O que segura Jorge Sampaoli no comando da Argentina?

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JUAN MABROMATA/AFP
O que para a grande maioria dos argentinos é óbvio, para a AFA não é: o futuro do técnico é uma grande incógnita

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O futuro de Jorge Sampaoli parecia obvio neste último sábado (30), após a Argentina dar adeus ao Mundial da Rússia na derrota para a França.

Era esperado um “gesto de grandeza” pelo técnico na conferência de imprensa, onde anunciaria a sua demissão. Mas não foi o que aconteceu. Também esperavam que a AFA (Associação de Futebol Argentino) tomasse uma posição sobre o fracasso, mas nada aconteceu. Agora, tudo é uma incógnita.

A verdade é que a saída do treinador é muito mais complexa do que parece. E embora seja uma das principais questões a se considerar, não se trata apenas de desembolsar 20 milhões de dólares para quebrar um contrato que vai até a Copa do Qatar de 2022, e sim como ele foi assinado há um ano com total irresponsabilidade.

LIONEL MESSI JORGE SAMPAOLI ARGENTINA
(Foto: Getty Images)

Justamente em junho de 2017, a AFA, e sobretudo Daniel Angelici, se encarregaram da operação de retirar o técnico do Sevilla. Mas não estavam buscando um treinador para a Copa do Mundo e nada mais. Ele foi convidado para coordenar um projeto abrangente, incluindo todas as categorias de jovens que nem sequer começaram a jogar profissionalmente. A urgência de se classificar para a Copa do Mundo, depois a preparação do elenco, e por último, a disputa do torneio. Foram as únicas tarefas que o grupo se dedicou.

Demitir Sampaoli neste momento é tão lógico quanto demagógico. O objetivo principal estava a anos luz de ser cumprido, porque não somente o resultado foi inverso, como todo o processo prévio, em especial no último mês, foi paupérrimo por inúmeras más decisões. Em sua grande maioria por obra do técnico.

Mas este “projeto” que lhe pediram, só poderia começar a ser executado agora, com uma equipe limpa e sem exigências, pelo menos até a Copa América de 2019.

Já há possíveis sucessores para o cargo, como Diego Simeone, Mauricio Pochettino e Marcelo Gallardo. Todos demonstram ser melhores que Sampaoli em seus papéis. E também não precisariam de muito para superar uma das piores fases de todos os tempos. No entanto, há um porém: a Argentina é ferro quente, e o único que está disposto a correr o risco é justamente Jorge Sampaoli.

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(Foto: Getty Images)

A AFA está diante de uma nova encruzilhada: cumprir a vontade da maioria e demitir o grande responsável pela decepção no Mundial, ou se manter firme em dizer que este é o projeto que querem que seja respeitado. O técnico está em uma situação semelhante: largar o grande sonho de sua vida, ou respeitar a vontade popular, podendo fazê-lo de forma mais adequada: se demitindo após sua primeira partida com a seleção argentina em território nacional.

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