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Por que Jorge Jesus não responde às provocações de Renato Gaúcho

07:30 BRT 02/10/2019
Jorge Jesus Flamengo Goiás Brasileirão Série A 14072019
Polêmica com compatriota, ameaça de demissão e conselhos de coach têm influência na nova postura do treinador português

"Está fazendo um bom trabalho. Mas é obrigação, tem uma seleção nas mãos".

"Ganhou dois, três títulos portugueses só. Saiu de Portugal e foi para a Arábia Saudita. Nunca treinou fora de Portugal um grande clube da Europa. Nunca conquistou nada".

Nos últimos dias, Renato Gaúcho não poupou provocações a Jorge Jesus, com quem vai estar frente a frente nesta quarta-feira, em Porto Alegre, no primeiro jogo entre Grêmio e Flamengo, válido pela semifinal da Copa Libertadores

Curiosamente, o português até o momento não rebateu o adversário, o que tem causado grande espanto no Brasil e, principalmente, em Portugal. No país de origem, onde sempre foi visto como um treinador polêmico e um tanto quanto egocêntrico, torcedores e jornalistas quase que diariamente têm se perguntado: por que Jorge Jesus está calado?

Um dos principais influenciadores da atual postura de Jesus, sabe a Goal, é a relação de confiança com o coach/motivador brasileiro Evandro Mota, que foi indicado pelo próprio comandante para participar da nova comissão técnica do Flamengo. Eles se conhecem de longa data, tendo trabalhado juntos no Benfica e também no Sporting.

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Apesar de ser conhecido por não fugir de uma boa briga de palavras, Jesus, de 65 anos, tem escutado cada vez mais os conselhos de Evandro. O consultor faz questão de ajudá-lo a traçar os discursos e as melhores respostas nas entrevistas, sempre deixando o mesmo aviso no fim: muita atenção, você não está em casa.

Jorge Jesus, segundo pessoas próximas, vem "pisando no freio" não é de hoje. Ainda no comando do Sporting, aprendeu muito com as consequências das discussões públicas que teve com o compatriota Rui Vitória, então no Benfica. Jesus, que havia dirigido o arquirrival temporadas antes, provocava o adversário com o intuito de atingir a instituição.

Depois que a poeira baixou, em meados de 2018, o treinador flamenguista percebeu que foi o maior culpado pela crise midiática com Vitória, que, agora no Al Nassr, da Arábia Saudita, ainda hoje guarda mágoas do antigo rival.

Na Arábia Saudita, aliás, Jorge Jesus talvez tenha recebido o banho de água de fria que tanto necessitava. Em setembro de 2018, a frente do Al Hilal, levantou durante o jogo a mão de forma antidesportiva na direção do meia árabe Mhana Al Enazi, do Al Batin. Fez um gesto a dizer "você é pequeno".

Jorge Jesus provoca Mhana Al Enazi, do Al Batin (Foto: Reprodução/Twitter)

Não bastasse ser penalizado pela Federação de Futebol da Arábia Saudita, com uma multa de 2.270 euros (R$ 10 mil), o português foi chamado para uma reunião a portas fechadas com o presidente do próprio clube, o milionário xeque Sami Al-Jaber. Na ocasião, o mandatário criticou a atitude do veterano treinador, tendo ainda ameaçado mandá-lo embora caso algo do gênero se repetisse.

A conversa com Al-Jaber marcou bastante Jesus, que, além de respeitar ainda mais a cultura árabe, passou então a carregar uma frase que frequentemente expõe para familiares, amigos e também companheiros profissionais: "Não vale tudo para ganhar".

Mais sensato e político, Jorge Jesus até pode ter ignorado, mas seguramente não esqueceu as declarações de Renato Gaúcho. Quem conhece bem JJ avisa: se o Flamengo passar pelo Grêmio e eventualmente for campeão sul-americano, respostas em alto nível serão dadas... mas um pouco distantes daquelas que marcaram a agitada carreira do treinador.