Enquanto o mundo do esporte italiano ainda se recupera do choque histórico causado pela terceira ausência consecutiva da Copa do Mundo, o polêmico “Super Mario” Balotelli, atacante do Al-Ittihad dos Emirados Árabes Unidos, quebrou o silêncio sobre o desastre futebolístico que se abateu sobre a seleção de seu país após a derrota retumbante para a Bósnia e Herzegovina na repescagem.
O último dos reis dos gols da Copa do Mundo
A ironia estatística chocante que se impõe hoje é que Mario Balotelli ainda detém o título de “autor do último gol da Itália na Copa do Mundo”, gol que marcou contra a Inglaterra no verão de 2014.
Desde então, a Itália entrou em um túnel escuro de falta de gols e ausência forçada das finais.
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Plotelli não escondeu, em declarações ao jornal emiradense “Al-Bayan”, seu profundo abalo com a situação atual; não se limitou a lamentar, mas apresentou sua visão para tirar o gigante italiano do buraco em que se encontra.
Mario considerou que chegar ao fundo do poço não é o fim, mas sim uma oportunidade de ouro para se livrar de ideias ultrapassadas e construir um projeto futebolístico totalmente novo.
Balotelli pediu o fim da era da “hesitação” em promover os talentos emergentes, afirmando que a solução está em dar aos jovens total confiança nas grandes ligas, sem esperar pelo seu “amadurecimento” tradicional.
Quanto à identidade do próximo técnico, Balotelli estabeleceu um critério que vai além da tática; ele acredita que a Itália não carece de competência técnica, mas precisa de um técnico que possua “carisma humano”, capaz de criar uma verdadeira coesão dentro do vestiário.
E acrescentou: “A Itália passa por um ciclo natural entre o auge e o declínio, mas a fé na nova geração é a pedra angular de qualquer renascimento futuro”.
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Otimismo apesar da derrota
E apesar da amargura do fracasso diante da Bósnia nos pênaltis (4 a 1), o astro que brilhou na Euro 2012 continua acreditando que o “sistema italiano” possui os genes necessários para o retorno.
Balotelli acredita que a história do futebol nos ensina que as grandes potências podem passar por dificuldades, mas não desaparecem, e que o retorno da “Azzurri” ao seu lugar natural é apenas uma questão de tempo, desde que a fase atual de reconstrução seja bem conduzida.
Balotelli possui uma trajetória internacional notável, apesar de curta, tendo marcado 14 gols em 36 partidas, e sua famosa jogada contra a Alemanha em 2012 permanece gravada na memória dos italianos, como um dos últimos lampejos do “super” atacante de quem a Itália sente falta hoje.
