Howard Webb, presidente da comissão de arbitragem do órgão "Pro Ref", responsável pela gestão dos árbitros da Premier League, veio a público em seu primeiro comentário oficial para falar sobre os bastidores da polêmica decisão arbitral que resultou na validação do gol de Erling Haaland a favor do Manchester City no dérbi do último domingo, no estádio Old Trafford.
O gol havia sido inicialmente anulado por impedimento sobre o atacante do City, antes de a tecnologia de vídeo (VAR) intervir para cancelar a bandeirada e validar o gol, apesar de seu companheiro Enzo Fernández estar em posição de impedimento evidente e ter interferido diretamente na jogada, o que levou o órgão a reconhecer oficialmente a existência de um erro grave na concessão do gol.
Em sua fala durante o primeiro episódio do programa "Match Officials Mic’d Up", que transmitiu as gravações de áudio entre os árbitros da partida e a sala do vídeo, Webb disse, de acordo com o que noticiou o site oficial da Premier League: "Sentimos a importância de reconhecer o erro nesse lance; pois sabemos que Erling Haaland, que foi punido com a bandeira em campo, não estava em posição de impedimento, mas também temos consciência de que Enzo Fernández estava impedido e interferiu de forma quase certa na defesa do Manchester United, e provavelmente no goleiro também".
E Webb acrescentou, expressando seu pesar: "Fiquei muito decepcionado com esse resultado, e todos compartilham desse sentimento, à frente deles a própria equipe de arbitragem; pois eles se orgulham do seu trabalho e sentem dor atualmente após essa falha, e não estarão na gestão das partidas até o fim do período da data Fifa".
Webb revelou o contato direto com a diretoria do Manchester United, dizendo: "Entramos em contato com o Manchester United e admitimos o erro, como sempre fazemos quando acontecem esse tipo de coisa. Esses erros não se repetem com frequência, mas prezamos pela transparência e clareza; por isso reproduzimos as gravações de áudio e as imagens de vídeo para os dirigentes do clube, a fim de explicar exatamente o que aconteceu, e vamos revisar esse lance para entender a falha de procedimento que provocou o fato de não chegarmos à decisão correta".
Sobre o motivo técnico que determina o impedimento de Fernández apesar de ele não ter tocado na bola, Webb esclareceu: "Fernández de fato não tocou na bola e, portanto, não cometeu o conceito direto de impedimento pelo toque, mas a regra pune o impedimento mesmo sem contato; pois, com a chegada do cruzamento, vemos Fernández avançar claramente em direção à bola e ficar muito próximo dela".
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E prosseguiu explicando o impacto direto sobre o zagueiro e o goleiro do United: "Esse avanço afetou diretamente o zagueiro Lisandro Martínez, que estava próximo dele, impedindo-o de intervir e afastar a bola, e também afetou o goleiro Senne Lammens, que ficou impossibilitado de avançar de forma natural, ou se preparou para a possibilidade de colisão com Fernández, o que o tirou de sua posição correta no momento em que a bola passou por Fernández e Haaland a finalizou às redes".
E sobre o motivo de o árbitro de vídeo ter ignorado a interferência de Fernández, Webb disse: "Quando o árbitro do VAR começou sua revisão, ficou claro para ele, por meio da tecnologia de impedimento semiautomático, que Haaland estava em posição correta por uma diferença de 3 centímetros graças à cobertura do zagueiro Patrick Dorgu no lado oposto, e aqui o árbitro caiu na armadilha do foco excessivo em Haaland, e presumiu que o gol estava totalmente correto".
E Webb completou revelando os bastidores da falha na sala da tecnologia: "Ao rever o lance por meio da aplicação completa, o árbitro não avaliou o impacto total da posição de Fernández; limitou-se a verificar se ele havia ou não tocado na bola para passá-la a Haaland. Ele sofreu, naquele momento, do que se conhece como 'visão de túnel', e concentrou-se totalmente em Haaland, e caberia ao restante da equipe da sala intervir para tirá-lo desse túnel estreito, o que infelizmente não aconteceu".
Nesse contexto, Webb defendeu a decisão do árbitro Michael Oliver de expulsar Phil Foden, jogador do City, após seu pontapé em Bruno Fernandes, rejeitando as reivindicações de expulsão também do português, e esclarecendo: "A atitude de Fernandes refletiu mais imprudência do que conduta violenta; pois a conduta violenta exige o uso de força excessiva ou brutalidade, e ao analisar o lance em velocidade normal não encontramos esses elementos, e, portanto, a infração exigia apenas o cartão amarelo".
O presidente da comissão de arbitragem apontou que não havia espaço para a intervenção do VAR para reivindicar a advertência a Fernandes, uma vez que o árbitro havia visto o lance em campo e tomou sua punição administrativa em relação a Foden.





