Por Tony Mahoney
Arséne Wenger revelou uma verdade desconfortável sobre a Bola de Ouro quando denunciou o culto do individual acabando com a querida ética do jogo de equipe. “Sou contra prêmios individuais”, disse o técnico do Arsenal no último mês. “Isso é um endosso do individual que vai contra a essência de nosso esporte (...) Eu luto como um doido contra a Bola de Ouro, que machuca o futebol. Subconscientemente, o jogador é mais solicitado para o individual do que para a performance do time.”
As indicações para os vencedores deste ano são uma manifestação do que preocupa Wenger, e a campanha de estilo presidencial tacitamente aprovada por cada um dos candidatos é um alarmante sinal para o futuro. Mas não precisa ser assim. A Fifa poderia encontrar uma maneira de recompensar indivíduos que são a personificação de um grande jogo coletivo e, desta maneira, preferir a “essência do esporte” ao invés de persistir com uma visão europeia de competição de popularidade.
É uma dura tarefa escolher entre três indivíduos que iluminaram o calendário do ano mais do que os outros, mas, como veremos abaixo, existem mais candidatos merecedores do prêmio do que o trio que será exaltado neste dia 13 de janeiro, na Suíça. O critério de seleção é simplesmente baseado nas palavras de Wenger, de que o jogo de equipe é o valor fundamental que sustenta o esporte mais popular do mundo.
Ainda assim, é um prêmio individual, então deverá haver espaço para jogadores que contribuíram a elevar seus times além das expectativas. O ‘ator final’ é deixado para depois. Como será lembrado o futebol de 2013? Esta é uma alternativa à lista da Bola de Ouro. Diga a sua opinião nas mídias sociais ou nos comentários abaixo.
| PHILIPP LAHM MELHOR DO QUE FRANCK RIBERY |

Não há dúvidas de que o Bayern de Munique foi o melhor time de 2013. Todos os troféus que eles poderiam conquistar foi para a sala de troféus do clube bávaro, com exceção da Supercopa Alemã. No entanto, quando analisamos os detalhes das conquistas do último ano, é claro que o sucesso foi construído em uma defesa com fundações tão sólidas quanto uma pedra.
Apenas três gols levados em toda a fase de ‘mata-mata’ da Champions League. Os campeões da Alemanha levaram apenas oito gols nesta temporada do Campeonato Alemão e apenas 11 na segunda parte da temporada, cinco deles vindo em jogos depois que o título já estava garantido, no mês de abril. Então, em jogos do Campeonato Alemão que importavam, foram 13 gols levados em todo o calendário anual.
Eles podem marcar gols também, como ficou demonstrado pelos 42 gols em 16 jogos de Campeonato Alemão nesta temporada e no 7 a 0 agregado contra o Barcelona, nas semifinais da Champions League. No entanto, é o recorde defensivo que é realmente impressionante quando comparamos com outros grandes campeões do passado. E em um prêmio como a Bola de Ouro, é claro que todo o sistema defensivo (incluindo goleiro e volantes) não pode ser reconhecido.
Então a atitude óbvia é premiar alguém que foi a personificação desta defesa. Em termos de consistência, de excelência, o capitão do Bayern, Philipp Lahm é o grande exemplo. Enquanto Franck Ribéry merece o mesmo prêmio como líder de um ataque que botou medo, que espalhou seus gols entre os jogadores, a escolha da grande figura do Bayern é produto do debate do que foi melhor: defesa ou ataque.
Outro candidato seria Bastian Schweinsteiger, que exerceu um papel chave nos dois setores. No entanto, a história e as estatísticas julgarão a defesa deste Bayern como uma das melhores de todos os tempos. O mesmo não pode ser dito do ataque. Então, a premiação deveria ficar com Lahm.
| ROBERT LEWANDOWSKI MELHOR DO QUE LIONEL MESSI |

