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Endrick Madrid nightmareGetty

Como ida para o Lyon poderia ajudar Endrick a voltar ao radar do Brasil para a Copa do Mundo de 2026

Quando Endrick se transferiu para o Real Madrid, no início da temporada de 2024/25, ele chegou com status de joia quase toda lapidada. No Brasil, nos dois anos em que jogou no Palmeiras, ele foi dominante; fisicamente, batia de frente com todos, mesmo com apenas 16 anos, e aparecia decisivamente nos jogos importantes. Sabia se movimentar, era rápido, explosivo, usava o corpo muito bem e tinha um canhão como chute. Camisa 9 nato. Logo, despertou interesse do Real Madrid — o clube em que desejava jogar desde a infância, e pelo qual fechou um acordo de 60 milhões de euros. Era um sonho se realizando. De Taguatinga para o mundo!

Mas, apesar da felicidade de ingressar no clube com incríveis 15 títulos de Champions League, Endrick sabia que não chegaria como titular indiscutível. Afinal, aquele era um Real Madrid que há pouco tinha batido o Borussia Dortmund na final europeia de 2023/24 e conquistado La Décima Quinta. Um time cheio de estrelas, no qual o menino Endrick, sensação no Brasil, estava pronto para integrar e seguir atrás de seu sonho — agora materializado em objetivo.

Mais de um ano depois, sua trajetória em Madri não foi como esperada. De problemas com lesões a mudanças no elenco e no comando técnico, que mudaram toda a estrutura (emocional, tática, hierárquica...) do clube, Endrick foi de "cogitado a iniciar partidas" a um mero "esquenta-banco". Mas, agora, um novo início está por vir. 

O Lyon fechou um empréstimo com o Real Madrid pelo atacante brasileiro até julho de 2026. Uma mudança temporária da capital espanhola dará a Endrick a chance de mostrar que pode ser bem sucedido na Europa e, quem sabe, garantir uma vaga na Copa do Mundo da América do Norte. Abaixo, a GOAL te mostra tudo o que pode acontecer, daqui para frente, com a vida de Endrick na Europa...

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  • Endrick Real Madrid 2024-25Getty

    Início difícil em Madri

    Endrick chegou a um Real Madrid sob o comando de Carlo Ancelotti, que rapidamente demonstrou confiança no jovem brasileiro. Porém, sua adaptação coincidiu com a chegada de Kylian Mbappé, que assumiu naturalmente o protagonismo no ataque. Ainda assim, Endrick soube lidar com o cenário e aproveitou as oportunidades recebidas, marcando sete gols em 37 partidas, incluindo um destaque imediato na sua estréia da Champions League, contra o Stuttgart, quando marcou um belo gol e levou o narrador André Henning a gritar: “Tem muita estrela, garoto!”.

    A temporada 2024/25, no entanto, terminou sem títulos para o Real Madrid e marcou a saída de Ancelotti. Xabi Alonso foi quem assumiu o comando e trouxe um estilo diferente, reorganizando o elenco ao seu modo. Jogadores importantes perderam espaço — principalmente Vinícius Júnior e Rodrygo, atletas de confiança de Ancelotti —, e Mbappé ganhou o máximo protagonismo. Endrick, por sua vez, sofreu uma séria lesão na coxa em maio de 2025, contra o Sevilla, ficando cinco meses fora e perdendo o Mundial de Clubes, no qual o jovem Gonzalo Garcia, cria da base do Real, brilhou e se tornou mais um concorrente direto para o brasileiro.

    Mesmo recuperado, Endrick recebeu pouquíssimo espaço com Xabi Alonso na atual temporada, com apenas três jogos disputados (um como titular), e os rumores sobre um empréstimo cresceram rapidamente. Agora, a saída temporária do atacante está concretizada.

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  • FBL-FRA-LIGUE1-PARIS FC-LYONAFP

    O destino: Lyon

    Lyon e Endrick parecem um casamento ideal, sobretudo porque ambos atravessaram dificuldades recentes e podem se fortalecer juntos. O clube francês iniciou a temporada sob o impacto de um anúncio de rebaixamento à segunda divisão por causa de sua delicada situação financeira. Entre idas e vindas, porém, o recurso apresentado anulou a decisão da Direção Nacional de Controle e Gestão (DNCG), e John Textor — também dono do futebol do Botafogo — deixou a presidência, que passou para Michelle Kang, integrante da diretoria desde 2023 e proprietária do time feminino do Olympique Lyonnais.

    Mesmo com esse início turbulento, o Lyon garantiu vaga na Europa League 2025/26 ao terminar a Ligue 1 na sexta posição. O problema é que perdeu peças importantes: Rayan Cherki, cérebro e camisa 10 da equipe, foi vendido ao Manchester City por 36,5 milhões de euros; Georges Mikautadze, vice-artilheiro e vice-líder de assistências em 2024/25, foi negociado com o Villarreal por 31 milhões; Alexandre Lacazette saiu como agente livre rumo ao Neom, da Arábia Saudita.

    Como consequência, o Lyon entrou em 2025/26 com um ataque enfraquecido, algo evidente nos números: os principais goleadores até agora são Pavel Sulc, meia-atacante com 6 gols em 15 jogos, e Corentin Tolisso, meio-campista que marcou 3 vezes em 16 jogos. Ocupando a quinta posição, o OL é o segundo time que menos marcou gols entre os dez primeiros da Ligue 1, comprovando que seu setor ofensivo ainda não engrenou na atual temporada.

