A transferência de Fred para o Cruzeiro após rescindir o contrato com o Atlético-MG é muito polêmica por vários motivos. Além dos R$ 10 milhões que a Raposa precisará pagar ao Galo, existe o discurso do jogador, as opiniões divergentes e, sobretudo, o fato de sair de um rival para defender o outro em sequência.
Fred, porém, não é o primeiro a fazer isso. Ao longo da história, vários jogadores defenderam os rivais mineiros, sendo que alguns deixaram um para jogar pelo outro em sequência.
O primeiro deles foi Mussula. Revelado pelo Cruzeiro em 1955, o goleiro foi para o Atlético-MG em 1958, onde ficou por menos de um ano. Depois, entre 1961 e 1963 voltou a defender a Raposa. Ele ainda retornou ao Galo uma década depois de sua primeira passagem e ficou no Alvinegro até encerrar a carreira, em 1973.
O segundo caso é o de William, zagueiro que começou a carreira no Atlético-MG, em 1952, por onde jogou durante 12 anos e conquistou cinco estaduais. No entanto, em 1964, ele se transferiu para o Cruzeiro, onde conquistou a Taça Brasil de 1966, que teve os lendários embates com o Santos de Pelé. Naquele incrível time celeste de Tostão, Dirceu Lopes, Natal e outros craques, William formou dupla de zaga com Procópio Cardoso, de quem é cunhado.
E curiosamente, Procópio foi outro que trocou um rival pelo outro. O zagueiro atuou no Cruzeiro de 1959 a 1961, quando foi para o Galo. Ele ficou no Atlético-MG entre 62 e 63 e depois em 66. No mesmo ano, ele voltou a defender a Raposa e conquistou a Taça Brasil. O defensor ficou no clube celeste até 1968 e ainda teve mais uma passagem pela Toca entre 73 e 74. Vale destacar que apesar da maior identificação com o time estrelado nos tempos de jogador, como técnico, a identificação de Procópio é maior com o Alvinegro, que ele tantas vezes salvou do rebaixamento na década passada.
No entanto, apesar de todos serem grandes e importantes nomes do futebol mineiro, nenhum dos citados anteriormente tem o tamanho da lenda de Nelinho, um dos maiores laterais da história do futebol brasileiro. O craque que defendeu com brilhantismo a Seleção Brasileira e ficou marcado pelas pancadas de fora da área e cobranças de faltas letais marcou 106 gols pelo Cruzeiro e conquistou uma infinidade de títulos na Raposa, entre 1973 e 1982, incluindo a primeira Copa Libertadores do clube.

Nelinho, porém, deixou o time celeste insatisfeito com a chegada de Yustrich, lendário treinador brasileiro, e foi justamente para o Atlético-MG, por onde ficou até 1988. No Galo, o lateral também brilhou no timaço de Reinaldo, Cerezo, Luizinho e outros craques, com 52 gols em 274 jogos.
Outro especialista nas bolas paradas, o também lateral Paulo Roberto Costa teve idas e vindas nos rivais mineiros. No começo da década de 1990, ele colecionou títulos no Cruzeiro antes de ir para o Corinthians. Depois, ele acertou com o Atlético-MG, começou a temporada de 95 no Galo, mas no mesmo ano foi para a Raposa e voltou para o Alvinegro em 96. Ainda vale lembrar que ele começou com a brincadeira da "tremedeira", ao afirmar que os cruzeirenses "tremiam" quando enfrentavam o Atlético. Até hoje os atleticanos usam a famosa galhofa.
Com menos destaque, o ex-volante Valdir, o Toddynho, também defendeu os rivais na década de 1990, assim como Alessandro, no início dos anos 2000. Já o hoje diretor de futebol do Cruzeiro, Marcelo Djian, ganhou vários títulos pela Raposa antes de ser dispensado e ir para o Atlético-MG. Ainda vale lembrar os casos de Jael, que fez o caminho inverso, mas não se destacou por nenhum dos dois clubes, e Fernandinho, que depois de ser vice-campeão da Libertadores em 2009, foi para o Galo no meio de 2010.
Os dois últimos casos, porém, são muito emblemáticos. Leonardo Silva foi contratado pelo Cruzeiro em 2009 e fez uma boa temporada, mas depois de sofrer uma lesão no ligamento cruzado anterior do joelho direito e passar por uma cirurgia, em junho de 2010, foi dispensado no fim da temporada. O defensor, então, se transferiu justamente para o Atlético-MG, onde virou ídolo e está até hoje.
Bruno Cantini/Atlético-MG(Foto: Bruno Cantini/Atlético-MG)
No Galo, Léo Silva conquistou as inéditas Copa Libertadores e Copa do Brasil, esta, em cima justamente do Cruzeiro, além da Recopa Sul-americana e quatro vezes o Campeonato Mineiro. Ele ainda se tornou o maior zagueiro-artilheiro da história do clube, com 29 gols em 318 partidas.
E o último nome, como todos sabem, é Fred. O atacante começou a carreira no América-MG e foi para o Cruzeiro, que defendeu entre 2004 e 2005. Apesar da ausência de títulos, o matador se destacou com 56 gols em 71 partidas e ganhou vários prêmios individuais, sendo vendido com muita moral para o Lyon. Depois de fazer história no retorno ao Brasil no Fluminense, ele foi para o Atlético-MG em 2016. Foram 42 gols em 83 jogos no Galo antes da rescisão do contrato e da transferência para a Raposa, com vínculo de três temporadas.





