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Diego Maradona GFXGetty Goal

Maradona é o futebol que se sente. E parte desse futebol morre com ele

Futebol é muitas coisas, mas futebol é, sobretudo, aquilo que ele desperta. A morte de Maradona faz morrer um pouco o futebol que se sente. Aquele que gera loucura, cria relações de amor, te envolve em paixão e faz chorar como se um ente querido tivesse partido. Antes de provocar tudo isso, Diego era isso tudo, o que explica porque talvez ninguém tenha chegado tão longe nessa relação.  

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Não foram poucas as vezes em que se perguntou, neste luto imediato, como seria a vida se Maradona nunca tivesse cedido ao vício. E se tivesse cuidado melhor do corpo? Onde chegaria se encarasse a vida de jogador de forma mais profissional? Talvez tivesse conquistado mais uma Copa do Mundo, vencido a Liga dos Campeões, empilhado Bolas de Ouro, criado uma filosofia de sucesso como técnico... 

Mas quem amaria Diego? Ou melhor, será que amariam Diego como o amam hoje, no triste dia de sua morte? Maradona não é o maior personagem da história do futebol apesar de todos os descaminhos que seguiu em sua vida, ele o é justamente porcausa dos desvios. É o improvável, a paixão, a loucura. Sem aposto. Maradona não foi um gênio "dentro de campo", ele foi a representação imperfeita de seu povo, defeitos e qualidades. Um "deus sujo e pecador", como escreveu Galeano.

Eu nasci em 1988, não foi Maradona que fez eu me apaixonar por futebol, mas foi pelo futebol de Maradona que eu me apaixonei. Não ser nostálgico é uma missão de vida que exige esforço diário, mas é difícil não se perder um pouco no saudosismo num dia como hoje. Diego é a antítese do futebol globalizado, seu tamanho não se mede pelo currículo.

Não me entenda mal, não há nada de errado com o "moderno". Poder ver o mundo da bola pela TV, idolatrar craques de diferentes nacionalidades, viver a proximidade dos games e das redes sociais... Mas a porta está cada vez mais fechada para histórias que escapem do funil do futebol europeu de elite. Como explicar para um jovem adolescente que um dos maiores da história "fracassou" no Barcelona e encontrou o clube de sua vida nas franjas da Itália, lutando contra os poderosos para ganhar "míseros" dois títulos italianos - três a menos que Paulo Dybala? 

O contexto respira por aparelhos no futebol, e Maradona, que é puro contexto, é um novo diagnóstico negativo para o paciente terminal. Ele não é simplesmente uma ferramenta que te faz perder ou ganhar jogos. É a obra de arte que desperta uma explosão de emoções, não se mede em réguas comuns. As homenagens a Diego nos mostram outros caminhos. 

A devoção palpável de Nápoles, a religião obsessiva da Argentina, o "Maradonismo" que influencia gerações... Tudo isso explica Maradona, seu lugar no mundo e no coração das pessoas. É o máximo que o futebol pode alcançar, essa força que ele desperta. E que agora se vai, ao menos um pouco, junto com Diego. 

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