O reforço que falta ao Flamengo: aprender a jogar uma Libertadores

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Bruna Prado/Getty
Rubro-Negro liga o primeiro alerta em 2019 após derrota no Maracanã para o Peñarol, vista por Arrascaeta pelo banco

O Flamengo logo de cara mostrou o seu poderio na Libertadores. Em 1981, e nunca mais até o momento. E o pior é que ao longo de suas 14 participações no torneio, o Rubro-Negro acumula um número maior de decepções e vergonhas do que grandes momentos. O clube mais popular do Brasil.

Nesta quarta-feira (03) contra o Peñarol, pela terceira rodada do Grupo D, o Flamengo prometia. Mas voltou a decepcionar. Embora ainda não tivesse feito uma exibição à altura do elenco que possui, o Rubro-Negro gerava expectativas em sua torcida pelas duas vitórias na Libertadores. Gerava ânimo pela forma como conquistou a Taça Rio especialmente após bater o Vasco na final do obsoleto segundo turno estadual: nos pênaltis, após um gol salvador de Arrascaeta no último lance.

Arrascaeta trouxe de volta ao mais saudosista e supersticioso dos torcedores a lembrança do gol histórico de Rondinelli sobre o mesmo rival, em 1978. Um tento que marcou um antes e depois ao ter salvado o esquadrão de um jovem Zico e companhia de um desmonte. A partir de lá, o Flamengo virou um titã devorador de títulos que encontrou seu auge exatamente na sua primeira participação dentro da Libertadores. A esperança era que a cabeçada de Arrascaeta pudesse ter efeito parecido, fazer com que o Fla não perdoasse o mínimo erro do adversário.

Pois Arrascaeta ficou no banco contra o Peñarol. Até aí, em meio a algumas discordâncias, tudo bem. O problema foi ter permanecido lá durante os 95 minutos de futebol pobre e de pouca coragem para buscar um passe mais agudo, daqueles que surpreendem o adversário e que os atletas rubro-negros provaram ao longo de suas carreiras terem a condição de fazer. Contra o Peñarol o Flamengo teve posse de bola grande, mas efetividade pequena. Já os uruguaios obrigaram, ainda no primeiro tempo, Diego Alves a fazer um milagre. O camisa 1 da equipe que contrata, em meio aos seus pares sul-americanos, quem quiser, terminou o primeiro tempo como melhor no Maracanã lotado.

E se há algo que pode piorar, foi o segundo tempo. Além de faltar futebol, faltou equilíbrio emocional – o que também não é novidade no histórico rubro-negro após a década de 1980. Gabigol, sem explicação nenhuma, resolveu dar um carrinho destrambelhado e recebeu o cartão vermelho direto. Merecidamente. O castigo veio nos minutos finais, quando aos 88’, Lucas Viatri cabeceou sem chances de defesa para Diego Alves e simbolizou o acerto do técnico Diego López.

Até o último sopro do árbitro Patricio Loustau, Abel Braga fez apenas uma substituição: tirou Bruno Henrique para a entrada de Uribe. Arrascaeta, contratação mais cara da história rubro-negra, seguiu entre os reservas com uma alteração sobrando. Como se fosse descartável.

Abel Braga Flamengo Peñarol Libertadores 03 04 2019Abel foi muito questionado por não ter usado a maior contratação na história do clube (Foto: Getty Images)

"No futebol, a oportunidade aparece e ele vai ter a oportunidade dele", se defendeu Abel ao ser questionado após o jogo sobre a ausência de Arrascaeta. Explicação que não chega a convencer. Assim como o Flamengo em 2019.

O resultado fez com que o Peñarol ultrapassasse o Flamengo no Grupo D, com os mesmos seis pontos. No que é tido como um dos melhores elencos do Brasil, o melhor jogador no certame continental é o goleiro. Sintomático de um time que segue a demonstrar: ainda não sabe jogar a Libertadores ou ter a cabeça fria para não trocar os pés pelas mãos. A sorte é que ainda há tempo para se recuperar.

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