Spalletti tem seus motivos e seu argumento, do ponto de vista racional e no que diz respeito ao respeito pelas hierarquias, faz todo o sentido: o batedor de pênaltis é Locatelli e é justo que seja ele a cobrar o pênalti. Permitimo-nos, neste espaço, enumerar também os motivos daqueles que defendem a tese de que teria sido melhor que o pênalti contra o Sassuolo tivesse sido cobrado por Yildiz. Em primeiro lugar, é verdade que, do ponto de vista racional e das hierarquias, o pênalti cabia a Locatelli, mas o próprio Spalletti nos ensinou, ao longo de sua carreira, que o futebol não é apenas racionalidade: é também emoção e intuição.
E talvez o momento que corresponde ao minuto 85 de Juventus x Sassuolo merecesse uma escolha ditada pela emoção e pela intuição. Locatelli acabara de errar alguns passes, e em um deles a torcida do Estádio até resmungou. Yildiz, por outro lado, havia feito uma grande partida, marcando também um gol maravilhoso: ele se sentia pronto, queria levar o time à vitória.
Uma situação bem diferente daquela em que Jonathan David foi o infeliz protagonista na partida entre Juventus e Lecce: o canadense não marcava há muito tempo, era um jogador em dificuldades, a quem Locatelli, naquela noite, fez o belo gesto, altruísta e digno de um capitão, de deixar a responsabilidade de cobrar o pênalti. Yildiz, na noite da partida entre Juve e Sassuolo, estava em uma situação psicológica completamente diferente daquela de David contra o Lecce.
E depois há também a questão do valor absoluto dos jogadores de que estamos falando. Já escrevemos isso em tempos menos conturbados e repetimos hoje: o camisa 10 da Juventus deveria ser sempre o primeiro cobrador de pênaltis e a primeira opção nas cobranças de falta da equipe bianconera, como foi no passado com Platini, Baggio e Del Piero. Se não for, em nossa opinião, isso é um problema. Ou do jogador, ou do treinador.