As primeiras imagens mostraram Hong Myung-bo disfarçado com um boné e uma máscara no Aeroporto Internacional de Incheon, antes de deixar a Coreia do Sul com destino aos Estados Unidos, apenas 48 horas após seu retorno a Seul, em meio a uma recepção hostil.
O jornal espanhol “Marca” informou que o técnico demissionário foi visto na quinta-feira se preparando para embarcar em um voo com destino a Los Angeles, fugindo das ameaças de morte que o perseguem desde a eliminação da seleção na primeira fase da Copa do Mundo de 2026.
Hong Myung-bo parecia abalado ao enfrentar a imprensa antes de sua viagem, evitando mostrar o rosto, depois de se tornar o principal alvo de uma ira popular sem precedentes.
O técnico havia retornado ao seu país na madrugada de terça-feira com a delegação da seleção, sendo recebido com gritos hostis amplificados por alto-falantes: “Saia daqui, Hong Myung-bo!… Vá para o inferno”.
Cartazes hostis contra ele se espalharam por Seul, enquanto algumas lojas impediram sua entrada, segundo reportagens da mídia.
O jornal “Marca” confirmou que o ex-capitão da Coreia do Sul, um dos maiores jogadores da história do país, partiu por “motivos de segurança” após receber ameaças de morte na sequência da eliminação.
Antes de partir, Hong Myung-bo negou os rumores sobre desentendimentos internos ou a suspensão do jogador Jens Kastrup, limitando-se a dizer: “Tenho o que dizer, mas essa história virá à tona algum dia”.
A seleção sul-coreana havia iniciado sua campanha no México com uma vitória por 2 a 1 sobre a República Tcheca, antes de ser derrotada pelo México e pela África do Sul por 1 a 0, sendo eliminada da competição ainda na fase de grupos.
Este é o segundo mandato de Hong como técnico da seleção que termina com uma eliminação precoce, assim como aconteceu na Copa do Mundo de 2014, o que o levou a assumir “total responsabilidade” e apresentar sua demissão no último domingo.
A crise atingiu o âmbito político depois que o presidente Lee Jae-myung classificou a eliminação como “surpreendente”, exigindo que o Ministério do Esporte investigasse o ícone nacional, que disputou 136 partidas pela seleção e conquistou a Bola de Bronze na Copa do Mundo de 2002.
O presidente afirmou: “Vamos acelerar a implementação de reformas na gestão do esporte para garantir que algo assim nunca mais se repita”.
