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Seleção brasileira de Tite é competitiva até quando jogo parece não valer nada

06:00 BRT 24/06/2021
Brasil Colombia Copa América 23 06 2021
Vitória de virada por 2 a 1 sobre a Colômbia, com Brasil já classificado na Copa América, foi comemorada em tom acima porque jogo ganhou tom acima

“Qual jogo que tem lá hoje”? A pergunta que abre este texto foi de autoria do motorista de aplicativo que me levou até o Estádio Nilton Santos horas antes do pontapé inicial. Chegando no campo situado no bairro do Engenho de Dentro, o futebol estava vivo na tela de um bar próximo ao estádio transmitindo o emocionante Portugal 2x2 França, pela Eurocopa. Minutos depois, já alguns metros longe do estabelecimento, pude escutar também a pergunta de um transeunte que fazia seu exercício físico no entorno do campo do Botafogo: “é o Brasil que joga hoje?”.

A curiosidade é que mesmo entre as pessoas que circulavam no entorno do estádio, não foi possível ver uma camisa da seleção brasileira. Embora o Brasil vs Colômbia válido pela terceira rodada da Copa América, dentro do Nilton Santos, fosse um jogo oficial de competição oficial o clima de pré-jogo não pareceu muito diferente de um treino. De luxo, evidentemente. A expectativa - quase microscópica - que existia era sobre quais seriam as mudanças feitas por Tite, uma vez que o Brasil já garantira sua classificação. E depois que a escalação titular foi confirmada ficamos pensando como Everton Ribeiro iria se comportar nesta sua oportunidade entre os titulares (Spoiler: ele se esforçou, mas não foi muito bem).

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Mas todo este clima de treino ficou no pré-jogo e nos parágrafos acima. Quando a bola rolou, o duelo teve um nível de disputa acima de qualquer expectativa. No estádio sem torcida, ouvia-se muitos gritos de incentivo vindo de ambos os lados. E a camisa amarela usada por Neymar ganhou a companhia do marrom, combinação que foi o resultado das várias faltas sofridas pelo craque – aliado, claro, ao estado ruim do gramado.

(Foto: Getty Images)

A Colômbia abriu o placar em um golaço de Luis Díaz, que acertou um lindo voleio no gol defendido por Weverton após cruzamento primoroso de Juan Cuadrado no início da etapa inicial. O Brasil, no final das contas, ganhou de virada por 2 a 1: Renan Lodi e Roberto Firmino saíram do banco, no segundo tempo, e o lateral cruzou para a cabeçada do atacante – com a bola ainda batendo no árbitro Nestor Pitana, em péssima noite. Falha do arqueiro Ospina. Nos acréscimos, Tite mandava o time ir para a frente antes de um escanteio cobrado por Neymar ir de encontro à cabeça de Casemiro... e de lá para o fundo das redes. A comemoração dos brasileiros foi explosiva no 2 a 1.

(Foto: Getty Images)

Ué, mas e aquele clima de “amistoso de luxo” antes do jogo? Este clima ficou apenas no entorno, porque entre os atletas e comissões técnicas a partida parecia valer três pontos preciosos. Vamos lembrar que Brasil e Colômbia vêm em sequência de jogos tensos desde a Copa do Mundo de 2014, marcada pela lesão que tirou Neymar daquela competição. Ainda assim, o clima tenso pareceu ser mais produto originado pelos Cafeteros do que pelos comandados de Tite. E o termômetro desta história é o próprio técnico brasileiro.

(Foto: Getty Images)

Tite começou o jogo quieto, observando e gritando apenas na busca de fazer ajustes minuciosos no time. Nos minutos finais, com o jogo já envolto na tensão criada nos gramados, chegou até mesmo a, com os pulmões cheios, xingar algum membro da comissão técnica colombiana: “VAI SE F***”, gritou o comandante, com seu sotaque gaúcho ecoando alto pelo Nilton Santos. A 43ª vitória de Tite em 57 jogos pela seleção, marca impressionante, não foi importante pelo que valia dentro de uma tabela de classificação ou em um campeonato já vencido pelo Brasil em 2019. Tampouco por alguma grande substituição revolucionária. O que a tornou admirável foi para mostrar que, até no jogo com mais cara de treino, esta seleção exala uma grande competitividade.

Na saída do jogo, entre os poucos moradores que estavam na rua madrugada a dentro, a curiosidade foi ver um senhorzinho andando com uma camisa surrada da seleção brasileira.