
Sombra. Palavra desgastada após semanas e semanas de especulação, rumores, arrenegações. Tudo começou com a informação de Marcelo Bechler que trouxe com exclusividade, de que o PSG pagaria a rescisão prevista no contrato de Neymar com o Barcelona. Parecia daquelas que os jornais sensacionalistas AS ou Sport adoram emplacar a cada janela de transferências de verão, que seriam factíveis no Football Manager e puramente delírios no mundo real.
Mas vale lembrar que Pogba custou mais de € 100 milhões aos cofres do Manchester United. Gonzalo Higuaín — goleador em ligas nacionais mas que fraquejava quando o sarrafo subia em competições continentais ou de seleções — custou uns € 90 milhões à Juventus. Essas foram as transferências que sacudiram o mercado de verão 2016/17. Um ano mais tarde, Neymar custar € 222 milhões não é nada absurdo.
PHILIPPE LOPEZ/AFP/Getty Images
(Foto: PHILIPPE LOPEZ/AFP/Getty Images)
Aí vieram os juízes da vida alheia. Começaram a tentar dizer o que era certo e errado. O que o Neymar deveria fazer ou não. Se o “menino” Ney quer ser o camisa 10, o protagonista, o dono do time ou qualquer outro adjetivo, isso não pode ser ruim. Assim como também não seria ruim ele jogar ao lado de Messi e Suárez e tentar superá-los dentro de campo, como naquele jogo — e somente naquele jogo, importante ressaltar — contra o PSG pela UEFA Champions League, onde foi protagonista.
Neymar decidiu que ir pra um novo lugar era um desafio que faltava na sua vida aos 25 anos. Realmente, jogar num clube “menor” e tentar levá-lo a uma glória tão alta quanto a Champions League seria esse tal desafio. Isso é verdade. Mas ele não vai receber menos, e o dinheiro é determinante na sua escolha sim.
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(foto: Getty Images)
Hoje, Neymar — sozinho — colocou o PSG no centro das atenções como nunca antes. Ibrahimovic e Beckham foram os primeiros jogadores “franquia” que tinham o claro propósito de expandir a marca do clube parisiense globalmente. Conseguiram, mas sempre um passo atrás do Real Madrid de Cristiano Ronaldo e Barcelona de Messi — e Neymar.
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Agora, crianças do mundo todo vão querer a camisa 10 do PSG. Africanos, asiáticos, sul-americanos e leste-europeus vão desejar jogar nesse clube como nunca antes. Os direitos televisivos do “Francesão” vão triplicar — no mínimo — em decorrência do aumento de sua audiência imediata. Os patrocínios do clube da capital já devem estar sendo renegociados. Os season-tickets vão esgotar e sofrerem aumentos consideráveis. Os correspondentes de grupos de comunicação brasileiros na Europa serão realocados para Paris. Tudo isso graças a Neymar. A presença de Tino Marcos na zona mista no jogo entre PSG e — o até então anônimo e agora conhecido no mundo inteiro — Amiens é sintomática.
Todos que falavam o que o brasileiro deveria ou não fazer vivem exatamente à sombra de Neymar.




