. A temporada havia terminado de forma decepcionante para o clube, derrotado na final da Copa do Rei para o Real Madrid e perdendo o título espanhol na corrida até a última rodada para o Atlético. Era ainda o primeiro ano de Neymar, e o último de Sánchez, titular na maior parte daquela campanha frustrante.

O Barcelona queria Suárez, artilheiro da Inglaterra pelo Liverpool, fedendo a gol na Premier League. Mas a Copa do Mundo de 2014 terminou de forma controversa. Ele chegou ao Brasil machucado e se recuperou de fora heroica para ganhar um jogo contra a Inglaterra, em São Paulo. Mas na rodada final da primeira fase fez das suas, e uma mordida no zagueiro Chiellini, da Itália, lhe rendeu suspensão e até exclusão do torneio.

Enquanto o uruguaio era taxado como o típico jogador-problema, o Barça mantinha a aposta, e o camisa 9 foi contratado ainda suspenso pela Fifa. Por isso demorou um pouco para estrear, mas se juntou ao time já perto do fim do ano em tempo de engrenar com cinco gols no mata-mata de título europeu junto de Neymar e Messi. Um trio sul-americano para a história, dos maiores que o futebol já reuniu.

O ano seguinte foi o mais produtivo da carreira do atacante, provando que há possibilidade de protagonismo mesmo num ataque com Messi; e depois ainda veio o último ato do trio MSN, antes do membro brasileiro seguir para Paris. Suárez continuou fazendo gols, cada vez menos nas últimas três temporadas, inevitavelmente marcadas pelas traumáticas quedas europeias. As viradas para Roma e Liverpool foram sinais importantes, até que o atropelamento para o Bayern de Munique culminou no fim do ciclo para o uruguaio de 33 anos.

É natural que algum torcedor possa achar que essa velha guarda barcelonista já poderia ter sido desmontada há alguns anos, quando dava os primeiros sinais de queda física. Mas a sensação é de pura gratidão a Suarez, que entregou gols e construiu a memória de um ataque letal, inventivo, eficiente, que marca no mínimo espaço deixado pela defesa adversária.

Agora no Atlético de Madrid, o Campeonato Espanhol oferece dois estranhamentos, histórias que acontecem o tempo todo e sempre se tornam um atrativo para a disputa. Depois de tanto tempo, é curioso ver Messi novamente sem um 9 típico, o centroavante definidor mais clássico jogando à frente; mais ainda é assistir Suárez na equipe de Simeone, tantas vezes a antítese do próprio Barcelona, ainda que com um jeito de enxergar futebol que pode casar muito bem com o bom e velho Pistolero.

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