A previsibilidade prevaleceu em 2013. Os clubes poderosos favoritos conquistaram seus campeonatos nacionais. E, enquanto o Bayern não foi apontado como grande favorito para a Champions League, não foi surpresa vê-los triunfando em Wembley. O grande acontecimento, o time que desafiou tudo e todos foi o Borussia Dortmund.
Apenas pela segunda vez na história um clube escolhido do Pote 4 do sorteio conseguiu chegar na final. E eles não tiveram vida fácil, mas mostraram qualidades, como no jogo de ida da semifinal contra o Real Madrid, quando venceram por 4 a 1. Aquele jogo também mostrou a maior contribuição individual de toda a temporada, quando Robert Lewandowski marcou todos os quatro gols. Quando olharmos para os recordes de 2013, este é o que mais vai ressoar.
Quatro jogos de apenas um jogador na Champions League é raro, mas quatro gols em uma semifinal contra um dos times mais importantes e ricos do mundo? É um feito que pode nunca mais ser igualado. É claro que uma andorinha só não faz verão. Lionel Messi fez coisas maravilhosas individualmente e, quase sozinho, ajudou o Barcelona a ganhar do Milan. No entanto, no ano, as estatísticas de Lewandowski foram bem parecidas com as de Messi.
O atacante polonês marcou 36 gols pelo Borussia Dortmund em todas as competições. Messi fez 39 gols em 2013 pelo Barcelona. Claro que a diferença seria maior para o jogador argentino se as lesões não tivessem lhe atrapalhado. Mas este não é o ponto principal. Tem todo o nível de torcida e expectativa. O Barcelona de Messi é cotado para vencer o Campeonato Espanhol e, ao menos, chegar na final da Champions League. Já o Dortmund superou as expectativas.
O vice-campeonato do Campeonato Alemão foi o que eles puderam fazer, comparado ao poder financeiro do Bayern. Usando a mesma medida, eles não deveriam ter chegado na frente de clubes como Real Madrid, Barcelona, Manchester United, Paris Saint-Germain e Chelsea na Champions League. A linha de frente que abastece Lewandowski pode ser comparada com a que ajuda Messi no Barcelona?
Lewandowski foi o vice-artilheiro da Champions League e do Campeonato Alemão. Ele também é a grande esperança de gols de seu time na atual temporada, já que Mario Götze agora é do Bayern de Munique. Aliás, a atitude do polonês é louvável. Vai ter o mesmo destino de Götze, mas ao invés de relaxar e pensar só no próximo clube, está dando o seu melhor com a camisa aurinegra.
Será que algum outro jogador se arriscaria tanto assim? Novamente, se valesse o nosso critério de indivíduos representando um time que superou as expectativas, Lewandowski estaria na lista de melhores do ano.
| GARETH BALE MELHOR DO QUE CRISTIANO RONALDO |

A escolha mais difícil. É indiscutível que Cristiano Ronaldo tenha as melhores estatísticas de 2013. Mas de que isso serviu? O Real Madrid não brigou pelo Campeonato Espanhol, foi humilhado na final da Copa do Rei e perdeu para o Borussia Dortmund, time com um elenco bem mais barato, na semifinal da Champions League.
C.Ronaldo serviu seus companheiros em várias partidas, mas não tanto quando mais seria importante. Não vamos nos esquecer das vantagens que o Real Madrid teve na última temporada. Era o time mais caro do mundo, o técnico mais bem pago e o, até então, jogador mais valioso da história. A expectativa era ganhar títulos, mas veio apenas a Supercopa da Espanha.
O português se divertiu marcando gols em um time feito para servi-lo. Eles colocaram todas as suas fixar em um único lugar, em uma ação estratégica jogada nas mãos de Barcelona, Dortmund e Atlético de Madrid. C.Ronaldo agora é o jogador mais bem pago e merece ser lembrado pela sua contribuição, mas ele superou as expectativas em 2013 e contribuiu seu time a atingir um outro nível?
A resposta provavelmente esteja na contratação de Gareth Bale. Se a dependência do camisa 7 estava funcionando em 2012-13, por que gastar 100 milhões de euros em um jogador da mesma posição? No entanto, o Real Madrid quis. A assinatura de Bale foi um tapa na cara do método de C.Ronaldo orquestrado por José Mourinho.
E o que podemos falar sobre Bale? O galês também não levou sua equipe a um novo nível. O Tottenham não conseguiu se classificar para a Champions League e não levantou nenhum troféu. Ficaram na quinta posição no Campeonato Inglês, o que bate exatamente na expectativa. Sem Bale, no entanto, os Spurs certamente estariam mais abaixo na tabela, como vem acontecendo na atual temporada sem Bale.
Em 2013, o camisa 11 marcou 15 gols pela equipe de Londres em todas as competições e ganhou, com sobras, os principais prêmios individuais do futebol inglês. Lembre-se de que foi na temporada passada que Van Persie chegou ao Manchester United e que Juan Mata brilhou usando a camisa do Chelsea.
Um aspecto intangível aparece aqui também. Uma marca de sete gols em cinco jogos seguidos, como Bale fez entre janeiro e março. Pode acontecer no Campeonato Inglês, mas apenas com um atacante já reconhecido. E também há o argumento válido de que na Inglaterra, por causa do alto nível de competição, tal feito seja mais difícil de ser atingido. Outro ponto: não há comparações entre quem podia ajudar Bale, em relação a quem ajudava C.Ronaldo.
Alguns poderão dizer que Bale não deveria ser considerado para a Bola de Ouro porque não foi realmente testado na Champions League. Ainda assim, ele não teve oportunidade com os Spurs e já tinha começado a negociar com o Real Madrid. Fez dois gols em três jogos, incluindo contra a Juventus. Ele pode apenas bater o que está a sua frente. O fato de que ele teve tal impacto jogando metade do ano por um clube menos abastecido deveria contar a seu favor em termos de conquistas individuais.
Bale queria jogar no mais alto nível e usou sua temporada fenomenal com os Spurs como trampolim para grandes feitos. Enquanto as lesões o atrapalharam em seu início no Santiago Bernabéu, sua marca é de sete gols em dez jogos, e algumas boas assistências. Ele também tornou-se o segundo jogador britânico (após Alan Shearer) depois de 1951 a merecer o maior valor de transferência a ser pago. Tudo aconteceu para Bale em 2013, um ano especial para o meia-atacante galês, que merece reconhecimento por tudo o que fez no ano.
