Por João Henrique Castro
Agosto chegou e com ele um fato que não vinha acontecendo nas últimas duas temporadas. O Cruzeiro vivo na disputa por uma vaga na Libertadores. E em duas frentes!
A vitória sobre o Vasco na última rodada colocou a Raposa na cola do G-6 e a perspectiva de entrar no grupo de classificados para a principal competição continental neste fim de semana é real. Bastaria vencer o Botafogo, que provavelmente mandará um time alternativo a Belo Horizonte, e que o Sport tropeçasse no Corinthians em São Paulo ou que o Flamengo seja surpreendido e derrotado pelo Vitória no Rio de Janeiro.

É bem verdade, porém, que o Cruzeiro tem refugado justamente nestas horas. Firmar-se no G-6 ou ao menos entrar no seleto grupo dos que garantem vaga na Libertadores sem depender de outras competições tem sido um desafio e tanto para o time celeste. E tem sido comum que o pessimismo tome conta de uma parcela significativa da torcida nestas horas, esquecendo-se que a irregularidade também marca a campanha dos rivais e os problemas que o elenco vem enfrentando, por exemplo, com o rodízio elevado de atletas indisponíveis por lesão.
Tem sido comum a empolgação com o desempenho de um jogador ser seguida pela ida ou mesmo retorno do mesmo ao Departamento Médico. O banco de reservas por vezes sequer tem o número máximo permitido de atletas, como na partida contra o Volta Redonda. Ainda assim, o time tem sobrevivido a estas dificuldades e está ali: Na porta do G-6 e na semifinal da Copa do Brasil.
Light Press/CruzeiroA lógica pesada do calendário brasileiro ajuda a entender esta dificuldade que, é bom que se diga, não é só celeste. Mas ao mesmo tempo a aproximação do fim da temporada reservará períodos maiores de descanso e nas últimas duas temporadas este foi justamente o momento em que a Raposa cresceu e arrancou da zona de rebaixamento para a primeira metade da tabela da classificação.
Creio eu que, diante deste cenário, passou da hora da torcida fechar questão junto com o time e entender. Em 2017, o Cruzeiro tem chances reais de conquistar uma vaga na Libertadores. Mais que isso, o time celeste está próximo dela.
Se o G-6 atual for o mesmo do fim do campeonato, por exemplo, ainda que o Cruzeiro perca a Copa do Brasil, a chance de estar no grupo dos classificados para a principal competição do continente seria grande com a sétima colocação. A Raposa só ficaria fora se o Botafogo levasse a Copa do Brasil e, ainda assim, teria a vaga se alguém entre Grêmio, Botafogo, Santos ou Palmeiras tiver conquistado a Libertadores ou se entre Corinthians, Flamengo e Sport alguém faturasse a Sul-Americana. Situações tão prováveis que não seria estranho o G-6 virar G-7, G-8 ou mesmo G-9.
Vasco da Gama/Divulgação
(Fotos: Rudy Trindade/ThemaPress/Light Press/Cruzeiro EC)
A torcida tem toda razão em ponderar que em função dos investimentos feitos, o Cruzeiro não deveria fazer contas para a Libertadores. No entanto, parte dela peca ao não entender que Mano Menezes tem enfrentado a dura realidade de ter meio time titular e mais alguns reservas fora de combate a cada rodada. O elenco qualificado no papel tem obrigado a improvisar Lucas Romero na lateral-direita, Elber no time titular e Rafael Marques como primeira opção de ataque. O quarteto Robinho,Thiago Neves, Arrascaeta e Sobis com a possibilidade de lanças Alisson, Rafinha e Sassá no segundo tempo só tem existido em sonho. E, ainda assim, o time tem se virado de forma razoável.
Cobrar mudanças duras de rotas neste momento, portanto, pode ser fatal. O elenco ainda ganhará corpo com os acréscimos de Digão e Messidoro e, quem sabe, Galhardo ainda em 2017. Enquanto isso, os rivais sofrem com o assédio europeu e correm o risco de perder alguns dos seus destaques.
Não sou de apostas, mas hoje vejo o Cruzeiro no caminho certo para a Libertadores. Quem sabe, com o penta da Copa do Brasil ou ao menos a vaga direta na fase de grupos. Aos mais pessimistas, esqueçam as contas de Z-4 e abracem este time. Desde o desmanche pós-bi campeonato, nunca estivemos tão perto.
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João Henrique Castro é professor, historiador e, obviamente, cruzeirense. Daqueles que sabe que nada brilha mais no céu do que as cinco estrelas que traz no peito. |





