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Protesto táxis no RJ antes da Copa do Mundo 11 06 14

Fernando Martinho: Tempos difíceis das redes

Header Fernando Martinho

Lá na década de 90, talvez alguém tenha imaginado como seria bom se houvesse uma maneira rápida de se trocar informações. A internet era uma lenda ainda. O Fax revolucionava as telecomunicações. Quando vieram os primeiros chats, fossem salas de bate papo de portais ou aquele mIRC, muitos começaram a pensar no impacto que essa tecnologia poderia trazer ao mundo se muitos tivessem acesso. Eram os tempos de internet discada, ou dial-up.

A coisa acelerou de uma forma que quando se percebeu já estava aí o Twitter, o Facebook, o Instagram e o Whatsapp. É fantástico. Outros aplicativos trazem outras soluções como comida, hospedagem, paquera, passagem aérea e transporte! Sim, tem o Blablacar e o Uber!

Protesto táxis no RJ antes da Copa do Mundo 11 06 14
(Foto: Joe Raedle/Getty Images)

O Uber — existem outros como Cabify, mas por uma questão metonímica, vai Uber mesmo — trouxe uma discussão com relação a um mercado totalmente regulado de transporte privado de passageiros: o táxi. Motoristas de todo o mundo saíram em protesto contra essa terrível ameaça. Pois bem, com todas as controvérsias do Uber, ficou caracterizada uma defesa da reserva de mercado.

Como esta coluna é de futebol, mas com uma preocupação social e política, o link direto aqui é com Jair Ventura. Mas ainda no âmbito da tecnologia, a vigilância virtual trouxe muitos benefícios, mas também muitos malefícios. Jair Ventura criticou a chegada de Reynaldo Rueda ao Flamengo em pleno 2017. Parece desconexo, né?

Jair Ventura Botafogo Barcelona Libertadores 21 04 2017RODRIGO BUENDIA/AFP/Getty Image
(Foto: RODRIGO BUENDIA/AFP/Getty Images)

Tal como os taxistas se manifestaram contrários ao Uber, Jair Ventura usou argumentos que visam uma “reserva de mercado”. Olha o termo novamente aqui! Embora evidentemente, Ventura não tenha criticado o profissional Rueda, ele disse que a chegada do colombiano desvaloriza o profissional brasileiro, em termos mais sindicalistas: a categoria.

Jair Ventura foi infeliz. Muito infeliz. Tal como grande parte das pessoas que usam Twitter, Facebook ou Whatsapp, ele se precipitou em externar uma opinião sobre um assunto que visivelmente nunca refletiu antes. Esse é o primeiro ponto.


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O segundo ponto é a tal vigilância negativa, onde essas pessoas que, tal como Jair Ventura, emitem opiniões sobre algo que não refletiram ou sequer leram à respeito do assunto em questão. Uma enxurrada de acusações de xenofobia (!) inundaram o twitter e mais uma vez a discussão se dividiu em dois polos. PT e PSDB de cada dia nos dai hoje, afinal um vive pra dizer que o outro fede mais e cada um vive dentro de seu próprio fedor.

Mas não, Jair Ventura não foi xenófobo, foi “apenas” infeliz, mas em tempos difíceis a infelicidade em uma declaração não é permitida, pois pensaram, lá atrás, que pessoas trocando informações em tempo real seria algo necessariamente bom e não é, pode ser muito ruim também. São uns contra os outros, em vez de informação, vive-se uma era de desinformação e as rede sociais são cada vez mais anti-sociais.

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