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Dirigente da CAF condena a decisão “vergonhosa” da AFCON de atribuir o título a Marrocos

  • Senghor critica a corrupção na Copa Africana das Nações

    Senghor não mediu palavras ao avaliar a situação, afirmando ao BBC World Service que a decisão era fundamentalmente errada. “Numa situação como esta, temos de lutar contra a injustiça. O futebol é fair play, o futebol é jogado em campo, não em escritórios. O que aconteceu com a CAF foi inaceitável”, afirmou Senghor. Ele acrescentou: “Quando vemos uma comissão tomar uma decisão dessas, violando nossas regras, violando as leis do jogo da FIFA, para tirar o troféu e entregá-lo ao Marrocos, acho que é algo muito vergonhoso. Temos que denunciá-lo.”

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    O caos no final leva à desistência

    A controvérsia tem origem na caótica final disputada em Rabat, onde os jogadores do Senegal abandonaram o campo em protesto após Marrocos ter recebido um pênalti nos últimos minutos. Embora a partida tenha sido retomada — com Brahim Diaz falhando o pênalti contra Edouard Mendy —, o Senegal acabou vencendo o jogo por 1 a 0 na prorrogação. No entanto, a CAF decidiu posteriormente que o protesto inicial constituía uma desistência, concedendo a Marrocos uma vitória por 3 a 0 dois meses após o apito final.

    A CAF citou os artigos 82 e 84 do regulamento da AFCON para justificar a decisão. Essas regras especificam que, se uma equipe “se recusar a jogar ou abandonar o campo antes do término regulamentar da partida sem a autorização do árbitro”, será considerada derrotada por 3 a 0. Apesar do aspecto técnico, a decisão provocou indignação em todo o continente e gerou acusações de abuso de poder administrativo.



  • O governo do Senegal exige uma investigação

    A Federação Senegalesa de Futebol (SFF) confirmou que não aceitará a decisão sem reagir, anunciando um recurso ao Tribunal Arbitral do Esporte (CAS), na Suíça. A situação chegou a atingir o âmbito político, com o governo senegalês solicitando oficialmente uma “investigação internacional independente sobre suspeitas de corrupção” em relação à decisão que favoreceu os anfitriões do torneio.

    Embora Marrocos tenha acolhido com satisfação a decisão de ser coroado campeão, a batalha jurídica está longe de terminar. A liderança do Senegal continua inflexível em sua posição de que o resultado esportivo alcançado em campo deve prevalecer, independentemente da breve interrupção causada por seu protesto contra a arbitragem durante os tensos momentos finais em Rabat.

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    Suspensões e implicações futuras

    As repercussões também afetaram a comissão técnica, com o técnico do Senegal, Pape Thiaw, recebendo uma suspensão por ter liderado a saída dos jogadores do campo. No entanto, a suspensão se aplicará apenas às próximas eliminatórias da Copa Africana das Nações, o que significa que ele ainda estará disponível para a Copa do Mundo em junho, evento para o qual tanto o Marrocos quanto o Senegal já se classificaram.