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Brasileirão Série A

Luxemburgo cita Jorge Jesus no Flamengo, mas erra na acusação do curso da CBF

23:31 BRT 02/06/2019
Vanderlei Luxemburgo Vasco 02 06 2019
O treinador do Vasco disse que brasileiros são proibidos de treinarem na UEFA, mas Licença PRO diz ser aceita pelos europeus

Após a derrota por 1 a 0 para o Botafogo, neste domingo (02), o técnico do Vasco, Vanderlei Luxemburgo, lamentou o resultado e dedicou alguns minutos de sua entrevista coletiva para fazer um desabafo. Deu as boas vindas ao português Jorge Jesus, anunciado como novo comandante do Flamengo, mas aproveitou a chegada de um treinador estrangeiro para criticar a falta de respaldo aos técnicos brasileiros na Europa.

“Desejar ao técnico português que está vindo para o Brasil, o Jesus, muita sorte, muita felicidade, que ele tenha sucesso”, iniciou Luxemburgo, antes de mudar o foco do discurso. O grande motivo de críticas do treinador foi um alegado pouco apoio da CBF, que segundo Vanderlei deveria buscar na Fifa uma forma de levar também mais brasileiros para o futebol europeu.

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“Gostaria de ver a posição da CBF, não impedindo que ele venha, mas protegendo os técnicos brasileiros na Fifa para que nós possamos ir para a Europa ou para a Ásia e prevaleça a nossa Licença PRO aqui. Ele [Jorge Jesus] está chegando aqui no Brasil, está sendo aceito por nós e acho legal esta troca de conhecimento. Só que nós não somos técnicos reconhecidos lá fora. E a grande culpada disso é a CBF, que não vai na Fifa brigar pelos seus profissionais aqui. Aí nós somos impedidos de trabalhar. É uma crítica direta à CBF”, disse.

Vanderlei Luxemburgo é o treinador mais vitorioso na história do Campeonato Brasileiro. Além de somar um número recorde de cinco títulos, é também quem mais contabiliza jogos (710) e vitórias (329). No auge de sua carreira, trabalhou no Real Madrid e fez um bom trabalho até ser demitido – em uma época na qual o clube espanhol não tinha quase nenhum pudor na hora de contratar e dispensar treinadores. Mas a sua defesa pode ter sido de certa forma equivocada.

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Pois se o ponto defendido por Luxa foi uma falta de compatibilidade para que a UEFA (entidade que comanda o futebol europeu) aceite os cursos de treinadores da CBF, ele não é absolutamente correto. Quando os treinadores se apresentaram, em dezembro de 2018, para as aulas da Licença PRO – o mais alto patamar do ensino na CBF Academy – uma das novidades reveladas pela CBF foi justamente a aceitação de alunos graduados como ‘PRO’ pela UEFA.

Segundo a posição da entidade brasileira, um treinador daqui pode trabalhar na Europa desde que tenha a Licença PRO e cinco anos comprovados na elite do Campeonato Brasileiro. Vale destacar que a partir de 2021 a Conmebol vai estipular a obrigatoriedade do diploma da Licença PRO (e suas equivalente em outros países) para que os técnicos possam comandar equipes na Libertadores da América. Esta obrigatoriedade é o que está fazendo treinadores correrem contra o tempo para conseguirem a Licença PRO, e também o que gerou uma leve apreensão com a ausência de Renato Gaúcho nas aulas de dezembro de 2018.

Vanderlei Luxemburgo não tem a Licença PRO, mas foi agraciado com uma Licença Honorária concedida pela CBF que dá a mesma equivalência. Hoje, mais do que em alguns anos atrás, um treinador brasileiro tem mais capacidade de treinar times europeus. A questão é que os convites não são tão comuns. Anunciado recentemente como treinador do Lyon, da França, Sylvinho optou por fazer os estudos na Europa. Na próxima temporada, será o trabalho mais interessante para se observar de um brasileiro em um dos principais campeonatos do Velho Continente. E o único.