Esta página tem links afiliados. Quando você compra um serviço ou um produto por meio desses links, nós podemos ganhar uma comissão.

+18 | Conteúdo Comercial | Aplicam-se termos e condições | Jogue com responsabilidade | Princípios editoriais
Neo Quimica Arena BrasilGetty Images

Visando maior público nos estádios, CBF cria comissão anti-violência e deve reduzir jogos noturnos no Brasileirão

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) realizou, nesta segunda-feira (25), uma reunião no Rio de Janeiro com clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro para discutir a criação de uma nova liga nacional e propor mudanças estruturais no futebol brasileiro. Entre as medidas debatidas está a formação de uma comissão anti-violência, que será dirigida pelo presidente da Federação Cearense de Futebol, Mário Carmélio Neto.

Um dos principais objetivos da nova comissão é estabelecer parcerias entre a CBF, os clubes e as forças públicas de segurança. A proposta busca distribuir mais responsabilidades às equipes na prevenção de episódios violentos e também prevê alterações no cronograma das competições, incluindo a redução de partidas em horários noturnos. A entidade entende que a insegurança e os horários considerados pouco atrativos têm contribuído para o afastamento dos torcedores dos estádios.

Segundo uma pesquisa apresentada pela CBF, que leva em conta o período entre 2023 e 2025, 35% dos torcedores deixaram de frequentar estádios por medo da violência ou pela falta de segurança. Além disso, 74% dos entrevistados afirmaram não considerar os jogos de futebol ambientes seguros para levar familiares mais vulneráveis, como crianças e idosos.

  • Cruzeiro v Atletico Mineiro - Brasileirao 2026Getty Images Sport

    Frentes de combate à violência

    A entidade pretende concentrar sua atuação em quatro frentes principais para combater a violência e melhorar os índices de público nos estádios: segurança e controle de acesso, acompanhamento de processos na Justiça, proteção a jogadores e funcionários dos clubes e ampliação da atuação do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) em casos locais com impactos nacionais.

    Na área de segurança e controle de acesso, o objetivo é integrar os sistemas de biometria facial dos estádios aos bancos de dados das forças de segurança e da Justiça. A intenção é impedir a entrada de pessoas com antecedentes criminais ou pendências judiciais. Outra pesquisa apresentada pela entidade apontou que a implementação da biometria facial coincidiu com o aumento da presença feminina e infantil nas arquibancadas, cenário que a CBF pretende ampliar nos próximos anos.

    O acompanhamento de processos judiciais também deve ser intensificado para evitar que torcedores envolvidos em crimes ou episódios violentos frequentem os estádios. A ideia é manter um monitoramento contínuo das ocorrências e reforçar o controle de acesso em eventos esportivos.

    Outra frente envolve a proteção de jogadores, funcionários e trabalhadores dos clubes. A CBF pretende exigir que as equipes garantam melhores condições de segurança no ambiente de trabalho, principalmente em episódios de invasões, ameaças e agressões. A entidade informou que casos de omissão ou falhas na proteção poderão gerar punições esportivas, embora as sanções ainda estejam em discussão.

    Já em relação ao STJD, a proposta é ampliar os efeitos de punições aplicadas em competições estaduais para torneios nacionais. Um exemplo pertinente é a confusão ocorrida na final do Campeonato Mineiro entre Atlético-MG e Cruzeiro, cuja punição ficou restrita ao âmbito estadual. Com a nova diretriz, episódios semelhantes poderão gerar consequências também no Campeonato Brasileiro, incluindo suspensões e outras sanções nacionais.

  • Publicidade
  • Flamengo v Palmeiras - Brasileirao 2026Getty Images Sport

    Mudança no cronograma e nos horários

    Outro tema debatido entre a CBF e os clubes foi a possibilidade de reduzir partidas em horários noturnos. Segundo o levantamento apresentado pela entidade, os horários considerados menos atrativos para o público atualmente são os jogos de quarta-feira às 21h30 e os confrontos de domingo às 20h.

    As partidas realizadas às 19h em dias úteis também entraram em discussão. A avaliação da CBF é que muitos torcedores não conseguem chegar aos estádios a tempo devido ao fluxo de trabalho e aos problemas de mobilidade urbana nas grandes cidades. Por isso, a tendência é que os jogos noturnos tenham presença reduzida no calendário nas próximas temporadas.

    Outra mudança em análise é a ampliação dos jogos realizados aos domingos às 11h, faixa que a entidade considera mais atrativa para famílias e públicos que evitam deslocamentos noturnos.

    As prováveis medidas chegam em um momento em que a CBF compara aspectos do Brasileirão com ligas internacionais de sucesso, como Premier League (Inglaterra), La Liga (Espanha) e Bundesliga (Alemanha), tentando se aproximar do padrão internacional tanto no horário dos jogos como nas questões de segurança e infraestrutura.

    Atualmente, os horários das partidas são definidos em conjunto com os detentores dos direitos de transmissão, que também participarão das próximas discussões sobre possíveis alterações na grade dos campeonatos. A avaliação da CBF é que mudanças no calendário e nos horários podem aumentar o público nos estádios, fortalecer o engajamento das torcidas, impulsionar a venda de produtos dos clubes e melhorar o ambiente geral ao redor das competições nacionais.