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Base Palmeiras GOALGetty/GOAL

Fábrica bilionária: como o Palmeiras virou potência global em vendas da base

Se Eduardo Conceição, com apenas 16 anos, já desperta o interesse do Grupo City e surge como possível próxima grande venda do Palmeiras, isso está longe de ser coincidência. O clube paulista construiu, ao longo da última década, um modelo sólido e altamente lucrativo de formação de atletas, que hoje rivaliza com gigantes europeus.

De acordo com levantamento do CIES Football Observatory (Centro Internacional de Estudos do Esporte), divulgado em abril, o Palmeiras é o quarto clube do mundo que mais faturou com vendas de jogadores formados na base nos últimos cinco anos, acumulando 289 milhões de euros (R$ 1,7 bilhão). À frente aparecem apenas Chelsea, Manchester City e Aston Villa.

O dado confirma uma transformação planejada e executada com precisão.

  • FBL-LIBERTADORES-PALMEIRAS-CRISTALAFP

    A engrenagem que mudou o clube

    A virada começou entre 2013 e 2015, em meio à reconstrução após o rebaixamento. Sob a gestão de Paulo Nobre, o Palmeiras promoveu uma reformulação profunda no departamento de futebol, com contratações estratégicas e foco claro na base.

    João Paulo Sampaio, coordenador das categorias de base, foi peça central nesse processo. O clube ampliou sua estrutura, triplicou o número de treinadores e expandiu a rede de captação para praticamente todo o país.

    Mais do que infraestrutura, houve mudança de mentalidade: "Desde o dia que chegamos, imaginamos isso: transformar o Palmeiras em uma potência na base, da forma que o clube se transformou mundialmente", afirmou JP Sampaio.

    "A gente só fica feliz, mas com mais cobrança e mais fome para continuar a ter essas metas e estar entre as melhores bases do mundo. Isso nossa torcida pode ficar tranquila que vamos estar sempre procurando se manter ou melhorar para ser top 5 do mundo".

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  • Palmeiras v Botafogo - Brasileirao Series A 2016Getty Images Sport

    Gabriel Jesus: o ponto de virada

    O primeiro grande marco dessa nova era veio em 2016, com a venda de Gabriel Jesus ao Manchester City por 32,75 milhões de euros. Foi a negociação que simbolizou o início de um ciclo de valorização internacional dos talentos palmeirenses.

    "Estou na Europa há nove anos e o trabalho continua dando frutos. É uma comprovação do quanto o projeto no clube seguiu um caminho de excelência mesmo depois de tanto tempo", destacou o atacante.

    A partir dali, o Palmeiras passou a negociar jogadores cada vez mais jovens, inclusive antes mesmo de estrearem no profissional, algo que se tornaria uma de suas marcas.

  • FBL-LIBERTADORES-PALMEIRAS-SANLORENZOAFP

    A geração bilionária

    Nos últimos anos, o clube atingiu outro patamar com uma safra considerada histórica.

    Endrick e Estevão protagonizaram duas das maiores vendas da história do futebol brasileiro, negociados ainda na adolescência por valores que ultrapassam a casa das dezenas de milhões de euros, incluindo bônus.

    Na sequência, o zagueiro Vitor Reis entrou para a história como o defensor mais caro já vendido por um clube brasileiro, ao ser negociado com o Manchester City por 37 milhões de euros, superando marcas anteriores.

    "O clube me preparou em todos os aspectos e isso faz diferença quando a gente chega aqui fora. Fico feliz de fazer parte de uma geração que não só realiza sonhos, mas também ajuda a valorizar ainda mais a base do Palmeiras", afirmou o zagueiro.

    Além deles, nomes como Luis Guilherme, Thalys e outros jovens talentos reforçam o processo contínuo de atletas valorizados.

  • Gremio v Palmeiras - Brasileirao 2024Getty Images Sport

    Menos jogadores, mais dinheiro

    Um dos pontos mais impressionantes do levantamento do CIES está na eficiência do Palmeiras. Considerando os últimos dez anos, o clube aparece na 9ª posição global, com 356 milhões de euros arrecadados, sendo o único brasileiro no top 10.

    Mesmo assim, negociou menos atletas do que rivais nacionais: foram 32 jogadores, contra 37 do São Paulo e 36 do Flamengo.

    Ou seja, o Palmeiras conseguiu gerar mais receita com menos vendas, apostando em negociações de alto valor agregado.

  • Palmeiras v Fluminense - Brasileirao 2026Getty Images Sport

    Modelo em expansão

    Internamente, o clube entende que os números do CIES ainda não contemplam todas as operações, incluindo negociações menores e percentuais mantidos em vendas futuras, o que pode elevar ainda mais os valores reais.

    Para 2026, a meta é arrecadar R$ 399 milhões com transferências, incluindo jogadores além da base. Ainda assim, os jovens continuam sendo protagonistas.

    Além de Eduardo Conceição, outro nome que pode movimentar o mercado é o meia-atacante Allan, de 21 anos, também formado no clube e que já atrai interesse de gigantes europeus, como Liverpool e Napoli.

    Com tudo isso, o Palmeiras deixou de ser apenas um formador relevante no Brasil para se tornar uma referência global. Com estrutura consolidada, metodologia definida e reputação internacional, o clube transformou sua base em uma verdadeira "fábrica bilionária".