O craque do time força a saída e durante semanas fica escondido - mais uma vez - na sombra do pai. Observa e escuta calado toda e qualquer informação e especulação.
O tempo passa, o mercado de transferências fecha e, no fim, nenhuma negociação acaba por se concretizar. A contragosto, o craque fica. Tem um (milionário) contrato para cumprir.
Já que permaneceu, não há motivo para ficar encostado. O craque, então, volta a jogar. Na primeira partida, é vaiado a cada toque na bola pela própria torcida e vê diversas faixas agressivas nas arquibancadas.
Apesar de tamanha perseguição, o craque não baixa a cabeça. Busca o jogo a todo momento e, nos minutos finais, garante a vitória da equipe com um golaço. Vibra com os companheiros, sem optar pela provocação.
Na saída do estádio, o craque enfim resolve quebrar o silêncio. Revela que, de fato, pediu para sair. Deixa ainda um recado para os críticos: "Não preciso que gritem o meu nome. Se eles [torcedores] dizem que o clube é maior que qualquer jogador, precisam esquecer o jogador. O importante é incentivar a equipe".
Se concorda com o craque, você tem razão. Se concorda com a torcida, você também tem razão.
