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Copa do Brasil foi argumento, exclamação e ponto final de Mano no Cruzeiro

07:30 BRT 08/08/2019
Mano Menezes Vasco Cruzeiro Libertadores 02052018
O treinador ganhou notoriedade no clube pelos títulos no torneio, que lhe segurou até o resultado ser insustentável

Mano Menezes era o técnico que estava há mais tempo em um clube brasileiro. Era. Depois de três anos, 1107 dias e quatro títulos conquistados pelo Cruzeiro, dentre os quais duas Copas do Brasil e dois estaduais, Luiz Antônio Venker deixa a Toca da Raposa. A ironia é que o que acabou decretando a sua saída foi, de certa forma, a ausência de tudo o que esteve presente neste seu longo período em Belo Horizonte: resultado e segurança nas competições nacionais.

O trabalho mais duradouro de Mano começou em 2016, quando voltou ao Cruzeiro após breve passagem pelo Shandong Luneng, da China. E se não foi uma temporada marcada por taças levantadas, foi quando a força na Copa do Brasil começou a ser rascunhada para servir de argumento: a Raposa acabou sendo eliminada nas semifinais para o Grêmio, que viria a ser o campeão, e finalizou o Campeonato Brasileiro sem sustos, em 12º.

Copa do Brasil, exclamação dupla

O ano seguinte, 2017, marcou a sua melhor temporada no clube celeste: terminou a Série A na quinta posição e bateu o Flamengo, nos pênaltis, na final da Copa do Brasil. O torneio, que entrega a maior premiação em dinheiro do nosso futebol, passou a ser a principal sustentação de Mano Menezes no comando do clube. Foi algo provado especialmente a partir de um 2018, no qual o estilo pragmático do time só não era mais criticado porque entregava resultados no mata-mata nacional. Sem dar muita importância ao Brasileirão, cujos resultados até ameaçaram a permanência de Mano, o Cruzeiro apostava tudo em sua veia copeira: caiu nas quartas de final da Libertadores para o Boca Juniors, mas novamente voltou a comemorar o título da Copa do Brasil, desta vez batendo o Corinthians na finalíssima: 1 a 0 na ida, 2 a 1 na volta.

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A conquista apaziguou as críticas da torcida, mas elas não cessaram através dos críticos: com um elenco tão qualificado, afinal de contas, era possível jogar um futebol mais envolvente. Mano Menezes respondia às críticas em relação ao seu pragmatismo, mas começou 2019 disposto, aparentemente, a mudar, e o seu Cruzeiro engatou a maior sequência invicta do início de temporada – conquistando neste caminho o bicampeonato mineiro e fazendo bela campanha na Libertadores.

Crise institucional

O Brasileirão, como antes, voltava a ser posto de lado. A Libertadores e a Copa do Brasil, com duelos de quartas de final marcados, respectivamente, contra o River Plate e Atlético-MG, eram apenas o que interessava dentro de campo. Fora dele, a crise institucional vivida pelo clube já começava a minar o clima que cercava a Toca da Raposa, mas a primeira resposta dos jogadores foi contundente: 3 a 0 sobre o Atlético, arquirrival, no duelo de ida do mata-mata nacional. O que ninguém imaginaria é que aquela seria a última resposta dada pela equipe, sob o comando de Mano Menezes. E a última vitória... e até mesmo o último gol!

Derrotas e jejum de gols

Nos oito jogos seguintes, o Cruzeiro acumulou três empates e cinco derrotas – a primeira delas, vale destacar, sequer doeu, uma vez que o revés por 2 a 0 contra o Atlético serviu para classificar a Raposa para a semifinal da Copa do Brasil. A Libertadores, objetivo maior, ficou pelo caminho após eliminação nos pênaltis para o River Plate e a situação no Campeonato Brasileiro passava a incomodar, com o time brigando contra o rebaixamento após 13 rodadas. Mas a marca negativa que fica para a história é o jejum de gols recorde desde a fundação do clube.

Já pressionado, Mano colocou o cargo à disposição depois de ser derrotado por 2 a 0 para o Atlético-MG, pela 12ª rodada do Brasileirão. A diretoria o manteve, afinal de contas lá estaria a Copa do Brasil para salvar não apenas o treinador, mas a temporada de um clube mais em crise do que nunca. Contra o Internacional, Mano Menezes usou, em momentos diferentes, os seus três melhores atacantes: nem Sassá, titular, Fred, que entrou em seu lugar ou Pedro Rocha, que em partidas anteriores havia sido a opção mais avançada, conseguiram acertar o gol defendido por Marcelo Lomba.

Ponto final

Nos minutos finais da derrota por 1 a 0 para o Inter, o torcedor cruzeirense entoou o coro: “burro! burro! burro!”. Foi a gota d’água para que Mano Menezes, pouco meses antes ovacionado como Rei dos Mata-matas, decidisse colocar um ponto final em uma passagem que resume bem a maioria dos trabalhos vistos no futebol brasileiro: sustentado apenas pelos resultados, que ora aparecem para salvar o que parecia dar errado, ora surgem como o ponto final definitivo. Mas como o tempo costuma curar cicatrizes, não será surpresa ver futuramente o nome de Mano trazer consigo um sorriso no rosto dos torcedores da Raposa, que apesar de não terem visto exibições das mais espetaculares puderam comemorar dois títulos históricos - antes de se revoltarem com um jejum, também histórico, de gols marcados.