Depois de um bom começo de temporada no Corinthians, Gustavo Mantuan foi emprestado ao Zenit. Na Rússia, o meia-atacante vem ganhando espaço e se adaptando ao novo mundo que vem encontrando no Velho Continente.
Em entrevista exclusiva para a GOAL, o camisa 31 do time de São Petersburgo avaliou de forma positiva o seu começo no país. De acordo com Mantuan, o alto número de brasileiros na equipe acaba ajudando.
“Para dois meses e meio, está sendo muito bom. Com tantos brasileiros no time e com o segundo técnico sendo brasileiro, facilita muito e as coisas ficam mais fáceis. Falar russo é quase impossível, mas vamos aprendendo o mais básico mesmo. Está sendo muito bom!”, disse o jogador de 21 anos.
Dos brasileiros que lá estão, dois em especial ajudaram Mantuan na tomada de decisão: Claudinho e, principalmente, Malcom. Criados na base do Corinthians, o trio já tinha contato e, por conta disso, conversaram antes do aceite do atacante. A questão que mais preocupava, não só o jogador, mas também a família, era a situação da invasão russa a terras ucranianas.
“Acabei falando com Malcom e Claudinho. Com a questão da guerra, liguei para saber como estava, me preocupava. Eles me deram total segurança e confiança, e realmente está tudo bem aqui. Foi um incentivo a mais para estar aqui”, disse.
“A gente fica preocupado, por conta da guerra, mas, como falei, os meninos daqui me passaram o que estava acontecendo. Eles não iam mentir para eu vir. Eu conheço o Malcom há muito tempo, se estivesse numa outra situação, com certeza, falaria para segurar e tal. Foi totalmente ao contrário, meus pais falaram com ele também porque temos essa amizade. Meus pais ficaram tranquilos em relação a isso, mas, de início, claro, estavam preocupados”, comentou Mantuan.
Na Rússia, Mantuan já soma 14 jogos com o Zenit e anotou três gols. Em um futebol mais intenso que o brasileiro, vem atuando como ponta-esquerda, sua posição de origem, mas faz questão de ressaltar que joga em “qualquer uma”.
“Estou entrando pelo lado esquerdo, onde me sinto mais confortável, mas, como vocês já viram, posso jogar em qualquer uma. Estou aqui para ajudar o mister. Comecei bem, fiz gol no primeiro jogo, mas aí vai sentindo mais e jogando mais. Hoje estou melhor mental e fisicamente”, confessou o camisa 31.
No futebol russo, Mantuan tem como objetivo seguir os passos de Malcom, seu companheiro de equipe, e disputar uma Olimpíada pela seleção brasileira. De acordo com o atacante, seria a realização de um sonho em sua curta carreira até aqui.
“Acredito que desempenhando um bom futebol aqui, também pelo que já apresentei no Brasil, é o meu sonho participar desse próximo ciclo olímpico de Paris. Independente de seguir ou não aqui, tenho que seguir fazendo meu trabalho e as oportunidades irão aparecer naturalmente. É meu sonho jogar uma Olimpíada e fazer parte desse ciclo. Em relação a Seleção, é meu próximo objetivo”, garantiu.
Veja outros trechos da entrevista abaixo:
Como recebeu a proposta para ir para o Zenit?: “Eu estava na concentração antes do jogo contra o Santos na Copa do Brasil e o meu empresário ligou, falou que poderia rolar a proposta. Ali eu fiquei sabendo, mas, ao mesmo tempo que recebi a notícia, tinha um jogo importante e mantive a concentração, mesmo porque poderia dar certo ou não. Foi bem nesse dia, foi bem assim que fiquei sabendo”.´
Diferenças do futebol brasileiro e russo?: “Eu acredito que aqui, assim como no futebol europeu, tem muita intensidade. É correria e força, tem que estar preparado fisicamente para estar jogando, não para. Dá o segundo tempo e fica um lá e cá por todo mundo ser bem condicionado fisicamente. Foi uma parte que até demorei para pegar, por sair de um futebol que é intenso, mas não o jogo inteiro. Aqui, os jogadores de trás não são rápidos, mas são fortes e tem muito contato. Tem vermelho direto aqui. É um futebol muito mais intenso que o brasileiro”.
Como ficou na final da Copa do Brasil? Qual o sentimento?: “Esse jogo eu tive que acompanhar, mas foi difícil. Sofri bastante aqui, não só por ter feito parte, mas pela campanha e por serem companheiros que ganhei para a vida. Doeu bastante, merecia demais pela campanha e jogo incrível que fizeram. Então doeu”.
Ainda mantém contato com antigos companheiros de Corinthians?: “Às vezes é difícil por conta do horário, mas eu tô sempre falando mais com os moleques. Piton, Xavier, João que não está mais lá. Envio umas coisas engraçadas para o Renato e Fábio, eles mandam também. Assim como eu to acompanhando, certeza que me acompanham também”.


