Por Bruno Guedes 
Enquanto nas redes sociais (e até alguns da imprensa) a campanha com viés de perseguição "Fora Zé Ricardo" ganha voz, torcida e imprensa fecham os olhos para um problema que há algum tempo vem interferindo também no desempenho do Flamengo: a queda de produção do Diego. Falar do camisa 35 é sempre polêmico, porque além de craque, sempre esperamos algo acima da média pela qualidade que ele tem. Porém, desde que voltou de lesão, oscila entre bons e maus momentos.
Diego tem como característica ser um jogador que carrega bastante a bola. Uma qualidade adquirida de um futebol lá do começo dos anos 2000. Quando a recebe, sempre observa um pouco mais antes de passá-la ou corre com ela. No ano passado, em um time limitado tecnicamente, essa predominância de jogada era uma arma. Entretanto, atualmente, com time veloz e mais técnico, tal performance acaba por vezes sendo uma solução errada. Isso porque, enquanto o atleta espera um pouco mais a finalização do lance, o adversário além de ajustar a marcação, acaba por fechar as opções de passe do Rubro-Negro.
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(Foto: Pedro Vilela/Getty Images)
É o que vem ocorrendo há algum tempo. Com atenção para a partida contra o Grêmio, onde o time do sul se recompôs defensivamente para barrar as finalizações de jogadas. Sem a aceleração dos lances e triangulações, Flamengo teve a tão temida e peculiar "posse de bola estéril", como chama Zé Ricardo. Contra o Santos, o oposto. Uma grande enfiada às costas Jean Mota para gol do Berrío em bola rápida e a triangulação para o do Guerrero.
Outro grave problema que atenua isso é a sobrecarga. Flamengo tem dois volantes que não criam, não ajudam na parte ofensiva e muito menos infiltram. Com Cuéllar e Márcio Araújo, o time acaba por forçar o Diego a voltar até atrás da linha de campo e começar as jogadas. Com William Arão, mesmo criticado pela torcida, o jogo consegue ter mais opções de passes e saídas de bola mais rápidas, evitando o desgaste do ex-santista. Contra o Corinthians mais uma vez isso se provou, assim como era em 2016.
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(Foto: Divulgação)
Muitos lembram do pênalti perdido contra o Palmeiras e o gol desperdiçado no último domingo. São lances a serem cobrados de um jogador decisivo e do nível do Diego. Mas seu desempenho não pode e nem deve ser julgado apenas por estes casos. Precisa-se é que haja um trabalho mais específico quanto as adaptações das características da equipe e do meia-atacante do Flamengo. Juntos, se completam com inteligência para aliar os dois envolvidos. Um depende do outro.
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Bruno Guedes é músico, apaixonado por futebol e beisebol. Brasiliense por certidão e carioca de coração, acredita no futebol brasileiro e tem Romário como o maior jogador que viu dentro das quatro linhas. |

