A dez dias e três jogos da final, Palmeiras vive disputa por vaga no time no Maracanã

Willian Bigode Luiz Adriano Veiga Gabriel Menino Palmeiras Corinthians Brasileirão 18 01 2021
Cesar Greco/Palmeiras
Abel Ferreira tem buscado novas formações no Brasileirão, e elenco tem concorrências por um lugar no time que joga a decisão da Libertadores no dia 30

Revezando jogadores para diminuir o desgaste nesta reta final de temporada, o técnico Abel Ferreira pela primeira vez escalou Willian e Luiz Adriano na frente sem nenhum ponta mais aberto como Rony ou Scarpa, e o Palmeiras venceu o Corinthians por 4 a 0. O Bigode havia jogado só 12 minutos dos 180 contra o River Plate pelas semifinais da Libertadores.

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O treinador também voltou a dar duas titularidades seguidas a Raphael Veiga, que atuou apenas 19 minutos em Avellaneda e nove em São Paulo diante do rival argentino. Agora, contra o Grêmio e no dérbi, o meia respondeu com três gols, lembrando aquele jogador que vinha em boa fase há cerca de dois meses, antes de se contaminar com a Covid-19 e ter dificuldades físicas para manter o desempenho. Ele chegou a 18 gols na temporada, vice-artilheiro do time atrás apenas de Luiz Adriano, que tem 20.

Outro protagonista dos últimos dias é Luan. Depois de sentir um problema físico e ir para o banco no aquecimento do jogo de ida contra o River, na Argentina, ele acabou entre os reservas no duelo de volta, ainda que tenha entrado no segundo tempo com a lesão de Gustavo Goméz. Mas, diante de gremistas e corintianos, foi titular e fundamental no início da construção das jogadas do Palmeiras.

Perguntado sobre as escolhas, o comandante repete um mantra: "penso a cada jogo". Terminado o clássico na última segunda-feira, ele afirmou que tem a missão de "fazer a gestão de energia e jogar na força máxima", e que a escolha por um posicionamento com mais jogadores pela faixa central do campo foi uma definição ao observar o Corinthians, que puxa contra-ataques por ali e também faz uso do que o treinador chamou de "apoios frontais" com Jô.

Abel não cita nomes, claro, mas há uma evidente disputa por posição para a final da Copa Libertadores, no dia 30 de janeiro, contra o Santos. Da classificação até a data da decisão são cinco jogos – os já citados empate contra o Grêmio e goleada sobre o Corinthians, além do Flamengo (em Brasília), do Ceará (em Fortaleza) e do Vasco (em São Paulo). Se há pouco tempo para treinar, são 450 minutos para testar combinações e projetar o mais importante duelo da temporada, no Maracanã. E tem gente pedindo um lugar no time.

Defesa

O goleiro Weverton é unanimidade, candidato à destaque máximo da Libertadores. Marcos Rocha é o dono da lateral-direita, e seu reserva, Mayke, sofreu com a Covid-19 no início do ano e não parece brigar pela posição no momento. Ainda que pudesse utilizar Gabriel Menino por ali, o jovem jogador vem de boas atuações no meio-campo, onde deve se manter. Viña é titularíssimo do lado esquerdo, e Gustavo Gómez, apesar de um problema na virilha que o tirou de campo na semifinal, é o capitão do time e aguardado para retornar nos próximos dias.

A outra vaga na zaga, ao lado do paraguaio, tende a ser de Luan. Abel gosta da saída com a perna esquerda de Alan Empereur, titular contra River e Grêmio e reserva contra o Corinthians. Mas Luan mostrou no clássico que a qualidade na saída de bola decide jogos. Dois de seus passes por dentro, atrás da linha de marcação rival, deram início às jogadas de dois gols do Palmeiras.

É curioso que, há duas temporadas, Goméz e Luan eram uma zaga fixa num revezamento mais pragmático do técnico Luiz Felipe Scolari. Edu Dracena e Antônio Carlos formavam a defesa nos jogos da Libertadores, enquanto a dupla que segue no elenco atuava no Campeonato Brasileiro. Foi assim nas oitavas de final, contra o Cerro Porteño, e nas quartas, diante do Colo Colo, até que as boas atuações fizeram Felipão inverter. Na reta final, Goméz e Luan viraram titulares no torneio continental para as semifinais contra o Boca Juniors, e são eles também os presentes no jogo do título brasileiro, contra o Vasco, em São Januário, semanas depois.

