Quando o Palmeiras conseguiu o acesso à primeira divisão após o segundo rebaixamento de sua história, torcida e diretoria pensaram: ‘ufa, não iremos mais sofrer aqui’. No entanto, ao longo de toda a temporada, o centenário Alviverde foi marcado por um flerte com o retorno para a Série B.
A campanha, bastante irregular, fez com que o Verdãoescapasse da degola apenas na última rodada... e o Palmeiras só não caiu porque Leandro Damião garantiu a vitória do Santos sobre o Vitória, no Barradão.
Foram 40 pontos conquistados nas 38 rodadas, o menor número que um clube somou sem cair para a segunda divisão desde que o Campeonato Brasileiro passou a ser disputado por pontos corridos com 20 equipes. Relembre o caminho palmeirense no Brasileirão 2014.
CAMPANHA
A estreia foi promissora. Gilson Kleina ainda era o técnico e Alan Kardec, a estrela do time: 2 a 1 sobre o Criciúma, fora de casa. A equipe já se mostrava inconstante, mas o cenário piorou depois que Kardec trocou o verde pelas três cores do Morumbi, tornando-se o 25º jogador da história a sair do Palmeiras para o São Paulo. Pouco tempo depois, Gilson Kleina era demitido.
O sucessor na área técnica acabou sendo o argentino Ricardo Gareca, que teve sucesso à frente do Velez Sarsfield. E o novo comandante não chegou sozinho: trouxe consigo o zagueiro Tobio, o meia Allione e os atacantes Mouche e Cristaldo. Gareca teve tempo para treinar o time durante a Copa do Mundo e tudo levava a crer que o compromisso seria longo... mas ele não resistiu aos péssimos resultados.
Depois de alguns jogos sem um treinador definido, Dorival Júnior foi anunciado com a missão de livrar o Palmeiras da ameaça do rebaixamento. No entanto, a tragédia maior parecia estar decretada após a goleada de 6 a 0 sofrida contra o Goiás, na 23ª rodada. Ao todo, foram seis vitórias e nove derrotas. O baixo rendimento do time culminou na saída do treinador logo após o término do Brasileirão. Fora do Allianz Parque, Dorival não poupou críticas a dirigentes e alguns jogadores.
MISTURA DE EMOÇÕES
O Allianz Parque, inclusive, foi talvez o motivo de maior comemoração do Palmeiras no ano. O Parque Antártica passou por obras e o Alviverde agora conta com um estádio de primeiro mundo. No entanto, desde sua abertura – já no final deste ano – o Verdão não conseguiu uma vitória em sua ‘nova velha casa’.
As comemorações pelo centenário do clube também foram fonte de boas memórias. Afinal de contas, se o presente não é dos melhores o passado palestrino é gigantesco em vitórias e glórias conquistadas. No dia 26 de agosto, uma grande festa aconteceu. Tudo parecia ser motivo de comemoração, apesar da irregular campanha do time.
A cereja do bolo seria a contratação de Ronaldinho Gaúcho, dada como certa por muitos... inclusive pelos próprios dirigentes. Há tempos sonhava-se com o dentuço da camisa 10 no Palmeiras. No entanto, o desfecho foi conhecido: Assis, irmão do meia, fez mais exigências e o negócio não foi concretizado.
OS HERÓIS
Se não pôde contar com a criatividade que ainda resta em Ronaldinho Gaúcho, o Palmeiras contou com os gols de Henrique e as defesas milagrosas de Fernando Prass para manter-se na elite. O atacante, que teve destaque na Portuguesa durante o Campeonato Paulista, não demonstrava a mesma habilidade de Alan Kardec. Mas como o mais importante eram os gols, nisso o camisa 19 se deu bem: terminou o Brasileirão na vice artilharia, com 16 tentos... o último deles no empate em 1 a 1 com o Atlético-PR, na 38ª rodada.
Nesta mesma partida, que decretou de uma vez por todas a permanência na elite, o melhor em campo foi o goleiro Fernando Prass. Enquanto esteve se recuperando de lesões, o Alviverde sofreu com a alternância na posição. Nem Bruno ou Deola inspiravam confiança numa torcida tão acostumada a milagreiros sob as traves. Prass fez defesas importantíssimas e se o Palmeiras jogará a Série A em 2015, muito disso deve-se também ao arqueiro.
