Red Bull Bragantino está mais brasileiro do que nunca. E isso não é um elogio

O Red Bull Bragantino consolidou-se no Brasil no ano passado ao ser o melhor time da fase de classificação do Campeonato Paulista, além de vencer o Brasileirão Série B com sobras. Projeto multinacional, com bases estabelecidas por executivos estrangeiros, o time, porém, parece cada vez mais brasileiro em sua primeira experiência na elite.

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Em um começo errante de Brasileiro, a equipe trocou de técnico ao demitir Felipe Conceição, avaliando que ele já não conseguia mais manejar o grupo de jogadores. Chegou ao clube Maurício Barbieri, que estreou perdendo para o Palmeiras e empatou com o São Paulo na sequência. Apesar do pouco tempo, um início vacilante para um time que soma apenas uma vitória em nove rodadas – e apenas 7 pontos em 27 disputados.

TREINO Red Bull Bragantino RB BragantinoFlickr / RB Bragantino

A distância para os outros clubes capitaneados pela multinacional de bebidas energéticas, nesse caso, começa a ficar mais clara: para se ter uma ideia, desde que chegou à primeira divisão alemã, em 2016, o RB Leipzig não demitiu nenhum treinador durante a temporada. As trocas entre o trio Ralph Hasenhuttl, Ralf Rangnick e Julian Nagelsmann se deram todas entre as temporadas.

Outro ponto pouco comum foi a mudança de um pilar da equipe após uma falha. Júlio César, uma das referências do clube em 2019, além de capitão da equipe, deixou a titularidade ao falhar nas quartas de final do Campeonato Paulista.

Cleiton, contratado no começo do ano por cerca de R$ 21 milhões, foi alçado à titularidade depois das várias críticas ao experiente arqueiro e também demonstra inconsistência na posição. Contra o São Paulo, por exemplo, levou gol ao sair na entrada da área em bola perdida, deixando a meta vazia.

A última brasilidade do time se deu também frente ao Tricolor do Morumbi. Bastante superior no segundo tempo, o time de Bragança teve duas penalidades. Na primeira, Claudinho, batedor oficial, deslocou Tiago Volpi e bateu na trave.

Na segunda, já nos acréscimos, o meia pediu para bater de novo, mas o atacante Artur pegou a bola na mão. Após certa discussão, ficou para o canhoto a batida, mesmo a contragosto do companheiro, também sem sucesso: bola na trave e dois pontos desperdiçados.

O clima não foi bom ainda no gramado, com jogadores discutindo e cobrando mais seriedade na hierarquia da equipe. Com alto investimento e planejamento a longo prazo, cabe ao time de Bragança Paulista agora evitar os vícios do país em que se instalou.