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Como o Brexit deve afetar a Premier League?

12:39 BRST 31/01/2020
Premier League Brexit GFX
Dos valores de transferência à permissão de trabalho, não há dúvidas de que a saída do Reino Unido da UE deve afetar o nível do Campeonato Inglês

A Premier League pode existir para a maioria como um tipo de bolha destacada do resto da sociedade, mas nem mesmo a “Melhor Liga do Mundo” será protegida das consequências do Reino Unido em deixar a União Europeia.

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Dirigentes da liga e muitos outros diretores de clubes não se intimidaram em expressar suas preocupações sobre as ramificações do Brexit para o futebol no país. Sem surpresas, a incerteza serviu apenas para outros problemas, e aqueles que estão associados ao futebol britânico – como em qualquer outro setor do país – aguardam para que seus representantes políticos cheguem ao melhor resultado possível para seus negócios.

Não é de surpreender que a incerteza paralisante tenha servido apenas para agravar os problemas e que os associados ao futebol britânico - como os de todas as outras indústrias do país - estejam ansiosos para que os seus representantes políticos cheguem ao melhor resultado possível para os seus negócios.

A verdade é que esta é uma parte que está distante de garantias, e os resultados podem ter um efeito de logo prazo no esporte.

Com o Brexit prestes a se tornar realidade em 2020, a Goal analisa como exatamente isso afetará a Premier League e o futebol no Reuni Unido.

O que é o Brexit?

Brexit é o termo usado para descrever a saída do Reino Unido da União Europeia. É uma junção das palavras “British” (Britânico) e “exit” (saída).

A questão da entrada dos membros à UE foi colocada diante do povo britânico em um referendo, realizado em junho de 2016. O resultado majoritário de 51,9% dos votos foram à favor de deixar a união.

Curiosamente, enquanto o termo se tornou amplamente utilizado no período em que antecedeu a votação em 2015 e 2016, suas origens remontam a 2012, de acordo com o dicionário Oxford.

Como o Brexit afeta a Premier League?

Não é surpresa dizer que os 20 clubes participantes da Premier League eram contrários ao Brexit em 2016.

O presidente da divisão, Richard Scudamore, já afirmou em entrevista que a campanha para deixar a UE foi “completamente incongruente” com a “abertura” que ele sentiu sendo representada na cúpula da pirâmide do futebol inglês. No entanto, o resultado do referendo significa que Scudamore e a Premier League terão que caminhar em situações instáveis.

Enquanto não soubermos exatamente como o Brexit afetará a liga, há alguns prováveis cenários que podem emergir, os quais nos dá uma imagem clara do que poderá acontecer.

O governo britânico se mantém sem posicionamentos sobre se será capaz de retornar um “Brexit difícil” ou um “Brexit tranquilo”. Uma saída “dura” da UE significa o retorno de regulamentações mais rígidas em relação ao movimento de bens e pessoas, enquanto uma saída “tranquila” resultaria em medidas não tão rigorosas.

A saída foi aprovada pelos parlamentos britânico e da UE, portanto agora é um caso de negociação da natureza das futuras relações entre o Reino Unido e o resto do mundo.

Transferências e recrutamento

O treinador do Cardiff City, Neil Warnock, foi contra a linha oficial dos clubes da Premier League em janeiro, quando gritou "para o inferno com o resto do mundo" e pediu a rápida liberação do Brexit. "Mal posso esperar para sair daqui, honestamente", Warnock falou. "Acho que estaremos muito melhor fora desta coisa sangrenta. Em todos os aspectos. No sentido do futebol também, sem dúvida."

No entanto, é difícil entender porque o chefe do Cardiff é tão otimista sobre isso do ponto de vista do futebol, dadas as consequências potenciais.

Nos termos que a Premier League já é conhecida, o maior motivo de preocupação é como a imigração de jogadores será tratada após a finalização do Brexit, com a livre circulação de pessoas sendo um aspecto crucial do atual regulamento.