  • Endrick(C)GettyImages

    A fórmula do sucesso na França

    É nesse cenário que Endrick chega para somar: em um time com menos concorrência do que o Real Madrid, ele pode se tornar a referência do Lyon no terço-final e o goleador da equipe. Além disso, a disputa de uma competição europeia de alto calibre como a Europa League pode fortalecer sua mentalidade competitiva. 

    Pensando a nível tático, Endrick tem um encaixe perfeito com a equipe, que não tem um centroavante como referência e vem testando muitas alternativas. Por vezes, Pavel Sulc, um camisa 10 de origem, atua como um atacante recuado, e apesar de ter um bom chute e habilidade com a bola nos pés, não é um jogador de área. Adam Karabec e Rachid Ghezzal, ambos pontas, de vez em quando são utilizados como centroavantes, mas claramente não têm o faro do gol e o posicionamento devido para a posição. E também tem Martín Satriano, atacante uruguaio e emprestado do Lens, mas que ainda não mostrou serviço como homem de área e marcou apenas três gols em 18 jogos, sendo que em 15 desses jogou como titular.

    Endrick já chegou em Lyon com moral, herdando a famosa camisa 9, e também foi muito elogiado pelo treinador Paulo Fonseca após os primeiros treinos com a equipe. O português disse: "Ele é exatamente o que precisávamos. Muito talentoso técnicamente, muito rápido e trará iniciativa individual. Está pronto para jogar partidas, teve bons treinos e está muito motivado. É um jogador que se destaca em espaços abertos, então o jogo de ataque será diferente quando ele estiver em campo."

    Isso tudo indica que ele receberá muitas oportunidades em campo com a camisa do Lyon, o que já é um grande avanço em relação ao seu desenvolvimento em Madri, mas não é só isso que ele busca em 2026. Com a Copa do Mundo se aproximando e as vagas no ataque do Brasil ainda incertas, Endrick quer — e pode — garantir sua ida para a América do Norte.

  • FBL-JPN-BRA-FRIENDLYAFP

    Brasil precisa de um centroavante

    Desde que se iniciou a Era Ancelotti na seleção brasileira, não houve um jogo em que os atacantes titulares foram unânimes. Nomes como Richarlison, Matheus Cunha, João Pedro, Igor Jesus, Kaio Jorge e Vitor Roque rondam as listas de convocação, mas são poucos que realmente são selecionados em mais de uma oportunidade e, se são, dificilmente entram em campo como titulares e jogam os 90 minutos (ou próximo disso). 

    Já Endrick, saudável e recebendo os minutos que merece, pode oferecer tudo que o Brasil precisa. Indo para o Lyon no meio da temporada, ele provavelmente jogará 17 das 34 rodadas restantes do Campeonato Francês e mais a fase de mata-mata da Europa League. Se conseguir contribuir para gols (também contando com assistências), digamos, um mínimo de 15 vezes, e fazer com que a equipe brigue pelo top 3, além de ajudá-los a construir uma boa campanha na Europa League — onde estão longe de serem favoritos —, ele já mereceria uma vaga na seleção brasileira para a Copa do Mundo.

    Nenhum de seus concorrentes pela "camisa 9" da seleção brasileira têm números que dão a eles uma vaga indiscutível na equipe: Richarlison tem 8 gols e 3 assistências em 31 jogos pelo Tottenham; João Pedro tem 7 gols e 4 assistências em 23 jogos pelo Chelsea; Igor Jesus, 7 gols e uma assistência em 23 jogos pelo Nottingham Forest; e Matheus Cunha, três gols em uma assistência em 16 jogos pelo Manchester United.

    Destes, Matheus Cunha e João Pedro são os únicos que apareceram mais vezes nas convocações de Ancelotti, com duas para o jogador do Chelsea e quatro para o camisa 10 do Manchester United. Cunha foi, dos nomes citados, o único que realmente jogou como titular nos tempos recentes — formando a dupla de ataque de Vini Jr no 4-2-4 optado por Ancelotti para a Data Fifa de novembro. E mesmo assim estes dois são atacantes híbridos, transitam entre a posição de 9 e 10 e não tem como o principal aspecto de seu jogo marcar gols. Endrick pode coabitar o campo com eles, sem problema. 

  • Endrick Real Madrid 2025Getty Images

    A chance de se provar

    Em entrevista ao jornal AS, Carlo Ancelotti falou sobre a presença de Endrick na Copa do Mundo: "É um jogador muito importante porque é um dos talentos que surgiram no futebol brasileiro. Estamos avaliando a situação [sobre sua ida à Copa]”. E ele ainda completou: "Ele deve conversar com o clube e tomar a melhor decisão, para ele e para o Real Madrid. Eu nunca aconselharia o Madrid sobre o que fazer com um jogador seu. O clube sabe muito bem o que tem que fazer".

    Ancelotti confia em Endrick e demonstrou isso na única temporada em que comandou o brasileiro. Com o empréstimo para o Lyon concluído, Endrick tem o caminho aberto para despontar na França, marcar gols, recuperar seu bom futebol e provar que ele poderá estar presente nos 26 convocados do Brasil para a Copa do Mundo de 2026. Talvez jogando como titular, talvez como reserva. Apenas o futuro revelará.

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