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Marcelo Bielsa Addresses The MediaGetty Images Sport

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Marcelo Bielsa deixa o cargo após uma Copa do Mundo muito tensa e dolorosa com o Uruguai

Marcelo Bielsa anunciou sua saída do cargo de técnico da seleção uruguaia. A notícia não é, de forma alguma, uma surpresa: Bielsa não conseguiu evitar conflitos internos e o Uruguai foi eliminado logo na fase de grupos, após uma Copa do Mundo dramática.

O Uruguai foi sorteado em um grupo com Espanha, Arábia Saudita e Cabo Verde. O Uruguai era, antes do torneio, o grande favorito para terminar em segundo lugar, atrás da Espanha, mas o bicampeão mundial acabou entre os quatro piores terceiros colocados e foi eliminado.

Após os empates contra a Arábia Saudita (1 a 1) e Cabo Verde (2 a 2), o Uruguai precisava vencer a Espanha e, embora a equipe tenha apresentado um desempenho melhor do que nas duas primeiras partidas da fase de grupos, um erro grave de Fernando Muslera acabou custando a eliminação ao Uruguai (1 a 0).

Muslera permaneceu no vestiário logo após seu erro, a pedido próprio. Chamou a atenção a substituição do craque Federico Valverde dez minutos após o intervalo. O capitão foi tirado de campo para gerar mais poder ofensivo, explicou o muito frustrado Bielsa.

Valverde ficou irritado após a substituição e, apesar do novo impulso ofensivo, o Uruguai não conseguiu marcar o gol necessário contra a Espanha. Logo após a eliminação da Copa do Mundo, Bielsa anunciou uma coletiva de imprensa, na qual confirmou definitivamente sua saída.

“Sou responsável por essa decepção”, disse ele, entre outras coisas. “É claro que não preciso definir esse desempenho. Se me perguntarem como minha passagem pela seleção será lembrada, diria que foi um período em que não deixei nada para trás.”

“Não deixo nada para o futebol uruguaio, pois qualquer contribuição que eu pudesse dar a um país onde trabalhei por três anos não se consolida se não houver resultados”, disse Bielsa.

Nos bastidores, sua relação com o grupo de jogadores se deteriorou rapidamente. Assim, Bielsa recusou o pedido de quatro jogadores experientes (Sergio Rochet, Manuel Ugarte, Rodrigo Bentancur e Valverde) para realizar uma reunião.

Esses quatro jogadores queriam, em nome do elenco, se manifestar sobre a intensidade dos treinos, que consideravam excessiva, e as queixas físicas decorrentes disso. Além disso, o elenco queria adotar uma postura mais defensiva contra a Espanha do que a prevista por Bielsa.

Bielsa recusou categoricamente o pedido e, em seguida, convocou todos os jogadores para uma reunião. Nela, Bielsa enfatizou que os jogadores deveriam seguir seu método, o que gerou ainda mais tensões.

Depois disso, os jogadores não queriam mais saber de Bielsa, que já não era popular devido à sua briga aberta com Luis Suárez. “As reuniões eram divididas e nunca duravam mais de 10 minutos”, conta Bielsa sobre as tão comentadas reuniões.

“Consultei especialistas para me adaptar às mentalidades mais jovens, e eles disseram que as reuniões deveriam ser mais curtas e realizadas em dias diferentes, para não sobrecarregar a atenção dos jogadores.”

Bielsa considera que seus métodos não deixaram marcas em campo. “Um ex-jogador da seleção uruguaia (Diego Lugano, nota do editor) disse que era muito claro ver em campo que o grupo e o técnico estavam divididos.”

“E eu digo exatamente o contrário. Estávamos unidos o suficiente para correr 20% a mais que a Arábia Saudita, 30% a mais que Cabo Verde e 25% a mais que a Espanha”, afirmou Bielsa.

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