Atual treinador da seleção de Portugal e ex-técnico do Flamengo, Jorge Jesus comentou, na véspera da partida da Nations League entre a seleção portuguesa e a Noruega, sobre a nova mudança no futebol brasileiro envolvendo a limitação de jogadores estrangeiros. O treinador também falou sobre o que considera ser o “segredo” para o Brasil continuar sendo um dos principais países na formação de atletas.
A CBF e os clubes das Séries A e B aprovaram, no dia 21 de setembro, a redução gradual do número de estrangeiros que podem ser relacionados por partida. Atualmente, o limite é de nove jogadores, mas cairá para oito em 2027 e pode chegar até cinco em 2030. A regra acompanha o aumento da presença de estrangeiros no futebol brasileiro: em 2013, eram permitidos apenas três por jogo, número que subiu para cinco em 2014 e permaneceu assim até 2022. Em 2023, passou para sete e chegou a nove em 2024.
Questionado sobre a mudança, Jorge Jesus criticou a ideia de que limitar estrangeiros seria o caminho para melhorar a formação de jogadores brasileiros. O português citou a experiência de seu próprio país para defender que a presença de atletas de outras nacionalidades não impede o surgimento de novos talentos.
“Não é por aí que vai mudar o jogador brasileiro, que vai ter uma interferência na qualidade do jogador brasileiro. Portugal é um dos países que melhor forma jogadores, que tem dos melhores jogadores na Europa. Se o treinador quiser, podem jogar 11 estrangeiros [nos times da liga], e nós temos sempre grandes jogadores. E vamos continuar a ter”, disse.
Para Jorge Jesus, o principal ponto para a formação de atletas está na estrutura oferecida aos jovens e no calendário de competições. O treinador destacou especialmente a importância dos estaduais no desenvolvimento dos jogadores brasileiros e afirmou que espera que essas competições continuem fazendo parte do futebol nacional.
“O problema é a formação, qualidade da formação, é a calendarização. O Brasil tem uma boa calendarização e não sabe. Espero que não acabem com os estaduais, porque isso é um dos segredos do crescimento do jogador brasileiro”, afirmou.
Segundo dados apresentados pela entidade na reunião entre os representantes dos 40 clubes das Séries A e B, atletas sub-23 tiveram queda na participação nos minutos da Série A nos últimos anos, enquanto a presença de estrangeiros mais experientes aumentou. A medida busca mudar esse cenário para fazer o futebol brasileiro voltar a desenvolver jovens dentro do país, a médio e longo prazo.

