O futebol pentacampeão do mundo atravessou momentos complicados nos últimos anos, desde um estilo burocrático e a decadência precoce de alguns craques à derrota por 7 a 1 para a Alemanha na Copa do Mundo do Brasil. Como se não bastasse, após a fatídica goleada, a Seleção foi eliminada de forma humilhante na Copa América Centenário e teve um péssimo início nas Eliminatórias.
A crise instalada foi de forma geral e atingiu principalmente os treinadores do futebol brasileiro. Habituado a nomes históricos como Telê Santana, Zagallo, Claudio Coutinho e tantos outros, o torcedor se acostumou a respeitar a figura do "professor" e a atribuir a ele tanto as vitórias quanto as derrotas.
Felipão sentiu isso na pele, herói em 2002 e vilão em 2014, ele viveu, talvez, a melhor fase da profissão no futebol brasileiro, como também acompanhou de perto a decadência dela.
Pedro Ugarte/AFP/Getty Images
(Foto: Paulo Ugarte / Getty Images)
Hoje, no Brasil, o discurso é de que faltam técnicos capacitados no mercado. Chegou-se até ensaiar uma reformulação que foi brecada pela impaciência dos dirigentes. Para se ter uma ideia, na Série A do Campeonato Brasileiro, que tem 20 clubes, apenas dois treinadores estão em seus cargos há mais de um ano.
RODRIGO BUENDIA/AFP/Getty Image
(Jair Ventura é um dos únicos técnicos há mais de um ano no comando de um time da primeira divisão do futebol brasileiro. Foto: Vitor Silva / Botafogo / Divulgação)
Num dos momentos mais turbulentos da história dos treinadores no Brasil, Tite apareceu como um ponto fora da curva. Dono de um trabalho impecável no Corinthians, ele assumiu a Seleção Brasileira como a última esperança por dias melhores.
MIGUEL SCHINCARIOL/AFP/Getty Images
(Foto: Getty Images)
E mesmo diante das dificuldades, surpreendeu a todos e foi além do que se esperava dele. Tite juntou os cacos da Seleção, descobriu um camisa 9, arrumou a defesa, restabeleceu a paz e deu liberdade para Neymar potencializar seu talento na Canarinho.
Ele dividiu responsabilidades, reconquistou a torcida, carimbou a vaga de forma antecipada para a Copa do Mundo da Rússia e, agora, vem brigando por melhorias não só na profissão de treinador, como também na dos dirigentes do futebol brasileiro.
Neste segunda-feira(21), ele participou de um encontro que reuniu vários treinadores afim de discutir melhorias no esporte. Em maio, durante a Semana do Futebol, evento promovido pela CBF, ele já havia feito reivindicações e um apelo público para que se discutisse ações relativas ao futebol no país.
MoWa Press
(Foto: Mauro Horita / MoWa Press / Divulgação)
"Que haja um mínimo de tempo e que, no planejamento estejam inseridas as situações circunstanciais e aleatórias. O futebol é imprevisível, mas é importante que o dirigente possa sentar com o comandante para definir o que precisa ser ajustado, se for necessário, e que não aconteça uma simples troca de técnico", disse o treinador, que ressaltou a confiança recebida em trabalhos anteriores, como no Corinthians, Grêmio e Internacional", disse Tite em entrevista após o encontro de treinadores, na sede da CBF.
Curiosamente, Tite é o único técnico brasileiro que foi cotado para dirigir um clube do futebol europeu nos últimos anos. Antes de assumir a Seleção, ele recebeu uma consulta do Porto, de Portugal, mas prontamente deixou claro que seguiria em terras canarinho.
VEJA TAMBÉM:
Cristiano Ronaldo volta ao Bernabéu nesta quarta-feira, para jogo histórico do Real Madrid
Quando? Onde? Como? Tudo o que você precisa saber sobre o sorteio da Champions League
Além do interesse do Sporting, Benfica e Málaga também demonstram interesse em Gabriel
O treinador, que foi indicado ao prêmio da Fifa de melhor técnico do mundo, também defendeu melhorias para a classe, entre elas, a validação da CBF no exterior.
"Nós queremos que a Conmebol padronize, queremos que os cursos sejam disponibilizados. Não estamos nos eximindo da nossa responsabilidade, nós sabemos disso. Estes e outros assuntos, foram ouvidos pela CBF e agora resta a eles decidirem se é viável".
Tite saiu da zona de conforto para brigar pelos outros, pela sua profissão e pela melhoria do futebol brasileiro. Ele não precisava disso, mas foi lá e fez, como vem fazendo e muito pelo esporte no país. E se alguém pode conquistar mudanças significativas e ajudar os treinadores brasileiros a voltarem a se destacar, esse alguém é ele. E com certeza não medirá esforços para isso.
