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Gremistas iniciam campanha para acabar com a palavra 'macaco' nos cânticos da torcida

A onda de ataques racistas no futebol brasileiro causaram uma reflexão dos próprios torcedores. Depois das cenas depreciativas contra Tinga, Arouca, e o árbitro gaúcho Márcio Chagas da Silva, a torcida do Grêmio de movimentou para tentar acabar com músicas de cunho racista na Arena e nos estádios visitados pelo tricolor.

Um dos sites mais influentes de torcedores gremistas, o Grêmio Libertador, iniciou uma campanha para abolir o uso da palavra “macaco” nas músicas cantadas pelos torcedores. A ideia é que, a longo prazo, seja disseminada pelo Brasil um ideal contra o racismo, que infelizmente é corriqueiro no país com a maior população negra fora da África.

“O clube e a torcida não têm nada a ganhar ao cantar músicas com a palavras macaco. Há uma discussão sobre o tema, nós sabemos, mas o fato é que não há nada de positivo nisso. A torcida ganha uma marca de racista, sendo que não é. Muitas pessoas cantam porque aquilo já está enraizado, já é algo natural. Alguém pode se sentir ofendido, podemos ser até punidos e prejudicar o time. Tudo o que envolve esses termos é negativo”, disse Minwer Daqawiya ao Globoesporte.

Minwer é o autor do texto no site Grêmio Libertador, que pede o fim das músicas com tom pejorativo, citando um dos principais cânticos da torcida gremista que diz: “Macaco chora”. Historicamente, o Inter tem como mascote o Saci, mas muitos dos seus torcedores adotaram o macaco como símbolo. Isso porque antes da construção do Beira-Rio, em 1969, o Colorado utilizava o Estádio dos Eucaliptos, onde muitos torcedores assistiam aos jogos em cima de árvores.

O tempo passou e o termo ‘macaco’ a que se referem gremistas e colorados tomou um significado pejorativo. A própria torcida do Inter, através de uma votação na internet, apelidou o mascote que participa de projetos sociais do clube de ‘Escurinho’. Para Minwer, o apelido é racista e ponto final.

“Eu nunca chamei um colorado de macaco pela cor da pele, tanto que já defendi que o uso do termo não era racista, mas de uns anos pra cá percebi que ele continua com a mesma conotação de quando foi criado. Não importa se agora eles tem um mascote ou torcedores que se vestem de símios. A origem do “apelido” é racista e isso é definitivo”, escreveu no site gremista.

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