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Barcelona destrói o orgulho do Real Madrid com a contratação de Rodri

A vantagem do Barcelona sobre o Real Madrid na disputa pela contratação do espanhol Rodri pode representar uma mudança importante no equilíbrio de forças entre os dois gigantes do futebol espanhol. Caso o negócio seja concretizado, o clube catalão dará um recado ao mercado ao mostrar que voltou a ter força para disputar grandes estrelas e não apenas reagir aos movimentos dos principais concorrentes.

Segundo o jornal britânico The Athletic, a possibilidade de o Barcelona levar a melhor sobre o Real Madrid em uma negociação de peso como a de Rodri parecia improvável até pouco tempo atrás. Agora, porém, o clube catalão aparece em condições de superar o rival na corrida pelo meio-campista espanhol.

  • imago-sport-1078492076.jpgZUMA Press Wire

    Sofrimento catalão

    As últimas janelas de transferências foram marcadas pelas dificuldades do Barcelona para inscrever seus novos reforços, enquanto o Real Madrid identificava os principais craques do mercado e avançava para contratá-los.

    As chegadas de Jude Bellingham, em 2023, e Kylian Mbappé, em 2024, reforçaram a sensação de que, quando os grandes jogadores da Europa precisam escolher um novo destino, o Santiago Bernabéu aparece como opção quase inevitável.

    Ainda assim, o Barcelona conseguiu atrair alguns nomes de peso desde a saída de Lionel Messi, em 2021. Na época, a grave situação financeira do clube obrigou o Barça a liberar o maior jogador de sua história, que acabou se transferindo para o Paris Saint-Germain.

    Robert Lewandowski foi contratado em agosto de 2022, enquanto Dani Olmo chegou ao clube em 2024. O Barcelona também acertou a contratação de Anthony Gordon, do Newcastle United, em uma negociação de 80 milhões de euros antes da Copa do Mundo.

    A diretoria do Barcelona afirma que a situação financeira do clube é hoje mais confortável, impulsionada pelo aumento das receitas após o retorno ao Camp Nou. Segundo o clube, a possível contratação de Rodri, avaliado pelo Manchester City em cerca de 80 milhões de euros, não compromete as negociações por Julián Álvarez, do Atlético de Madrid.

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  • Joan Laporta AFP/Josep Lago

    Passado doloroso

    Durante anos, o Barcelona precisou conviver com as regras de controle de gastos da LaLiga e encontrar soluções financeiras criativas enquanto tentava montar um elenco capaz de competir no mais alto nível da Liga dos Campeões.

    Nesse período, o clube deixou de ser protagonista no mercado de transferências para assumir uma postura mais oportunista. A estratégia passou a priorizar jogadores livres, atletas dispostos a reduzir seus salários para defender o Barça, nomes experientes em fim de carreira e jovens promissores.

    E é preciso reconhecer que o modelo funcionou. O Barcelona conquistou três dos últimos quatro títulos do Campeonato Espanhol com essa estratégia, que também contou com o surgimento de uma das melhores gerações formadas por La Masia. A única exceção foi a temporada 2023/24, quando o Real Madrid ficou com o título. Além disso, o time catalão voltou a avançar nas principais competições europeias.

    Esses resultados ajudaram a recuperar parte do prestígio do Barcelona, mas ainda não foram suficientes para recolocar o clube no mesmo patamar de protagonismo no mercado. É justamente nesse cenário que a possível contratação de Rodri ganha importância.

    Se o negócio for concretizado, Hansi Flick terá à disposição um dos melhores volantes do mundo e o jogador que mais se aproxima, no futebol atual, do ídolo catalão Sergio Busquets.

    Mas o significado da contratação vai muito além do aspecto esportivo. Convencer Rodri, vencedor da Bola de Ouro de 2024 e capitão da seleção espanhola, a escolher o Barcelona em vez do Real Madrid teria um peso enorme. O meio-campista sempre esteve no radar do clube merengue e reúne exatamente o perfil de jogador que costuma atrair o gigante de Madri. Por isso, sua escolha pelo Barça representaria uma mensagem forte para todo o mercado.

