Deixe as estrelas brilharem! Elas podem tudo

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Quem disse que elas não mandam bem em futebol, não é, Juju?

Meu pai adorava assistir futebol feminino. Ele dizia que o jogo era organizado, técnico e tinha menos correria que algumas peladas que assistimos por aí.

Infelizmente, pela falta de apoio, por todos os lados, não eram muitas as oportunidades de assistir partidas de futebol feminino com frequência. Ainda não é.

No Brasil, afinal, a modalidade só parece existir em épocas de Copa do Mundo e Olimpíada. Marta, Cristiane, Formiga, Andressa Alves e tantas outras são heroínas e exemplos.

Não apenas as exceções que brilham na Seleção e em clubes do exterior, mas também as que sofrem no Brasil como elas já sofreram.

Se no futebol masculino a situação já é feia para a maioria esmagadora dos jogadores que atuam longe dos holofotes, no feminino é ainda pior. A falta de estrutura e apoio, o sofrimento financeiro e mental, as histórias de superação...

No entanto, as guerreiras não desistem. Elas, afinal, podem tudo.

Juju futebol feminino

Elas seguem em frente, superando cada dificuldade e passando por cada barreira. Vencendo cada luta e cada dia.

Elas não deixam o futebol feminino morrer.

Em qualquer canto que você procurar, você vai achar grandes histórias de mulheres vencendo o preconceito e superando barreiras para escrever histórias magníficas e inspiradoras. Heroínas que inspiram futuras heroínas.

E as histórias, é claro, começam quando as heroínas ainda são meninas. Meninas que já lutam contra tudo e todos, vencendo barreiras e superando o preconceito de uma sociedade machista.

É o caso de Júlia Rosado de Souza, a Juju, uma garotinha de apenas oito anos, mas que já tem muito a ensinar para muita gente grande.

Apesar de ainda ser menina, Juju é uma daquelas mulheres que eu escrevi. Uma daquelas que não deixam o futebol feminino morrer.

E como não poderia ser diferente, isso tudo acontece pelo amor ao futebol, e um amor natural e começou mais cedo do que você imagina.

"Não sei se a bola foi o primeiro brinquedo dela, mas com certeza foi o que ela mais gostou de ganhar. Desde muito cedo, a bola era a grande companheira dela, que até dormia com a bola", conta o pai, Wellington Pereira de Souza, em entrevista à Goal Brasil.

E a amizade deu frutos. Juju, que se lembra de jogar futebol desde sempre, começou a chamar atenção já aos quatro anos. Sendo a craque no meio dos meninos, ela foi aprovada na escola oficial do Barcelona no Brasil com apenas cinco anos.

O sucesso, porém, não parou por aí. Dois anos depois, ela foi convidada a fazer parte do Grau 10 e disputou o Campeonato Estadual do Rio de Janeiro de futsal, federado pela federação local, filiada à CBFS e Fifa. 

Juju se tornou a primeira menina da história a ser federada à uma competição oficial de categorias de base masculina no Brasil e chegou a ser até capitã do time, brilhando no meio dos garotos com golaços e grandes atuações.

Já no ano passado, a jovem craque ingressou no Centro Olímpico, maior projeto de futebol feminino de base da América Latina, que já revelou craques como Cristiane e Andressa Alves.

Atacante que também gosta de jogar como meia-esquerda, Juju tem Marta, Cristiane, Andressa Alves e Ronaldinho Gaúcho como grandes ídolos. No ano passado, ela até conheceu o ex-camisa 10 do Barcelona em Belo Horizonte, quando o eterno craque passou pela capital mineira para participar de um jogo beneficente.

"Foi muito legal conhecer o Ronaldinho e uma emoção muito grande, porque além de ser meu maior ídolo e um craque, ele jogou no Barcelona, onde eu jogo. Ele é um grande craque e dos maiores da história do futebol. Eu adoro quando ele dá elástico e caneta ao mesmo tempo. Já tentei copiar, mas só consegui uma vez", diz Juju à Goal Brasil.

É um tanto curioso porque Juju já é uma heroína, supera o preconceito e vence obstáculos, mesmo com tão pouca idade. Ela já é uma inspiração para manter o futebol feminino no Brasil e tentar trilhar o caminho, ser exemplo e abrir espaço para o futuro, ainda que ela, apesar de presente, também seja o futuro da modalidade.

"Damos todo o apoio e nos esforçamos para cuidar dela e ajudar, para que ela possa realizar os seus sonhos e contribuir para que outras meninas também possam ter condições de jogar. Temos confiança e fé de que a Júlia vai contribuir para o crescimento do futebol feminino", afirma Claudia Silva Rosado, mãe da jovem atleta, à Goal Brasil.

A mamãe pode ter certeza de que Juju já está dando uma grande parcela de contribuição para isso. Seja com seus golaços, seja com os grandes feitos já com tão pouca idade.

O que falta é nós fazermos nossa parte para honrar todas as heroínas que lutam por mais igualdade, lutam contra o preconceito de uma sociedade machista e permitem que as heroínas de amanhã possam sonhar hoje. Nós precisamos ajudar e deixar as estrelas brilharem.

Afinal, quem disse que elas não mandam bem em futebol, não é, Juju?

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