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Raphinha minimiza números e avisa: "Ganhar a Copa sem gol ou assistência não é problema"

Às vésperas da estreia do Brasil na Copa do Mundo diante do Marrocos, neste sábado (13), em Nova Jersey, Raphinha tratou de afastar qualquer preocupação com estatísticas individuais e reforçou que o objetivo principal é colocar a seleção no caminho do hexacampeonato. Mesmo convivendo com comparações entre o desempenho no clube e com a camisa amarelinha, o atacante garantiu que está focado apenas no sucesso coletivo.

Depois de uma temporada de destaque no futebol europeu, com 21 gols e sete assistências pelo Barcelona, o jogador chega ao Mundial cercado por expectativas. No entanto, ele deixou claro que não mede sua participação na competição apenas por números.

"Ganhar a Copa sem gol ou assistência não é problema. O importante é ser campeão", resumiu o atacante ao abordar seu papel na equipe de Carlo Ancelotti.

  • FC Barcelona v Rayo Vallecano de Madrid - LaLiga EA SportsGetty Images Sport

    Lesões atrapalharam sequência, mas confiança com Ancelotti permanece

    Raphinha viveu um ciclo de preparação irregular para a Copa. Problemas físicos fizeram com que ele participasse de apenas seis das 12 partidas comandadas por Carlo Ancelotti à frente da seleção brasileira.

    O atacante admite que sofreu ao ficar fora de parte dos compromissos da equipe nacional e revela que a ausência o incomodou mais do que qualquer cobrança externa.

    "Obviamente que vestir a camisa da seleção nós queremos sempre. Sofri com algumas lesões na temporada. Pela seleção perdi metade dos jogos. Eu, particularmente, fico muito mal de não estar presente. Mas sempre que estou, dou o meu melhor para a seleção e vou fazer isso até onde meu corpo permitir".

    Mesmo com a sequência interrompida, ele garante que a relação com Ancelotti é sólida. Os dois já se conheciam dos tempos de futebol espanhol, quando defendiam clubes rivais.

    "O Mister tem total confiança. Ele já me acompanhava na Espanha. Já conversamos várias vezes. Mesmo sendo muito rivais, tivemos boa relação".

    Segundo o atacante, a cobrança mais intensa vem dele próprio.

    "Por ter uma autocrítica muito alta, eu me cobro muito mais do que o Mister. Tento me provar mais que eu sou capaz do que eu deveria provar pro Mister. Ele está contente com o que venho entregando nos treinos e nos jogos, mas sei que posso fazer muito mais e estou buscando isso".

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  • Bolivia v Brazil - FIFA World Cup 2026 QualifierGetty Images Sport

    A cobrança da torcida e a dificuldade de criar conexão no Brasil

    Autor de duas assistências desde a chegada de Ancelotti, Raphinha segue sendo alvo de questionamentos por não reproduzir na seleção o mesmo rendimento que apresenta em seu clube. O próprio jogador reconhece que existe uma diferença na percepção do torcedor brasileiro em relação à que recebe no exterior.

    "Para ser sincero, sinto que realmente é diferente o carinho do torcedor brasileiro comigo do que o pessoal de fora".

    O atacante acredita que parte dessa distância tem relação com sua trajetória. Revelado cedo para o futebol internacional, ele entende que não construiu uma identificação tão forte com o público brasileiro.

    Apesar disso, Raphinha afirma que não se deixa abalar pelas críticas e que sua principal cobrança é interna.

    "Eu acredito que, se tenho que me provar para alguém, é para mim, meus pais, minha esposa e meu filho. Infelizmente, não posso mudar o gosto das pessoas. Tem gente que gosta e gente que não gosta. Tudo bem. A vontade eu vou sempre entregar, o meu melhor. Isso que seria inadmissível, não entregar o melhor".

  • Brazil v Colombia - CONMEBOL Copa America USA 2024Getty Images Sport

    "Já entreguei muito pela seleção"

    Questionado sobre a diferença de desempenho entre clube e seleção, situação semelhante à vivida por outros jogadores, como Vini Jr., Raphinha defendeu sua trajetória com a camisa brasileira, embora reconheça que ainda pode evoluir.

    "Eu já consegui entregar muito pela seleção sim. Obviamente que não podemos ser hipócritas e falar que foi igual ao clube. Mas, dentro do que passamos neste ciclo, pude entregar sim um bom futebol".

    Ao mesmo tempo, ele admite que a exigência sobre os atletas é natural, especialmente quando se trata da seleção brasileira.

    "Mas somos muito conscientes de que seleção brasileira é feita de resultados e somos cobrados. E se somos cobrados de fazer o que fazemos no clube, é porque temos condições de fazer na seleção também. Não tenho problema com isso. Posso melhorar. E não só eu, mas vários jogadores, temos essa consciência de que podemos chegar mais próximo do que fazemos nos clubes".

  • Croatia v Brazil: Quarter Final - FIFA World Cup Qatar 2022Getty Images Sport

    Mais maduro do que em 2022

    Experiente após disputar a Copa do Mundo 2022, Raphinha acredita que chega ao atual Mundial em um momento completamente diferente da carreira. Segundo ele, a maturidade adquirida nos últimos anos o deixa mais preparado para lidar com a pressão.

    "Eu acho que senti mais pressão na Copa de 22 do que nessa. Porque me vendo com os olhos de hoje, em 2022 eu cheguei muito imaturo para a Copa".

    O atacante lembra que ainda passava por um período de adaptação ao Barcelona e também à própria seleção: "Não só na seleção, também estava chegando ao Barcelona. Sentia que não estava totalmente adaptado à seleção brasileira".

    Agora, a sensação é outra: "Me sinto muito mais preparado pelo meu momento no clube e na seleção. A pressão vai existir sempre. Quando vestimos a camisa da seleção brasileira, a pressão vem junto. É a única que ganhou cinco Copas do Mundo. Se não estivermos preparados para a pressão, não podemos disputar um torneio deste nível".

  • Brazil v Panama - International FriendlyGetty Images Sport

    Liderança e confiança para buscar o hexa

    Raphinha também destacou a experiência acumulada pelo elenco brasileiro e acredita que o grupo chega pronto para iniciar a caminhada rumo ao título mundial.

    "Sim. Tivemos momentos complicados, mas chegamos prontos para a estreia".

    O atacante vê uma seleção mais madura e capaz de decidir jogos importantes. Para ele, jogadores como Vini Jr. e outros nomes experientes carregam a responsabilidade de conduzir o Brasil na busca pelo hexa.

    "Temos que saber a responsabilidade de cada um individualmente. Temos vários jogadores muito experientes. Até mesmo Vini, que não tem tanta idade, mas tem muita experiência no futebol e pode nos trazer o hexa. E eu me incluo nisso".

    A estreia brasileira será às 19h (de Brasília) deste sábado (13), contra o Marrocos, pela primeira rodada da fase de grupos. Para Raphinha, pouco importa quem marque os gols ou apareça nas estatísticas. O foco está em um objetivo maior: recolocar o Brasil no topo do futebol mundial.