Para os clubes da Premier League, particularmente os que estão no topo, lidar com o mercado de transferências é algo de muita importância na busca do sucesso, mas quaisquer restrições à livre circulação de pessoas decorrente do Brexit irá, inevitavelmente, criar problemas.

Depois do Brexit, é possível que jogadores nascidos em países da UE como Alemanha, Espanha ou França, por exemplo, que são normalmente procurados por times como Manchester United ou Arsenal, possam ser tratados da mesma maneira que os jogadores não-europeus atualmente são.

Isso significa que eles terão que satisfazer certos critérios ou receber isenção para obter permissão de trabalho, o que permitiria que trabalhassem no Reino Unido de maneira legal em qualquer clube.

Em 2016, a BBC apurou que pelos menos 332 jogadores atuais da Premier League e da Scottish Premiership não preencheriam esses requisitos.

Além disso, deixar a UE significa que os clubes do RU terão mais dificuldades em recrutar jogadores europeus com menos de 18 anos para suas academias.

As regulamentações da Fifa de proteção aos menores de idade permite que a transferência internacional entre jogadores de 16 à 18 anos seja feita entre clubes que estejam dentro do território da União Europeia. Assim que o Brexit for concedido e o RU não fizer mais parte da UE, irá proibir que jogadores, como o próximo Cesc Fabregas, de se transferir do Barcelona para o Arsenal, por exemplo.

Os clubes de futebol britânicos foram assegurados pela FIFA que continuarão a usufruir da exceção do artigo 19 do regulamento da FIFA sobre o status e a transferência de jogadores até o final do período de transição - 31 de dezembro de 2020 -, pelo menos. No entanto, depois disso, ainda não está claro.

Curiosamente, em novembro de 2018, um relatório do Times revelou que a Federação de Futebol havia apresentado propostas para limitar a 12 o número de jogadores estrangeiros nas seleções da primeira divisão, o que seria uma redução de cinco. Tal medida afetaria inevitavelmente os clubes da divisão, especialmente os de ponta.

É claro que os futebolistas não são os únicos indivíduos que ficariam sob esse guarda-chuva. Nas últimas duas décadas, houve um fluxo de técnicos da Europa para a Premier League e, atualmente, em janeiro de 2020, dos 20 clubes, 10 tem um técnico não britânico no comando - Pep Guardiola no Manchester City, Jurgen Klopp no Liverpool e José Mourinho no Tottenham, por exemplo.

Além de treinadores e jogadores, a indústria do futebol há muito tempo utiliza o trabalho e a experiência dos trabalhadores da UE em todos os níveis. Estes profissionais também serão confrontados com as mesmas restrições. 

Implicações financeiras

Além dos efeitos a longo prazo de não poder recrutar livremente os melhores jogadores da Europa, os clubes da Premier League também terão de enfrentar desvantagens financeiras devido ao Brexit.

De fato, os tremores iniciais causados pela votação do Reino Unido para deixar a UE já afetam os clubes. De acordo com o presidente do Burnley, Mike Garlick, o valor da libra em relação ao euro torna mais difícil para os clubes britânicos contratar jogadores em um mercado competitivo.

Garlick declarou que o Brexit “ameaça piorar ainda mais a disparidade de desigualdade em nossa divisão superior”.

Danos à imagem global?

Desde o surgimento da liga inglesa, em 1992, a principal divisão da Inglaterra cresceu consideravelmente em um ambiente cosmopolita, onde alguns dos melhores jogadores do mundo mostram seu talento.

Uma competição marcada pela crescente diversidade prosperou, levando oito clubes para a final da Champions League desde a temporada 2000/01, com três levantando o primeiro troféu do torneio europeu. A última edição da Champions, por exemplo, foi decidida entre Liverpool e Tottenham, dois clubes ingleses.

