Apesar das críticas que o perseguem por causa de sua falta de movimentação, o norueguês Erling Haaland continua provando que o futebol não se decide pelo número de quilômetros percorridos, mas pela qualidade das jogadas dentro da grande área. Na Copa do Mundo de 2026, o atacante da Noruega dá uma nova lição sobre a arte de explorar os espaços, transformando seus passos tranquilos em gols decisivos, para confirmar que a inteligência tática pode ser mais letal do que a corrida incessante.
De acordo com o jornal espanhol “Marca”, Haaland participou de 84% das partidas da Noruega durante a Copa do Mundo de 2026, uma porcentagem que supera a de todos os seus concorrentes ao prêmio da Chuteira de Ouro. E o mais importante: sua taxa de conversão de chances em gols supera claramente a dos demais artilheiros do torneio.
No confronto contra o Brasil, Haaland percorreu cerca de nove quilômetros, dos quais 84% foram a pé, um número que reflete seu estilo diferente em campo. Em contrapartida, os números de seus concorrentes parecem totalmente diferentes.
Lionel Messi percorre, em média, 6,6 quilômetros por partida, dos quais 62% são a pé, enquanto a distância média percorrida por Harry Kane é de cerca de 11 quilômetros por partida. Já Kylian Mbappé realiza um número muito maior de arrancadas rápidas em comparação com o atacante do Manchester City.
Mbappé lidera a lista dos jogadores mais rápidos da Copa do Mundo de 2026, após atingir uma velocidade máxima de 37,6 quilômetros por hora durante a partida das quartas de final contra o Marrocos, segundo o jornal “Marca”.
Apesar dessas diferenças físicas, Haaland se destaca no aspecto ofensivo. Ele marcou sete gols em sua primeira participação na Copa do Mundo, um número que supera a soma dos gols marcados por Lionel Messi (um gol), Cristiano Ronaldo (um gol) e Kylian Mbappé (quatro gols) em suas respectivas estreias no torneio.
Além disso, a taxa de conversão de chutes de Haaland em gols chegou a 39%, a mais alta em uma Copa do Mundo desde o inglês Gary Lineker, em 1986. Como é que um atacante que anda mais do que corre consegue ser tão eficaz diante do gol?
A resposta está em seu estilo de jogo diferente. Haaland não participa muito da construção das jogadas ofensivas como Harry Kane, nem depende de dribles e arrancadas frequentes como faz Mbappé; além disso, suas contribuições na criação de gols são limitadas. Com isso, parece que ele ignora as exigências do atacante moderno, de quem se espera que pressione o adversário, recue para apoiar os meio-campistas e participe constantemente da circulação da bola.
Mas quando a bola chega à área, Haaland se transforma no atacante mais perigoso do campeonato. Ele marcou sete gols em apenas 18 chutes, uma média de gols excepcional que reflete sua alta eficiência diante do gol.
Embora sua presença durante longos períodos da partida possa dar a impressão de que ele está distante do andamento do jogo, isso não passa de parte de um plano tático minucioso. Enquanto a maioria dos atacantes se mantém em constante movimento para confundir os zagueiros, Haaland prefere diminuir o ritmo, observar o posicionamento da defesa e aguardar o momento em que surja o espaço adequado, antes de partir em uma arrancada relâmpago para aproveitá-lo.
Seu primeiro gol contra o Brasil foi a melhor prova dessa filosofia. Ele iniciou o ataque com calma e sem pressa, depois partiu no momento perfeito, aproveitando a brecha que surgiu entre os zagueiros, para superar Gabriel e mandar a bola para o fundo da rede, confirmando que o timing perfeito pode ser mais valioso do que correr durante toda a partida.
