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فينيسيوس جونيور وفلورنتينو بيريزKOOORA

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A armadilha de Deschamps no Real Madrid... Será que Pérez cedeu ao poder do vestiário?

As paredes do Santiago Bernabéu ainda ressoam com os apitos de protesto, enquanto nos bastidores da diretoria se desenrola uma batalha silenciosa pelo poder. Em meio aos apitos e às disputas, surge no horizonte o nome de Didier Deschamps, que pode mudar a situação para melhor ou, talvez, fazer o time retroceder décadas.

Deschamps se prepara para deixar o comando da seleção francesa após a Copa do Mundo de 2026, e seu telefone não para de tocar com ligações de intermediários que buscam para ele um novo cargo técnico entre os grandes clubes da Europa.

Mas por trás do brilho desse nome e de sua história repleta de glórias, esconde-se outra história mais complexa: o dilema de um clube prestes a perder sua identidade tática em favor da “ditadura das estrelas” e uma disputa de poder que pode transformar o treinador em mero “coordenador de relações públicas” em um vestiário repleto de armas pesadas.

  • Xabi Alonso ViniciusGetty Images

    A perda da identidade

    O Real Madrid vive um momento de desorientação técnica que o “Castelo Branco” não vivia há muitos anos. Após a demissão de Xabi Alonso em janeiro passado — o técnico que tentou impor um esquema tático rígido —, veio a nomeação de Álvaro Arbeloa como solução temporária, mas ela revelou uma profunda lacuna na filosofia do clube.

    Sob o título “O Real já não é o Real Madrid”, o jornalista Juan Ignacio Gayardo resumiu a crise no “Marca”; a torcida vê um time sem ânimo, taticamente perdido e incapaz até mesmo diante de times como o Girona.

    Gayardo afirmou em seu artigo que a crise não está nos nomes, mas na “autoridade”: Alonso se foi porque sua relação com Vinícius Júnior chegou a um impasse devido à exigência de que os astros desempenhassem funções defensivas às quais não estavam acostumados.

    Com a chegada de Arbeloa, ficou claro que a balança pendeu a favor dos astros; nem Mbappé, nem Vinícius, nem Bellingham: ninguém ousa colocá-los no banco, mesmo que os reservas, como Arda Güler ou Ibrahim Díaz, estejam no auge de sua forma.

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  • FBL-FRA-TRAININGAFP

    Deschamps... Será ele a solução ou o “tiro de misericórdia”?

    É aqui que entra Didier Deschamps. De acordo com reportagens da "RMC Sport", Florentino Pérez vê em Deschamps o treinador capaz de controlar a "colônia francesa" dentro do clube, que inclui Mbappé, Tchouaméni, Camavinga e Mendy.

    A forte relação entre Deschamps e essas estrelas é a “chave” do interesse do Real Madrid; pois o clube não busca atualmente um gênio tático para reconstruir o sistema, mas sim um “treinador bombeiro” que crie um ambiente confortável para Kylian Mbappé, que tem atrapalhado os planos da equipe desde sua chegada e para quem nenhum treinador encontrou até agora a combinação certa para escalá-lo ao lado de Vinícius.

    Mas essa escolha levanta uma questão assustadora: será que o Real Madrid passou a ser dirigido de dentro do vestiário? Se as notícias sobre a contratação de Deschamps forem verdadeiras, isso significará uma vitória clara da influência dos jogadores sobre a diretoria e um reconhecimento de que o clube se rendeu à política de “mimar as estrelas” em detrimento da própria equipe.

    Deschamps, por natureza, é um técnico que tende a gerenciar talentos e amenizar crises mais do que ser um criador de projetos táticos revolucionários, o que o torna a escolha ideal para estrelas que se recusam a “incomodar” os treinadores com esquemas defensivos exaustivos ou corridas longas.

  • أنس الغراري وبيريزKOOORA

    Conflito entre facções

    Fora do campo, a situação não parece mais estável; nos bastidores, o clube enfrenta uma dupla liderança que causa preocupação.

    O influente José Ángel Sánchez não está mais sozinho no cenário; em vez disso, destacou-se Anas Al-Gharari, o homem que os relatos descreveram como tendo se tornado o braço direito de Pérez, sem um cargo oficial definido.

    Essa duplicação de comando aumenta a incerteza nas decisões esportivas e torna a busca por um “diretor esportivo” uma necessidade urgente que o clube rejeita publicamente, agarrando-se aos sucessos do passado, enquanto o presente afunda na incompetência.

  • Jürgen KloppGetty Images

    A escolha entre o “ambiente acolhedor” e a “identidade perdida”

    Pensar em Deschamps é repetir um modelo de gestão ultrapassado que consolida o poder das estrelas, em que tudo o que se exige do técnico é não irritar os galácticos.

    Esse modelo pode ter sucesso em conquistar títulos pontuais se a defesa e o meio-campo forem reforçados com jogadores de peso, mas não construirá uma “soberania” sustentável.

    A verdade que Pérez deve encarar é que a dupla atual, “Mbappé e Vinícius”, ainda não serviu ao sistema, e ambos se esquivam das tarefas defensivas, o que deixa a equipe exposta.

    E se o Real Madrid continuar buscando um técnico que acalme as estrelas em vez de um que as submeta à sua identidade tática, continuará dependendo da “ilusão da remontada”, que não se concretiza todos os dias.

    Hoje, o Real Madrid se encontra em uma encruzilhada: ou cede aos desejos do vestiário e contrata Deschamps para consolidar o status quo, ou volta às origens e contrata um “treinador de projeto” (como Jürgen Klopp, se ele aceitar) que tenha autoridade técnica absoluta.

    Sem isso, o “Bernabéu” continuará fervilhando, e as contratações de grandes estrelas continuarão sendo apenas um fardo tático na ausência de um líder que ouse dizer “não”.