Retrato de um time mal treinado: Flamengo cruza na área a cada 4 minutos

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MAURO PIMENTEL/AFP/Getty
O futebol mudou e Abel Braga ainda é adepto de práticas já superadas, que aparecem nas atuações do Carioca e da Copa Libertadores

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Por Bruno Guedes - @brguedes


Durante sua passagem pelo Fluminense, há dois anos, os defensores do técnico Abel Braga diziam que "ele tirava leite de pedra, e que, com um elenco de qualidade, faria muito mais". Tais afirmações partiam, principalmente, de parte da imprensa que ainda insiste em defender técnicos com glórias no passado e insucessos no presente. Agora, no Flamengo, as teorias caíram por terra e quem as propagavam não sabe explicar o fracasso do futebol apresentado pelo rubro-negro.

Não é de hoje que a coluna Ninho do Urubu debate a falta de novas ideias, conceitos e futebol no Brasil. Estamos completamente desalinhados com os grandes centros mundiais. No começo do ano, após a escolha do Abelão como treinador, comentamos sobre o quanto ruim tinha sido o seu último trabalho. Mesmo assim, defensores insistiam que tal geração de técnicos ainda poderia dar certa num esporte que mudou, pelo menos, três vezes na última década.

Não deu.

O futebol apresentado pelo Flamengo é paupérrimo. Em ideias e qualidade técnica. Resultados no fraquíssimo Campeonato Carioca podem ter escondido os problemas. Diretoria e parte da torcida se deixaram enganar vencendo Resendes e Americanos, mas a realidade foi jogada na cara de todos nas últimas semanas. Mais exigido e com adversários levemente mais fortes (não estamos nem falando dos melhores da Libertadores), o time não apresentou absolutamente nada além de desorganização e escalações polêmicas.

Se o desempenho dentro de campo é ruim, nos números piora. Equipe que ainda carece de criatividade e jogadas ofensivas, o time nessa Libertadores teve 32 finalizações ao todo. Foram 18 erradas e apenas 14 corretas. Ou seja, o time leva em média quase 9 minutos por partida para uma finalização e 19 para chutar na direção do gol no torneio. É o 13ª colocado nesse quesito entre os 32 que disputam.

Rodrigo Caio Vitinho Flamengo Peñarol Copa Libertadores 03042019

Fla na Libertadores 2019 - números

E aí entra uma prática habitual no Brasil - país muito atrasado esportivamente - a de forçar bola na área. Foram 66 cruzamentos nas três partidas, absurdos 51 errados e somente 15 corretos. Destes acertados, quatro foram do lateral esquerdo Renê. Uma média de um cruzamento a cada 4 minutos, maior que a de finalização.

Todo esse raio-X ofensivo ainda tem um agravante: o Flamengo troca, em média, 412 passes por jogo. E em dois jogos da Copa Libertadores teve maior posse que os adversários. Contra o San José, na altitude boliviana, não.

Geralmente quem finaliza pouco e abusa dos cruzamentos são as equipes que pouco conseguem ficar com a bola. Ou que não tenham jogadores de qualidade. Caso totalmente oposto ao Flamengo. Aqui é não saber o que fazer com a posse. Uma vergonha para uma equipe que investiu quase R$ 200 milhões nesta temporada.

Diante desses dados mais precisos e resultados fracos, até mesmo os defensores de que os veteranos técnicos ainda têm a oferecer estão sem conseguir explicar. Mas há sim explicação: o futebol mudou e Abel Braga ainda é adepto de práticas já superadas. Não foi agora que isso ficou evidente, mas há muitos anos. Só nossos dirigentes não viram.

Ou será que não se importam com isso, apenas que esses profissionais, consagrados e com algum apoio ainda das torcidas, sejam escudos para suas gestões?

Enquanto alguns ainda enganam com discursos que evocam um passado mais distante a cada dia para creditar trabalhos cada vez piores, a torcida fica impaciente e ciente de que está sendo enganada. Só que os nomes estão se esgotando e os resultados desapareceram faz tempo...

Fontes: Opta e Gazeta Esportiva

Bruno Guedes colunista torcedor Flamengo

Bruno Guedes é músico, apaixonado por futebol e beisebol. Brasiliense por certidão e carioca de coração, acredita no futebol brasileiro e tem Romário como o maior jogador que viu dentro das quatro linhas.

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