Há muito que o nome do Borussia Dortmund está associado à obtenção de lucros avultados com a venda das suas estrelas, a ponto de o clube alemão se ter tornado um dos exemplos europeus mais notáveis na descoberta e desenvolvimento de talentos, para depois os vender por montantes elevados. De Dembélé a Bellingham, passando por Sancho, Haaland e Aubameyang, o Dortmund habituou-se a multiplicar os seus investimentos e a transformar os seus jogadores em transferências históricas.
Mas a transferência de Karim Adeyemi para o Barcelona foi completamente diferente, uma vez que o clube alemão obteve um lucro limitado face ao que estava habituado nos últimos anos, fugindo à regra que construiu a sua reputação no mercado de transferências, segundo noticiou o jornal espanhol "Mundo Deportivo".
O Barcelona anunciou oficialmente, na passada quinta-feira, a contratação do alemão Karim Adeyemi (24 anos), proveniente do Borussia Dortmund. O clube catalão pagou 22 milhões de euros como valor fixo, além de outros 7 milhões de euros em variáveis, elevando o valor total da transferência a 29 milhões de euros.
E apesar de o Dortmund ter preferido vender o jogador a um ano do fim do contrato em vez de o perder a custo zero, a transferência não rendeu ao clube alemão a margem de lucro pela qual ficou conhecido. No verão de 2022, o Borussia Dortmund pagou 30 milhões de euros para contratar Adeyemi ao Red Bull Salzburgo, o que significa que o clube não obteve lucros líquidos com a operação, limitando-se a reduzir os seus prejuízos financeiros.
Dembélé: o negócio que fez a diferença
A transferência de Ousmane Dembélé continua a ser uma das maiores vendas na história do Borussia Dortmund.
Em 2016, o clube alemão contratou o extremo francês ao Rennes por apenas 15 milhões de euros, antes de o vender ao Barcelona no verão de 2017 por 135 milhões de euros, incluindo bónus.
Desta forma, o Dortmund obteve um lucro de 120 milhões de euros em apenas um ano.
Bellingham: um investimento histórico
No verão de 2020, o Borussia Dortmund pagou 29 milhões de libras esterlinas para contratar Jude Bellingham, proveniente do Birmingham City.
E após apenas três temporadas, o médio inglês transferiu-se para o Real Madrid por 127 milhões de libras esterlinas, o que rendeu ao clube alemão um lucro próximo dos 98 milhões de libras esterlinas.
Sancho: uma jogada de mestre
Jadon Sancho encarnou a filosofia do Dortmund da melhor forma possível.
O clube contratou-o ao Manchester City por cerca de 10 milhões de euros, antes de o vender ao Manchester United apenas dois anos depois por mais de oito vezes esse montante, concretizando uma das transferências mais bem-sucedidas do clube.
Pulisic: a joia dos observadores
O Dortmund conseguiu descobrir o norte-americano Christian Pulisic quando este tinha 16 anos, integrando-o na academia do clube em 2015.
E poucos anos depois, o jogador transferiu-se para o Chelsea por 64 milhões de euros, acrescentando mais um negócio bem-sucedido ao historial do clube.
Aubameyang: lucros avultados
Em 2013, Pierre-Emerick Aubameyang juntou-se ao Borussia Dortmund, proveniente do Saint-Étienne, por 13 milhões de euros.
E quatro anos depois, transferiu-se para o Arsenal por 63 milhões de euros, o que rendeu ao clube alemão um lucro líquido de 50 milhões de euros.
Haaland: um negócio lucrativo apesar da cláusula de rescisão
Em 2019, o Dortmund contratou o avançado norueguês Erling Haaland por 22 milhões de euros, proveniente do Red Bull Salzburgo.
E apesar de o Manchester City o ter contratado posteriormente, em 2023, por apenas 60 milhões de euros devido à cláusula de rescisão, o clube alemão saiu com um lucro de 38 milhões de euros.
Gittens: um negócio sem custos
O extremo inglês Jamie Gittens é outro exemplo da destreza do Dortmund no investimento em talentos.
Juntou-se ao clube em 2020, proveniente do Manchester City numa transferência a custo zero, antes de se transferir para o Chelsea em 2025 por 56 milhões de euros, rendendo ao clube um lucro praticamente total.
Mkhitaryan: mais um ganho
O Dortmund captou o médio criativo arménio Henrikh Mkhitaryan ao Shakhtar Donetsk em 2013 por 25 milhões de euros.
E após três temporadas, vendeu-o ao Manchester United por 42 milhões de euros, obtendo um lucro de 17 milhões de euros.
Götze: a cláusula de rescisão decide o negócio
Em 2013, o Bayern de Munique acionou a cláusula de rescisão no contrato de Mario Götze e pagou 37 milhões de euros para garantir os seus serviços.
Desta forma, o Borussia Dortmund obteve um lucro líquido de 37 milhões de euros com a transferência do jogador, que viria mais tarde a conduzir a Alemanha à conquista do Mundial de 2014 com o seu célebre golo na final.
Por isso, a transferência de Karim Adeyemi revela que o Borussia Dortmund se viu, desta vez, obrigado a abrir mão de um dos seus jogadores em condições que não refletem a sua filosofia habitual no mercado de transferências.
E apesar de vender o jogador a um ano do fim do contrato ser uma decisão lógica do ponto de vista económico, o clube não obteve os lucros avultados a que estava habituado nos seus negócios anteriores, fazendo da transferência de Adeyemi para o Barcelona uma das exceções mais notáveis no historial do Dortmund, repleto de vendas com lucros colossais.