Meio

Voltando ao time atual, no meio, são algumas opções. Danilo e Gabriel Menino se firmaram, mas a partir daí a equipe variou bastante nos últimos tempos. Patrick de Paula fechou o trio na histórica vitória na Argentina, mas depois cumpriu suspensão na volta e se lesionou, ficando fora dos jogos no Brasileiro. Zé Rafael foi seu substituto contra o River e não foi bem (como todo o time, aliás), mas acaba de atuar, dessa vez com destaque, nos dois jogos inteiros pelo Nacional. Tem boas chances de compor o time ideal daqui dez dias.

Outra alternativa, que já começa a se misturar com o ataque, é Raphael Veiga. Ele foi titular pela última vez na Libertadores na vitória contra o Libertad, pela volta das quartas de final, e também saiu jogando no jogo decisivo pela semifinal da Copa do Brasil, contra o América-MG. Como o próprio admitiu na terça-feira, em entrevista ao Sportv, ele sentiu muito a recuperação da Covid-19, contraída depois de um ótimo jogo contra o Ceará, em que marcou dois gols, em novembro. Quando voltou, semanas depois, se sentia mais fraco fisicamente, e chegou a vomitar no intervalo da derrota para o Inter, em dezembro.

Optando pelos três do meio, Abel pode ter Danilo, Menino e Patrick (como em Avellaneda), Veiga (como na volta contra o América-MG) ou Zé Rafael (como na volta contra o River). Mas há também a opção de ter quatro desses, abrindo mão de Scarpa, que vem jogando mais à frente, na esquerda.

Assim Abel armou o time contra o Corinthians – Danilo, Menino, Zé e Veiga. Na derrota no Beira-Rio, teve Danilo, Menino, Veiga e Lucas Lima. Em novembro, num 3 a 0 sobre o Athletico-PR, também foi de Danilo, Menino, Patrick e Lucas Lima. Se serve como referência o duelo contra o próprio Santos, há um mês e meio o Palmeiras empatou na Vila com Emerson Santos, Zé Rafael, Veiga e Lucas Lima, outra formação sem dois pontas abrindo o campo.

No setor, vale também destacar que Felipe Melo, ainda que tenha voltado a aparecer no banco de reservas, não deve entrar nessa concorrência. O próprio técnico Abel Ferreira afirmou que conta muito com o jogador, mas fora de campo, já que o tempo de inatividade deve impedir que ele consiga jogar em alto nível nesses últimos compromissos da temporada.

Ataque

Nos últimos jogos eliminatórios, o esquema predominante foi mesmo o de três homens de frente, sendo dois abertos mais o centroavante. Nos dois jogos contra o River Plate, o time teve Scarpa na esquerda, Rony na direita e Luiz Adriano por dentro.

Nessa mesma configuração, já foram utilizados Gabriel Verón e mais recentemente Breno Lopes. Claro que cada adversário e circunstância vão definir a função no jogo, como por exemplo Verón acompanhando o avanço do lado esquerdo do Sport, na Ilha do Retiro, e praticamente fechando como um lateral-direito numa linha de cinco atrás. Na sexta-feira, contra o Grêmio, foi um 4-2-3-1 um pouco mais tradicional, com Breno na ponta-direita, Willian na ponta-esquerda, e Rony jogando de 9.

De todos esses citados, Rony e Luiz Adriano são titulares de Abel, e até a estratégia dos minutos jogados é semelhante: um entrou no lugar do outro nos últimos dois jogos, e ambas as substituições foram no mesmo momento, aos 24 do segundo tempo. Assim, cada um deles fez um jogo inteiro, mas dividido entre Grêmio e Corinthians.

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Já Scarpa foi reserva em ambos, entrando apenas no final e somando atuações discretas. Substituído no intervalo quando o Palmeiras era amassado pelo River Plate, uma menor utilização pode sugerir que Abel busca sugestões para o lugar do ponta canhoto e aberto, que teve dificuldades de jogar no duelo mais indigesto, contra o ótimo time argentino. Breno Lopes, com mais briga e força física, tem sido mais utilizado, e corre por fora.

E então? Willian Bigode se juntando a Rony e Luiz Adriano? Veiga mantém um lugar no time? E atrás, o trio de garotos, como na Argentina, ou Zé Rafael? Opções de Abel Ferreira, que de jogo em jogo tem mais três partidas para testar a equipe até o dia 30. Há pouco tempo para treinar, então é provável que o onze que posará para o pôster e tentará ser campeão no Maracanã apareça mesmo nos jogos valendo três pontos contra Flamengo, Ceará e Vasco, válidos por um Brasileirão onde o Palmeiras ainda tem chances de título.

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