No Palmeiras, Mano deve mostrar um pouco mais do mesmo. Ao menos no início

Treinador prometeu mudanças no estilo de jogo, mas defendeu que precisam ser graduais; Recentemente, teve dificuldade semelhante à de seu antecessor

Mano Menezes chegou sob protesto de alguns torcedores do Palmeiras para ocupar a vaga deixada por Felipão, demitido após a derrota para o Flamengo. Em sua primeira entrevista coletiva, realizada nesta quinta-feira (05), o novo comandante voltou a fazer, como já havia acontecido através de suas redes sociais, uma média com a torcida, exaltando a história palmeirense. Também relembrou casos do passado, em que treinadores conseguiram escrever história tanto pelo Alviverde quanto pelo Corinthians - clube onde teve sucesso anos atrás.

Uma das principais perguntas, contudo, foi sobre a forma que este novo Palmeiras irá jogar. Afinal de contas, o estilo exageradamente pragmático aplicado por Felipão só encontrou apoio baseado nos resultados: se a conquista do Brasileirão em 2018 foi histórica por marcas alcançadas, deixou a desejar pela (falta de) plasticidade do jogo, mesmo com vários jogadores de notória habilidade para o mercado sul-americano – uma das marcas impressionantes, aliás, foi a de ver um campeão ter média de posse de bola inferior a 50%, algo raríssimo no esporte.

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Em 2019, até a pausa no calendário brasileiro durante a Copa América, o Alviverde tinha os melhores resultados e era tido como favorito aos títulos brasileiro, de Copa do Brasil e Libertadores. Mas as vitórias deixaram de chegar nesta metade final de temporada, e após eliminações nos mata-matas e uma derrota que exacerbou uma diferença tão impressionante quanto grande, contra o Flamengo, Luiz Felipe Scolari não resistiu. Dentre os motivos que buscou para explicar o fim da bonança, falou sobre a queda de confiança do grupo especialmente após sucessivos revezes.

Quando Mano foi apontado no Palmeiras, a grande crítica foi a escolha por outro nome que vem se escorando em um futebol pragmático. Nas duas últimas temporadas, o técnico, gaúcho como Scolari, fez história ao levar o Cruzeiro a dois títulos seguidos na Copa do Brasil. Mas falhou ao tentar dar uma cara mais ofensiva à equipe celeste. Sua saída veio na esteira da pior seca de gols na história da Raposa, com péssima campanha no Brasileirão, eliminação nas oitavas de final da Libertadores e derrota para o Internacional, dentro de casa, na ida das semifinais da Copa do Brasil. Um roteiro de certa forma parecido ao de Felipão no Palmeiras.

O que esperar do Palmeiras de Mano?

Mano Menezes treino Palmeiras 05092019 O primeiro treino com os novos comandados (Foto: Cesar Greco/SE Palmeiras)

Pragmático. A palavra é usada com justiça para avaliar os últimos trabalhos tanto de Mano quanto de Felipão, mas isso não quer dizer que o jogo seja absolutamente igual. Em meio a semelhanças, existem diferenças consideráveis. O Cruzeiro de Mano Menezes, por exemplo, era um time que conseguia ter mais a bola e não apelar tanto para chutões: além de trocar mais passes, também era mais adepto de fazer isso de forma curta, geralmente. Desta forma, é possível imaginar um Palmeiras, ainda que não tão atirado ao ataque, tratando melhor a bola.

A curiosidade maior, contudo, será no trato com os atacantes. A preferência de Mano é por goleadores de maior movimentação, deixando mais de lado os “centroavantes à moda antiga”, que ficam mais plantados na área. Foi algo, inclusive, que lhe rendeu algumas rusgas públicas com Fred nos últimos meses de Cruzeiro. E em seus últimos meses de Palmeiras, Felipão carimbou as contratações de Henrique Dourado e ainda usava Deyverson como jogador mais avançado. Com Mano, é possível imaginar um Luiz Adriano mais participativo ou até mesmo uma recuperação de Miguel Borja, que encontra dificuldades para exercer a função mais avançada que era pedida por Scolari.


Maiores diferenças

  • Mais passes - curtos e menos “chutão”
  • Mais compactação das linhas
  • Atacantes de mobilidade

Brasileirão 2019 Passes/jogo Finalizações certas/jogo Gols/jogo Gols sofridos/jogo
Cruzeiro de Mano 507 4,2 0,84 1,7
Palmeiras de Felipão 293 4,9 1,5 0,8

Uma variação maior sob o mesmo guarda-chuva é o que deve aparecer primeiro. Contudo, ciente das críticas em relação aos modelos de jogo tanto de Cruzeiro quanto de Palmeiras, Mano ventilou em seu discurso que o Alviverde pode jogar "mais bonito", embora apenas para o futuro: a ordem do dia é conseguir resultados, para elevar o moral e disputar as primeiras posições no Brasileirão.

“O Palmeiras tem um elenco com características de jogadores bem definidas para armar uma maneira muito legal de jogar. Tenho certeza de que precisa, pela ordem, produzir resultados, e a partir do resultado, que gera confiança, oferecer algo que seja mais bonito de se ver, que o torcedor gosta, que ao longo da história tem grandes referências”, disse.

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“Solidez defensiva não quer dizer um time reativo, quer dizer que você não é vulnerável. Penso que temos jogadores com capacidade para propor mais o jogo. Agora vamos fazer essa transição. Às vezes não é de um jogo para o outro", complementou.

O Palmeiras de Mano irá mostrar sua cara neste sábado (07), contra o Goiás, mas pelo visto, a leve mudança prometida deverá ser gradual. Pragmática.

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