A transferência de Hulk do Atlético-MG para o Fluminense, oficializada em maio, foi uma das grandes novelas do mercado da bola em 2026. Depois de meses de negociações, tentativas frustradas e muita repercussão, o atacante comentou pela primeira vez os bastidores da mudança e as polêmicas que marcaram sua saída de Belo Horizonte. Em entrevista ao Sportv, o camisa 7 revelou que a diferença entre os projetos esportivos dos clubes foi determinante para a decisão de seguir carreira nas Laranjeiras.
A negociação teve início em janeiro, quando o Fluminense procurou o Atlético-MG para contratar o atacante, mas as partes não chegaram a um acordo. Somente em maio, após novas tratativas e idas e vindas, Hulk conseguiu rescindir seu contrato com o Galo e assinou como agente livre pelo Tricolor. Segundo ele, o cenário vivido pelo clube mineiro pesou diretamente na decisão.
"Existe um momento que tu é super valorizado, independentemente de idade. Existe um momento que o clube já começa a pensar em reformular, em características, muda-se treinadores, é natural. Eu sempre entendi. Não ouvi diretamente isso, mas também entendi que o Galo vinha passando por um propósito de renovação e eu escutei muito, não era de falar realmente com a parte da direção, mas ouvi a questão de reformular, quitar as dívidas que estavam muito altas do clube, tentar enxugar a folha salarial", disse.
Na sequência, o atacante fez uma comparação entre os projetos dos dois clubes e indicou que enxergou no Fluminense uma ambição esportiva maior a curto prazo: "A maneira do Fluminense pensar era diferente. Quer títulos, montar um grande time", completou.
Apesar de admitir que a saída não aconteceu da forma como imaginava, Hulk fez questão de reforçar que mantém enorme gratidão pelo Atlético-MG, onde conquistou oito títulos, entre Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e Campeonatos Mineiros. O atacante relembrou a despedida do clube e revelou que o momento foi marcado por muita emoção.
"Jamais seria ingrato de falar mal de um clube que me abriu as portas, uma instituição tão grande como o Atlético Mineiro, com a torcida do Galo, que me abraçou de uma forma, os jogadores que sempre me respeitaram, os funcionários. Quando eu vim embora, fiz um churrasco lá em casa para 200 pessoas. Todo mundo emocionado, chorando...", disse.
Hulk também voltou a comentar uma das declarações mais repercutidas desde sua chegada ao Fluminense. Após a estreia pelo novo clube, ele afirmou que teria menos responsabilidade do que tinha no Atlético-MG, fala que gerou críticas entre torcedores atleticanos. Agora, explicou melhor o contexto.
"O que eu vejo aqui é que, diferentemente do Atlético, clube no qual eu tinha uma responsabilidade muito grande de jogar todos os jogos e ter que decidir, era uma pressão muito grande. Agora vim para o Fluminense, time que tem muitos jogadores de qualidade. Aqui a gente acaba dividindo as responsabilidades, e isso facilita muito", afirmou.
E usou o nome de Éderson, goleiro do clube de longa data, para exemplificar que os nomes que o acompanharam na vitoriosa temporada de 2021 pelo Atlético-MG já não jogam mais na equipe, o que acabou pesando no aumento da sua responsabilidade na equipe mineira.
"Vamos lá, em 2021 no Galo, a gente ganhou tudo. Só não ganhamos a Libertadores. De 2021, quem está no Galo? Só o Everson. Quando você fala de dividir responsabilidade, você chega no Fluminense que tem Germán Cano, Ganso, Thiago Silva, John Kennedy, Fábio, Martinelli. São muitos jogadores que vêm há um tempo e tem certa responsabilidade, já sabem como funciona o clube", concluiu.
Desde sua contratação, Hulk disputou três partidas com o Tricolor das Laranjeiras e marcou um gol. No próximo confronto, neste domingo (26), contra o Grêmio, ele espera voltar a balançar as redes fora de casa, na partida válida pela 21ª rodada do Brasileirão, que terá início às 18h30 (horário de Brasília).