  • imago-sport-29334858.jpgIcon Sportswire

    O confronto de Neymar

    Neymar é considerado o último grande astro a tomar uma decisão desse tipo. Em 2013, aos 21 anos, o atacante brasileiro despertava forte interesse do Real Madrid, mas optou por deixar o Santos para defender o Barcelona.

    Naquela época, o clube catalão vivia uma realidade completamente diferente. O Barça havia conquistado a tríplice coroa em 2009 e repetiria o feito em 2015, com o brilho de Lionel Messi, Luis Suárez e Neymar. São tempos que a torcida deseja reviver, algo que Joan Laporta, presidente do Barcelona, conhece muito bem.

    Não há como negar que Laporta sabe vender sonhos. Com experiência nos bastidores do futebol, o dirigente entende o que os torcedores querem ouvir e tem facilidade para transformar expectativas em grandes promessas.

    Aos 64 anos, porém, o presidente precisou moderar esse discurso nos últimos tempos por causa das dificuldades financeiras do clube. Uma eventual contratação de Rodri, no entanto, lhe daria a oportunidade de voltar a fazer barulho no mercado.

    Aos 30 anos, o capitão da seleção espanhola, eleito o melhor jogador da Copa do Mundo após a vitória sobre a Argentina na final, representa exatamente o tipo de contratação que o Barcelona parecia ter esquecido que ainda era capaz de realizar.

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  • FC Barcelona v RCD Mallorca - LaLiga SantanderGetty Images Sport

    Substituto de Busquets

    Deco, diretor esportivo do Barcelona, afirmou em entrevista à TV3, em fevereiro de 2024, que substituir Sergio Busquets seria uma tarefa praticamente impossível.

    "Substituir Sergio Busquets é algo praticamente impossível. Ele é um jogador muito especial e absolutamente único. Não há ninguém como ele no mercado e, mesmo que houvesse, não viria, porque não o venderiam. O jogador mais próximo dele é Rodri, que está no Manchester City, mas imagino que o City não o venderia para nós nem para qualquer outro clube", disse.

    Na época, as declarações de Deco pareciam refletir muito mais a realidade financeira do Barcelona do que uma avaliação sobre a qualidade de Rodri. E há uma certa ironia nisso: hoje, o clube já não enfrenta a mesma urgência para encontrar um substituto para Busquets.

    Xavi passou dois anos procurando uma solução para a saída do ídolo antes de finalmente se adaptar à ausência do volante. Desde então, Marc Casadó teve boas atuações sob o comando de Hansi Flick, Marc Bernal surgiu como uma das principais promessas da base, Eric García mostrou que pode exercer a função e Frenkie de Jong voltou a apresentar seu melhor futebol.

    Nesse cenário, o Barcelona chegou a mudar suas prioridades no mercado e passou a olhar para outras posições. As chegadas de Gordon e Karim Adeyemi reforçaram o setor ofensivo, enquanto o meio-campo se tornou a área mais concorrida do elenco antes da recente lesão de De Jong.

    Por isso, uma eventual contratação de Rodri não aconteceria por falta de opções no elenco. Seria, sobretudo, uma oportunidade de mercado. Jogadores do nível e do peso do espanhol raramente ficam disponíveis, e o Barcelona dificilmente deixaria passar a chance de contratar um dos melhores meio-campistas do mundo.

    A chegada de Rodri também não mudaria, por si só, a essência do Barcelona. O clube tampouco precisa do espanhol para provar que voltou a ocupar um lugar de destaque, já que os títulos conquistados sob o comando de Flick já ajudaram a reconstruir parte desse prestígio.

    Mas existe um significado maior por trás da negociação. Pela primeira vez em anos, o Barcelona estaria em posição de ditar os rumos do mercado, em vez de apenas acompanhar os movimentos dos grandes concorrentes.

    E essa talvez seja a maior vitória de todas. Mais do que contratar um dos melhores meio-campistas do mundo, o Barcelona voltaria a ser o clube escolhido por jogadores do calibre de Rodri.