Opinião: “Somos o Real Madrid”

Comentários()
Getty
"Quando o peso da camisa e a tradição são mais decisivos que o dinheiro"

A HISTÓRIA DENTRO DA HISTÓRIA

Com uma temporada no mínimo oscilante, já que o time está na terceira colocação de La Liga - com 54 pontos, 15 atrás do rival, Barcelona -, e eliminado da Copa do Rei, pelo modesto Leganés, nas quartas de final, restava ao time de Madrid apostar as fichas da temporada atual na UEFA Champions League.

Quando o sorteio definiu que os caminhos dos madrilenhos e do PSG se cruzariam nas oitavas, o mundo do futebol voltou as atenções para as partidas, de modo que a primeira, os merengues conseguiram a vantagem de 3 a 1. Os outros 90 minutos que rolaram, no Parc des Princes, foram encarados como uma final antecipada, que determinaria a sorte da temporada.

Graças aos sócios, o clube da capital espanhola consegue gerir os próprios recursos, sem contar com investimentos exorbitantes, como o rival parisiense que, na última janela de transferências, gastou cerca de € 400 milhões (em torno de R$ 1,6 bilhão) nas duas maiores transações da história do futebol. Chegaram Neymar e Kylian Mbappé, que, por sinal, estão na lista de interesse dos Blancos.

Considerando isso, uma eliminação para o PSG seria vista como “a mudança na ordem mundial do futebol”, pelo fato do maior campeão do torneio, com 12 troféus e defensor do título, ser varrido da competição justamente no dia do seu 116º aniversário, 6 de março.

Mais artigos abaixo
Real Madrid PSG Champions League 0318
(Foto:Getty Images) 

Porém, nada disso aconteceu. A data continua sendo marcada somente por ser mais uma velinha a apagar pelo lado madrilenho, e não o de uma festa do clube da capital francesa. O pulso ainda pulsa, o campeão se mantém na disputa, e mostra que sabe superar o que acontece dentro e fora das quatro linhas.

O zagueiro Sergio Ramos, décimo jogador que mais vestiu a camisa do time espanhol - são 384 vezes até o momento - uma declaração de Mbappé exalando confiança foi recebida como combustível para motivar os companheiros. Assim como outras atitudes dos adversários, como a reclamação contra a arbitragem após o primeiro jogo, a liberdade dada aos ultras - como são conhecidos os torcedores organizados europeus – a ponto de deixá-los usar sinalizadores dentro do estádio, causando a paralisação da partida no Parc des Princes em diversos momentos por conta da fumaça que invadiu o campo.

No fim das contas, não é só o PSG que terminou eliminado e derrotado, mas também o sentimento de que haveria uma passagem de bastão de quem mereceria mais respeito, o que não aconteceu. Quem saiu vencedor foi o time de Madrid, na bola e no comportamento, dentro e fora do jogo. A lição que será lembrada após os dois jogos é única: “Somos o Real Madrid”. Como Ramos disse na zona mista após a partida, a equipe se dá por orgulhosa de se revelar forte quando todos desacreditaram dela, e também por ser fiel aos princípios que a guia, diante de um PSG com comportamento irreconhecível.

Fechar