Uma injeção de dinheiro da televisão ajudou a garantir que os clubes pudessem atrair os melhores talentos ao longo do caminho, dando origem à percepção de que se trata da melhor liga do mundo.

No entanto, essa imagem poderia ficar manchada caso o governo britânico entregasse um “Brexit difícil”, o que criaria um ambiente relativamente sufocado, baseado nos motivos descrito acima de movimentação restrita e redução da influência financeira.

Não somente o fluxo de craques da UE iria diminuir como um resultado natural da burocracia imposta, mas os clubes da Premier League poderiam ficar para trás entre seus homólogos continentais em termos de poder de atração monetária.

Como seria a permissão para trabalhar na Premier League?

Licenças de trabalho já são necessárias para certos jogadores de futebol que desejam ingressar na liga inglesa. Atualmente, a necessidade de obter uma autorização de trabalho é limitada a jogadores de países fora da UE ou do Espaço Econômico Europeu, mas que podem se expandir para incluir cidadãos não britânicos após o Brexit.

A autorização de trabalho é um documento oficial do órgão regulador de um país, neste caso, o Ministério do Interior do Reino Unido, que concede permissão para um indivíduo trabalhar em determinado país. No RU, quando se trata de futebol, um sistema baseado em pontos é aplicado para determinar se um indivíduo é digno do endosso de um órgão do governo.

Um jogador se qualificará automaticamente para uma permissão de trabalho se tiver jogado em pelo menos uma certa porcentagem dos jogos de sua equipe nacional nos dois anos anteriores à inscrição. Os critérios podem ser vistos abaixo.

Classificação no ranking da Fifa Percentual de jogos
Entre 1 e 10 30%
Entre 11 e 20 45%
Entre 21 e 30 60%
Entre 31 e 50 75%

Se um jogador não cumprir os critérios automáticos que pode ser solicitado, um painel de exceções deliberará sobre sua adequação ao trabalho.

Entre os critérios objetivos no sistema de pontos, estão o valor da taxa de transferência de um jogador (ou seu valor de transferência virtual), seus salários e seu histórico recente. Apresentações orais também podem fazer parte das aplicações.

Foi notado que, se tais critérios fossem aplicados a jogadores não britânicos no passado, a Premier League teria sido destituída de jogadores como N'Golo Kante e Riyad Mahrez, que agora são os principais craques de alguns dos maiores clubes da divisão.

Quando eles se juntaram ao Leicester City de Caen e Le Havre, respectivamente, nem Kante nem Mahrez seriam regulares para sua equipe nacional, enquanto suas taxas de transferência eram relativamente baixas.

E os jogadores britânicos que jogam fora?

Outra preocupação que surgiu como resultado do Brexit é o status dos jogadores britânicos que atuam em lugares como Espanha, Alemanha ou França.

Um Brexit mais "difícil" pode tornar mais complicado para os jogadores britânicos mudarem-se para um país da UE, devido ao aumento da burocracia que se prevê por causa da provável necessidade de licenças de trabalho.

Gareth Bale, por exemplo, joga pelo Real Madrid no Campeonato Espanhol e, segundo a ESPN, o agente do jogador indicou que está esperando para ver o que vai acontecer, destacando que é difícil fazer planos em meio à incerteza.

Outros jogadores que podem ser afetados são Jadon Sancho, do Borussia Dortmund, Ademola Lookman do RB Leipzig e Keanan Bennetts, que joga no Borussia Mönchengladbach.

Quando isso tudo irá acontecer?

O Brexit vai acontecer às 23h GMT (20h de Brasília) do dia 31 de Janeiro de 2020. O período de transição estende-se até 31 de Dezembro de 2020.

Foi formalmente desencadeado em Março de 2017 e inicialmente projetado para ser finalizado em 29 de Março de 2019. No entanto, a data de saída foi posteriormente prorrogada até 31 de Outubro de 2019, antes de ser finalmente fixada para 2020.