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Quanto Maradona custaria nos dias de hoje?

"¡Vale diez palos verdes, se llama Maradona!"

Até a canção já está velha. A música era entoada pela torcida do Boca Juniors em 1981, quando Maradona chegou ao clube vindo do Argentinos Juniors. Dez milhões de dólares, nessa época, era uma fortuna impensada (a qual se pagou com o empréstimo que incluiu dinheiro vivo, cheques sem fundo e seis jogadores xeneizes). Uns anos antes, em 1973, Barcelona havia pago meio milhão por Joahn Cruyff. E para ter outra medida. Nesse mesmo ano, River desembolsou quatro milhões de dólares por Mario Alberto Kempes, uma estrela mundial que vinha de boas atuações pelo Valencia. Por que tanta diferença? Porque 166 e 116 gols no El Bicho, o 10 argentino havia mostrado virtudes fora do comum e se perfilava como o jogador mais qualificado do mundo nos próximos anos.

Eram tempos em que os clubes analisavam as contratações somente com base no esporte. Não se julgava a publicidade, a venda de camisas nem a imagem. Os dirigentes do Boca sabiam: comprar Maradona era praticamente assegurar um campeonato em tempos não tão bons (de 1976 a 1978, Boca ganhou tudo nas mãos de Toto Lorenzo. Logo, o time caiu de produção).

E respondeu. Os dez milhões de dólares valeram a pena para o Boca, que ganhou o Metropolitano de 81, um dos torneios mais recordados na história do futebol argentino. Maradona fez tudo muito bem feito. Formou uma parceria com Miguel Brindisi. Em sua passagem pelo time xeneize, participou de 40 partidas e marcou 26 gols, alguns inesquecíveis, como o que fez em Pato Fillol em um superclássico em La Bombonera.

O mercado, às vezes, tem lógica. E a lógica impulsionou a saída do Boca para o Barcelona. Por quê? Porque já estava firmado como um jogador que poderia fazer a diferença, não só em um time pequeno, mas em um gigante. Ele assumiu a responsabilidade de sair campeão e teve sua recompensa. Então, o clube espanhol pagou 20 milhões de dólares pelo argentino, o dobro do que havia investido o Xeneize.

O mais fácil de imaginar é que, quando um clube se choca com um jogador como Maradona, faria tudo para mantê-lo a vida inteira, como faz agora, por exemplo, o Barcelona com Messi. Mas houve momentos em que o mundo não viu Diego como o que iria acabar. Em 1984, a Napoli comprou o passe junto aos espanhóis por 5,3 milhões de euros. Muito pouco depois viriam os momentos de glória máxima. Até hoje, o time italiano vende bandeiras e camisetas do 10 argentino, um jogador sem data de validade.

Os valores mudaram muito. Em 1984, Maradona cobrava em Napoli cerca de 800 mil dólares de luvas, um milhão por publicidade e 400 mil por partida amistosa. Messi, por sua vez, ganha hoje 25 milhões de dólares, quase 31 vezes mais que Diego.

É possível calcular os valores? Uma consultora especializada em informações de mercado futebolístico, Pluri, lançou em 2012 um estudo interessante que indicava que Pelé é o futebolista que maior valor de mercado tinha aos 20 anos, acima de Messi, Neymar e Maradona, nesta ordem. Nessa idade, o Rei era campeão do mundo (Suécia 1958), havia feito 355 gols e já era a grande estrela do Santos. Tinha um custo de 93 milhões de euros, segundo o cálculo, feito com base em 61 critérios específicos.

Messi, por sua vez, que havia ganhando dois títulos na Espanha (2005 e 2006), a Champions League (2006) e havia marcado 34 vezes, valia 68 milhões de euros. Neymar que nessa idade tinha um Mundial Sub-20, marcado 103 gols e conseguido uma Copa Libertadores (2011), custava 55 milhões de euros. E Maradona? Saia por 40 milhões de euros, quando era jogador de Argentinos Juniors: havia sido três vezes o goleador do torneio argentino, feito 119 gols e ganhando o Mundial Sub-20 no Japão em 1979.

Então, quando deveria valer Maradona no futebol de hoje? Para ter uma referência, a cláusula de rescisão de Messi é de 250 milhões de dólares. A primeira referência é que, entre 1981 e 1988, Diego não poderia sair por menos que isso. Messi ganhou muito mais, é claro, mas com um pouco do contexto a seu favor (uma geração dourada, um treinador brilhante como Guardiola, um clube que o mimou e acariciou como se fosse o seu próprio coração). Individualmente, o ex-técnico da Seleção Argentina tirou tanta diferença no jogo como a Pulga. Os dois burlaram o imprevisível e abriram para sempre a barreira do assombro.

Especula-se que a Pulga poderia ir, por exemplo, para o Manchester City. Todavia, tudo indica que não deixará o lugar que – até agora – foi mais feliz. O certo é que jogadores como Maradona ou o próprio Messi impõem suas próprias medidas. Escolhem onde ir – ou ficar –, percebem qual é o lugar em que poderiam ficar mais felizes e se movem para alcançá-lo. Por fim, as estruturas dos clubes são incapazes de frear estrelas tão grandes. No momento em que pretendem mudar de ares, não precisam de muitos sinais.

A verdade é que a especulação monetária reduz a magia dos gigantes. Maradona, definitivamente, nunca teve valor. Jogou onde quis, enquanto os clubes moveram alguns numerozinhos para aparentar um negócio que só resultou em uma anedota.

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