Quem poderia ser escolhido, então, caso essa saída se concretize daqui a alguns meses? Em primeiro lugar, é preciso traçar um perfil do possível sucessor. É preciso um técnico em ascensão, talvez jovem, talvez estrangeiro. É preciso, acima de tudo, um perfil que dê continuidade ao antecessor, um “treinador de jogo”, alguém que saiba dar um estilo de jogo fluido à sua equipe e valorizar os muitos jogadores de classe que chegaram ao longo dos anos às margens do Lago de Como.
É possível que Fàbregas e a diretoria vasculhem o mercado de treinadores no exterior, dada a certa preferência por estrangeiros que tem caracterizado o Como. Não devemos nos surpreender se, portanto, o próximo treinador vier da Premier League ou da La Liga, se for alguém com quem Cesc já jogou ou que conheça bem, um homem de confiança a quem passar o bastão com tranquilidade.
Três são as principais pistas a serem seguidas. A espanhola, dado o canal preferencial que o clube mantém, por exemplo, com o Real Madrid, e que levaria a nomes como Davide Ancelotti, filho de Carlo, já sondado no passado, ou ao próprio Arbeloa que, apesar de estar indo bem com os Blancos agora, dificilmente poderia permanecer no futuro. Outras ideias viáveis poderiam ser a que leva a Raúl ou a treinadores já mais consagrados, como Iraola e Marcelino. Nessa linha, permanecem por enquanto apenas sonhos candidatos como Xavi ou Scaloni, campeão mundial com a Argentina, ou – por que não – um dos mentores de Fàbregas, aquele Guardiola que parece estar no fim da carreira no City e poderia finalmente querer se medir com a Série A que ele quase alcançou, aliás, com o Brescia, que não fica muito longe de Como e que ele costuma visitar.
A segunda vertente a ser seguida é a inglesa, mesmo em sentido lato. São muitos os treinadores da Premier League que poderiam despertar o interesse dessa diretoria, composta também por grandes ex-jogadores do outro lado do Canal da Mancha. É difícil chegar a Amorim, ainda sob contrato com o Manchester United; mais disponíveis, por outro lado, estão Glasner, que deixará o Crystal Palace, Marco Silva, do Fulham, e Lampard, autor de uma excelente temporada com o Coventry.
Por fim, os italianos. Os treinadores que melhor poderiam seguir os passos de Fàbregas, apesar de suas características e divergências com o catalão, poderiam ser três que agora estão sem clube: Thiago Motta, De Zerbi e Maresca. Será uma escolha complicada — que pode até ser adiada por mais um ano —, mas certamente o próprio Fabregas será chamado a tomá-la para tornar cada vez mais concretos os sonhos de grandeza do agora ex-pequeno Como.