De Mancuello à Arrascaeta, Flamengo vê o que já foi sina e hoje se transformou em prazer

Arrascaeta Flamengo Velez Libertadores 20 04 2021
Getty Images
Enquanto o argentino, ex-Fla, saiu do banco e foi expulso em menos de 5 minutos, o uruguaio seguiu sua rotina: encantou e decidiu

O que esperar de um clube que já contou com Zico, além de vê-lo sempre que possível com um meia daqueles que encantam e resolvem jogos? O Flamengo, assim como todos os outros clubes, nem sempre contou, ininterruptamente, com alguém para exercer esta função – a de encantar, resolver, marcar gols e dar assistências. Mas é uma lacuna que o Rubro-Negro sempre busca preencher.

Esta eterna procura já trouxe, em momentos não tão espetaculares como o atual, nomes que chegaram prometendo mas que não estiveram à altura desta expectativa. Depois de algumas decepções contratando dentro do mercado interno, como Walter Minhoca (que chegou em 2006 vindo do Ipatinga) ou Carlos Eduardo, o Flamengo voltou seus olhos para nomes sul-americanos com atenção ainda maior do que vinha fazendo.

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A esperança de ver um estrangeiro escrevendo história na posição de meia-atacante talvez tenha ganhado um tom supersticioso por causa do peso que o sérvio Dejan Petkovic teve no clube, mas durante um bom tempo o torcedor flamenguista mais se decepcionou do que teve motivos para comemorar com tais chegadas. Desde 2019, no entanto, os rubro-negros se deliciam com o futebol de Giorgian De Arrascaeta.

O uruguaio, contratação mais cara já feita pelo clube, e que atualmente negocia um novo acordo salarial, continua aparecendo em campo para resolver jogos difíceis ao mesmo tempo em que encanta com sua habilidade com a bola nos pés. Na vitória por 3 a 2 sobre o Velez Sarsfield, da Argentina, na estreia flamenguista na fase de grupos da Libertadores 2021 , não foi diferente.

Arrascaeta seguiu a rotina de ser o cérebro mais criativo do time dentro de campo , e se não apareceu para dar assistências definiu a vitória com um golaço de meia distância – acertando o ângulo do goleiro Hoyos para decretar o 3 a 2 da equipe brasileira. Janson por duas vezes havia colocado os donos da casa em vantagem, com a equipe treinada por Rogério Ceni chegando ao empate com Willian Arão e, depois, em pênalti sofrido e convertido por Gabigol. O lance individual do camisa 14 rubro-negro foi o que acabou por decidir a noite. E a vitória.

Como se fosse impossível imaginar Arrascaeta saindo do campo mais valorizado , logo após o seu golaço o destino aprontou das suas ao quebrar também esta expectativa. Afinal de contas, com a desvantagem no placar o treinador do Vélez decidiu colocar em campo o meia Federico Mancuello. O argentino chegou ao Flamengo em 2016 repleto de expectativa. Sonhavam em vê-lo dando passes decisivos, marcando gols e conquistando títulos históricos. Não foi isso que aconteceu com ele.

Mancuello Velez Flamengo Libertadores 21 04 2021 (Foto: Getty Images)

Mancuello, cuja passagem pelo Flamengo entre 2016 e 2017 também foi marcada por lesões, não foi tão mal quanto outros meias gringos anteriores à sua chegada, como os argentinos Lucas Mugni e Maxi Biancucchi, mas não entregou o que dele se esperava. E por isso, acabou sendo aglutinado nesta espécie de sina envolvendo os meias estrangeiros que não deram certo de vermelho e preto. No duelo de estreia desta edição 2021 da Libertadores, Mancuello não ficou 5 minutos em campo: foi expulso após entrada dura em Gabigol.

Em um jogo difícil, no qual apesar de tudo o time de Rogério Ceni foi superior e criou as principais chances, o torcedor do Flamengo teve a oportunidade de se encantar novamente com Arrascaeta - rotina - ao mesmo tempo em que pôde relembrar um passado nem tão distante em que a rotina era ver suas (grandes) expectativas não serem atingidas pelos meias estrangeiros que chegavam com a missão de encantarem. Arrascaeta é daqueles jogadores para serem “desfrutados”, como cada vez se diz mais no dicionário futebolístico, quando está em campo.

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