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Yonghong Li MilanGetty

O duro e doloroso colapso do Milan

O Milan, clube que, por muito tempo, era conhecido como uma agremiação "com DNA de Champions League". No entanto, foi banido recentemente da próxima edição da Europa League. Esse é só mais um fato que coloca o nome da equipe mais afundada no limbo, no qual se encontra há alguns anos.

Os investimentos foram pesados no último verão europeu passaram da casa dos 170 milhões de euros (cerca de R$ 770 milhões). Os nomes trazidos, no mínimo, não corresponderam às expectativas depositadas. André Silva, Hakan Çalhanoğlu, Lucas Biglia e Andrea Conti são alguns exemplos de contratações questionáveis.

Além disso, os valores gastos foram muito além do que os órgãos continentais permitiam, o que culminou na decisão da UEFA. Isso reflete um time que passa longe de ser aquele de anos atrás, que conquistou sete títulos continentais em 11 finais disputadas. Os sinais da derrocada, no entanto, não são recentes.

A gestão de Silvio Berlusconi pós-Calciopoli, período no qual a Serie A perdeu grande parte de seu valor, foi marcada por muitos gastos desnecessários. Os nomes trazidos, não condiziam com a situação financeira do mercado italiano, como Zlatan Ibrahimovic e Robinho.

A situação ficou insustentável pouco tempo depois, quando eles foram obrigados a vender o atacante sueco por um valor abaixo do mercado. Thiago Silva, considerado um dos melhores do elenco, foi parar no PSG, enquanto Alexandre Pato, que teve uma proposta de 35 milhões de euros (em torno de R$ 158 milhões) do clube parisiense recusada, foi vendido ao Corinthians por apenas 15 milhões de euros (por volta de R$ 67 milhões de euros). A conta não fechou.

Berlusconi - Gallianigetty
(Foto: Getty Images)

Adriano Galliani, ex-vice presidente do rossonero, tentou defender o déficit que superava a casa dos 100 milhões de euros (cerca de R$ 452 milhões). Segundo ele, a falta de apoio da Fininvest, companhia financeira da família Berlusconi, fazia a diferença. Galliani não admitia que a má gestão era o problema principal.

A aparição de Bee Taechaubol como um possível investidor, em meados de 2015, parecia ser a luz no fim do túnel. Para Silvio, porém, isso não era suficiente. Ele queria alguém que assumisse o comando total, de modo que isso significasse um novo começo.

Gattuso Benevento Milan
(Foto: Getty Images)

Apesar disso, o italiano mudou de ideia, e resolveu entregar o clube nas mãos de um grupo chinês liderado por Li Yonghong. A mudança de ideia se provou um desastre. 

Yonghong se revelou apenas um Berlusconi de outra nacionalidade. Os gastos exorbitantes continuaram, e a situação da liga como um todo, também permanecia imprópria para tal. A suspensão da Europa League não foi surpresa para ninguém.

O acordo de transmissão depende do desempenho das equipes e, pelo que foi visto nos últimos anos, é difícil imaginar um aumento de valores para os milanistas.

Yonghong Li MilanGetty

O que vem agora para o clube?

O que preocupa, é o fato de não terem atingido o fundo do poço ainda. Os mandatários atuais enfrentam problemas em pagar os empréstimos bancários que fizeram.

Os torcedores, considerando o contexto atual, possuem apenas uma pergunta: como Yonghong conseguirá gerenciar um clube, se nem consegue pagar as próprias dívidas?

Há diversos interessados em adquirir a equipe, o que pode significar o fim de um pesadelo para Li.

A cada dia, se torna mais evidente que o chinês deve vender a equipe, para que possa dar um sopro de vida ao time. A postura também deve mudar significativamente.

A ausência em torneios internacionais é um golpe duro. Mas, esse golpe deve ser sentido e usado como lição para o futuro.

O grande Milan, que todos conhecem, está morto. E o caminho para que ele ressurja é longo.

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