A campanha de assinaturas lançada por milhares de torcedores e seguidores voltou a colocar os holofotes sobre o prêmio "Princesa das Astúrias" de Esportes, conquistado por Lionel Messi em 2020, depois que as atitudes e os comportamentos recentes do craque argentino irritaram o público.
As atitudes de Messi levaram alguns torcedores a exigir que ele fosse destituído do prêmio, sob a alegação de que não estaria cumprindo os valores de conduta exemplar, espírito esportivo e fair play que essa prestigiada premiação preza — a mesma que ele recebeu anteriormente como reconhecimento por sua inspiradora trajetória esportiva e por sua participação na iniciativa "Juntos em Casa", lançada pelo Barcelona para apoiar os grupos mais afetados durante a pandemia da Covid-19, de acordo com o que noticiou a rede espanhola "Onda Cero".
Essa campanha popular surge no momento em que os meios esportivos discutem até que ponto seria possível retirar oficialmente o prêmio de um jogador do porte de Messi, que posteriormente somou outras Bolas de Ouro, elevando seu total a oito e tornando-se o jogador mais premiado com o troféu na história.
No entanto, a análise jurídica dos regulamentos da fundação "Princesa das Astúrias" indica que a questão não é tão simples quanto imaginam os que fazem a reivindicação, já que os regulamentos oficiais se limitam a organizar os mecanismos de indicação, a seleção das comissões e o anúncio dos vencedores, sem conter qualquer cláusula ou procedimento específico que permita anular ou retirar o prêmio depois de concedido oficialmente.
Ao longo de mais de quatro décadas desde a criação do prêmio, em 1981, a fundação não registrou nenhum precedente de retirada da honraria de qualquer figura ou instituição, apesar de alguns premiados anteriores terem enfrentado polêmicas e debates midiáticos e culturais após serem laureados.
Confirmando isso, as petições populares e as assinaturas eletrônicas, por maior que seja o número, não têm caráter de obrigatoriedade jurídica, e a decisão permanece exclusivamente nas mãos da própria direção da fundação, que nunca colocou em pauta a opção de retratação ou destituição para discussão pública em momento algum, o que torna a destituição de Messi do prêmio uma hipótese descartada e desprovida de qualquer respaldo regulamentar no momento.
